TRANSTORNOS

Falta de médicos legistas continua causando transtornos na região

Solução seria convênio, mas prefeito diz que devido a período eleitoral isso pode não acontecer tão cedo

Por: João Oliveira | Editoria: saude | 10/07/2018 | Visualizações: 322

- Foto de Reprodução

A necessidade de um Instituto Médico Legal para São Sebastião do Paraíso é um pleito que há anos vem sendo discutido no município tendo em vista que a cidade abriga a 4.ª Delegacia Região da Polícia Civil e que o cidadão paraisense e da região, não raro, tem enfrentado problemas para ter o corpo de seus familiares falecidos liberados para serem sepultados. Esta semana, outra família enfrentou o mesmo problema devido falta de médico legista em Passos para fazer a necropsia.
As necropsias de pessoas falecidas em São Sebastião do Paraíso e cidades na área de abrangência da 4.ª DRPC, como São Tomás de Aquino, de praxe, são feitas no Instituto Médico Legal (IML) de Passos, no entanto há casos em que é preciso esperar mais de 15 horas pela liberação de um corpo, como ocorrido no final de 2017 quando o enterro de uma pessoa falecida no município teve que ser adiado porque o corpo não havia sido liberado pelo legista que enfrentou problemas durante sua chegada a Passos. 
O caso mais recente envolveu uma família de São Tomás de Aquino. Uma idosa que faleceu em decorrência de agressão do marido (matéria nesta edição), teve que pagar para que o corpo pudesse ser levado à Formiga, a 207 quilômetros de São Sebastião do Paraíso, para passar pelo procedimento necessário para a liberação do corpo aos familiares. Segundo apurado pela reportagem, isto aconteceu porque em Passos um legista estava de férias e o outro, devido ao regime de plantão, estaria de folga.
De acordo com o prefeito Walker Américo de Oliveira, a única forma de poder trazer uma solução viável ao município seria um convênio entre município e Estado, uma vez que o serviço em questão seria muito caro e a Prefeitura não teria condições de arcar com tal custo. No entanto, dado o período eleitoral, Walkinho resalta que por enquanto isto seria inviável, mas que passado esse período é possível voltar novamente a fazer novo pleito e conseguir esse serviço que há tempos vem sendo pedido pela população. 
O serviço de necropsia chegou a ser feito no município paraisense por algum período, fruto de convênio entre município e estado, mas foi suspenso após 2010 com a mudança de governo.
“Infelizmente é dever do Estado, não podemos contratar este serviço, pois foge à competência do município, o que poderia ocorrer seria convênio com o Estado, já que o custo do serviço é muito alto. Porém, o Estado não está pagando nem o que deve constitucionalmente. Vamos continuar cobrando para que ele cumpra com seu dever em prol dos cidadãos, em especial no que se diz respeito aos serviços de médicos legistas”, completa o prefeito.
O presidente da Câmara Municipal, Marcelo de Morais, também vem há tempos cobrando do Estado e município solução para o problema. No início deste ano ele foi a Poços de Caldas, onde se reuniu com o chefe do Departamento da Polícia Civil, Bráulio Stivanin Júnior, e solicitou que a instituição se sensibilizasse com o problema enfrentado pela da 4.ª Delegacia Regional de Polícia Civil, entre eles falta de efetivo. Marcelo também chegou a mencionar a necessidade de um IML para Paraíso, mas Stivanin Júnior havia dito que faria cobranças junto ao Estado, porém sem sucesso.
“Tenho cobrado isso há anos e nem resposta tenho obtido. Recorrer sobre o assunto a alguém é como fazer uma visita a uma autoridade que está correndo risco de vida com número máximo de segurança ao redor dele, ou seja, impossível algum resultado. Enquanto isso as pessoas sofrem e ninguém faz nada”, critica o vereador.
Marcelo disse que chegou a conversar com um médico legista sobre o assunto, tendo o médico apresentado a ele o custo do serviço caso fosse aplicado em Paraíso. “Posso garantir que o custo é menor do que se é gasto com time de futebol, mesmo sendo obrigação do Estado. É necessário as autoridades (e me coloco nessa situação) se coloquem no lugar da família que sofre com essa necessidade, para sentir na pele aquilo que a falta deste serviço proporciona de dor a familiares em um momento em que mais se precisa e todos somem”, completa o vereador.

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