POLE POSITION

Atmosfera única

Por: Sérgio Magalhães | Editoria: esporte | 10/06/2018 | Visualizações: 2200

Gilles Villeneuve fez corrida heroica em 1981 por várias voltas sem enxergar quase nada com a asa da Ferrari avariada - Foto de Arquivo

Até quem assiste pela TV sente a agradável atmosfera que emana do GP do Canadá. É uma das corridas mais bacanas do calendário da Fórmula 1, cercada de boas histórias.
Ainda hoje é impossível não lembrar a incrível atuação do lendário piloto da casa, Gilles Villeneuve, que dá nome ao circuito encravado na Ilha de Notre-Dame, em Montreal, no GP de 1981 debaixo de chuva torrencial com o aerofólio dianteiro da Ferrari avariado de tal modo que cobria boa parte de sua visão, e terminar a prova em 3º andando no mesmo ritmo dos demais.
No ano seguinte em prova marcada pela morte do jovem italiano Riccardo Paletti, Nelson Piquet venceu com a Brabham empurrada pela BMW. Foi a primeira vitória de um motor turbo na Fórmula 1. Em 88, ano de domínio total da McLaren, a Fórmula 1 esperou cinco coridas para ver o primeiro confronto direto na pista entre Senna e Prost. E Senna ‘marcou território’ na equipe ao ultrapassar o francês e vencer a corrida.
Pilotos brasileiros venceram seis vezes no Canadá, uma com Emerson Fittipaldi, duas com Ayrton Senna e três com Nelson Piquet, a última delas em 1991 com a Benetton que virou um clássico da Fórmula 1 com a histórica barbeiragem de Nigel Mansell na última volta ao desacelerar de tal modo enquanto dava tchauzinho para as câmaras de TV, que o sistema hidráulico da Williams entrou em pane e o câmbio deixou de funcionar. Mansell teve que abandonar com mais de 50s de vantagem para Nelson Piquet que venceu pela última vez na Fórmula 1.
O Brasil vivia um período mágico nas pistas com a sexta vitória consecutiva – 3 de Piquet e 3 de Senna – entre outubro de 1990 e junho de 91.
Mas ninguém venceu tanto como Michel Schumacher no Canadá: 7 vezes, marca que pode ser igualada neste domingo por Lewis Hamilton que tem seis vitórias. Ano passado Hamilton viveu um momento emoção ao conquistar a 65ª pole position da carreira, igualando a marca do ídolo Ayrton Senna. Enquanto falava para o público, o inglês foi as lágrimas ao ser presenteado pela família Senna com uma replica do capacete de Ayrton. 
A Pirelli levou para o Canadá os mesmos tipos de pneus do GP de Mônaco, os supermacios (faixa vermelha), ultramacios (roxo) e os novos hipermacios (rosa). A Red Bull se deu muito bem com esses pneus nas ruas de Monte Carlo, mas lá a potência do motor não contava tanto como no Circuito Gilles Villeneuve onde os pilotos passam 70% da volta com o pé embaixo. E Daniel Ricciardo chegou ao Canadá sabendo que perderá posições no grid pela troca de componentes do motor que sofreu falta de potência em Mônaco onde só não abandonou a prova porque soube com precisão levar no braço um carro com 160 cavalos de potência a menos que a Ferrari de Vettel que terminou em 2º.
Este será o 49º GP do Canadá, o 39º em Montreal. Outras 8 provas foram disputadas em Mosport Park e duas em Mont-Tremblant entre os anos 1960/70. Fernando Alonso completa amanhã 300 GPs na Fórmula 1, mas apesar de a McLaren ser a equipe que mais venceu no Canadá (13 vezes), ainda está longe de voltar a vencer. Está nos planos da equipe correr também na Indy e não está descartada a possibilidade de Alonso encabeçar o projeto, abandonando a Fórmula 1 ao final desta temporada. 
Há uma estatística interessante para esta corrida: Enquanto Hamilton vai atrás da sétima vitória no Canadá, a Ferrari não vence a prova desde 2004.
Hamilton lidera o campeonato com 110 pontos contra 96 de Vettel e 72 de Ricciardo. A Mercedes é líder do Mundial de Construtores com 178 contra 156 da Ferrari e 107 da Red Bull.

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