CRÔNICA - Joel Cintra Borges

O médico e o monstro

Por: Joel Cintra Borges | Editoria: cultura | 25/03/2017 | Visualizações: 124

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O escritor escocês Robert Louis Stevenson (1850-1894) publicou um livro de mistério chamado O estranho caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde, o qual é mais conhecido como O Médico e o Monstro, já tendo, inclusive, diversas versões cinematográficas.
Dr. Jekyll é um pacato clínico que observa em si mesmo essa dualidade de sentimentos que todos nós temos e que pode ser resumida como o bem e o mal. Vai mais longe: à custa de muita pesquisa, prepara uma substância que libera toda a maldade latente em sua personalidade, transformando-o em Mr. Hyde, uma pessoa dominada pelos instintos e pelo egoísmo, sem a menor sombra de moral ou de piedade. É o lado negro do bondoso médico que aflora.
Com o tempo, porém, Mr. Hyde vai ficando muito forte, não sendo mais necessário o uso de qualquer beberagem para seu aparecimento. Surge quando quer, ficando o tempo que deseja.
Essa bela alegoria tem muito de verdadeiro. Todos nós temos um pouco de médico e um pouco de monstro. Nos meandros de nossa personalidade caminham lado a lado anjos e demônios...
E quanto mais inteligente e culto é o indivíduo, mais aumenta e se aprofunda o passo do diapasão bem-mal, alegria-tristeza. É como se o conhecimento permitisse um requinte maior nos atos e na forma de pensar, estendendo-se também à imaginação.
O quotidiano está cheio de exemplos que mostram de maneira clara que o homem é o maior santo do planeta... e também o pior dos diabos! Enquanto bombeiros arriscam-se de maneira heróica, enfrentando grandes incêndios para salvar vidas, rapazes colocam fogo em mendigos que nem conhecem, só pelo prazer sádico de vê-los queimando até à morte.
Muitos homicidas em série são pessoas de bom nível cultural e social, estimados por todos. A palavra personalidade vem do latim persona, que quer dizer máscara!
Conhecedores que somos dessas balizas entre as quais caminhamos, surge a pergunta:
—  Como fazer para que cresça mais nossa parte boa?
Praticando o bem, ainda que inicialmente tenhamos que forçar-nos para isso. O hábito é uma segunda natureza, acaba fixando-se.
Da mesma forma, o exercício do mal desperta e fortalece nossas más tendências. Que podem ensinar-nos filmes de violência, a não ser a brutalidade? A pornografia, hoje tão difundida, excita demasiadamente a sexualidade, dificultando o trabalho de contenção dos impulsos, imprescindível à vida em sociedade. Bebidas alcoólicas, bem como outras drogas, criam uma distorção na visão do que é certo e do que é errado, além de oferecerem um campo amplo aos obsessores. O resultado pode ser muito pior do que imaginamos.
Assim, a poção descoberta pelo Dr. Jekyll está ao nosso alcance a qualquer momento que desejarmos, e com uma grande vantagem: cabe a nós a escolha de liberar o médico ou o monstro encobertos por trás de nossa persona!

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