SAÚDE ANIMAL

Raiva

Por: Rogério Calçado Martins | Editoria: saude | 07/07/2018 | Visualizações: 1604

- Foto de Reprodução

A raiva é uma doença viral severamente perigosa, de ocorrência mundial, transmitida entre todos os animais de sangue quente através da saliva contaminada. É ocasionada por um vírus que tem preferência pelas células do sistema nervoso.
Tanto no caso do homem como dos animais domésticos, a fonte normal é a mordedura desses animais contaminados com o vírus. Alguns animais, inclusive, podem eliminar o vírus da raiva por períodos prolongados na sua saliva sem evidências de sinais clínicos.
Uma vez transmitido, o vírus adentra um local do corpo com ferida e invade algum tecido nervoso periférico, migrando através desses nervos periféricos até atingir as células nervosas do cérebro (sistema nervoso central) e outros órgãos, como as glândulas salivares, por exemplo.
Uma vez exposto ao vírus e contaminado, o indivíduo entra no período de incubação da doença (período de adaptação do vírus ao organismo, sem sinais clínicos) que pode variar de 2 a 8 semanas pós-contágio. Após esse período, a raiva inicia seu curso clínico que é dividido em três fases: a Prodrômica (sintomas leves ou mesmos desapercebidos, como alteração sutil de comportamento, febre e alguns reflexos mais lentos), a Furiosa (sintomas nervosos mais proeminentes, como irritabilidade, inquietação, agressividade, podendo chegar à ataxia, desorientação e convulsões) e a Paralítica (sintomas nervosos graves, como paralisia progressiva dos membros, paralisia dos músculos da laringe, da faringe e mastigatórios, evoluindo para paralisia dos músculos respiratórios, ocasionando depressão, coma e morte).
O diagnóstico da raiva é feito através de exames laboratoriais do tecido do cérebro e do tecido salivar, verificando-se a presença do vírus ou de positividade para antígeno da raiva. 
Não existe tratamento específico. Geralmente, após o aparecimento dos sinais clássicos da doença, o indivíduo apresenta sinais progressivos que evoluem até a morte. O tratamento é de suporte à vida, tentando com que o paciente tenha qualidade para se restabelecer, o que normalmente não ocorre.
A prevenção é unanimidade entre a classe médica e veterinária: todos os animais domésticos devem ser rigorosamente vacinados e reforçados anualmente. Deve-se evitar a exposição dos animais de estimação domésticos aos animais silvestres, inclusive com projetos de controle da população de morcegos. Os profissionais que trabalham nas áreas veterinárias e zootécnicas devem ser submetidos à um eficiente esquema de imunização, com vacinação e controle de titulação de anticorpos específicos sanguíneos feito anualmente.
Se um ser humano for mordido por um animal ele deve seguir algumas recomendações:
*Confinar o animal para observação por um período mínimo de 10 dias. Esse confinamento não deve colocar o animal em contato nem com seres humanos nem com outros animais, e deve ser uma local à prova de fugas.
*Animais silvestres e animais de rua devem ter atenção redobrada. Caso algum desses animais mordam um ser humano, a vigilância sanitária deverá ser comunicada e esses animais serão retidos e examinados conforme protocolo padrão,.
*Se você for mordido, limpe muito bem os ferimentos com água e sabão, em abundância. Use no local produtos anti-sépticos tópicos que contenham Álcool a 70% ou Cloreto de Benzalcônio a 1 ou 4%, pois esses produtos matam o vírus da raiva. 
*O indivíduo mordido deve, então, procurar auxílio médico imediatamente. O médico é o único que poderá instaurar um protocolo terapêutico eficiente para seres humanos. 
Lembretes: 1). Para uma correta prevenção e uma eficiente vacinação anti-rábica em animais, somente o médico-veterinário deve ser acionado. Para seres humanos somente o médico.   
2). Notifique imediatamente as autoridades do departamento de saúde pública local (Vigilância Sanitária) quando ocorrer mordedura de animal em um ser humano ou sempre que houver a possibilidade de contato com um animal raivoso, como, por exemplo, animais silvestres e morcegos.
*ROGÉRIO CALÇADO MARTINS – médico-veterinário – CRMV/MG 5492
*Especialista em Clínica e Cirurgia Geral de Pequenos Animais (Pós-graduação “lato sensu”)
*Membro da ANCLIVEPA (Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais)
*Consultor Técnico do Site  www.saude animal.com.br
*Proprietário da Clínica Veterinária VETERICÃO (São Sebastião do Paraíso/MG)

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