CRÔNICA - Joel Cintra Borges

Onde mora a felicidade?

Por: Joel Cintra Borges | Editoria: cultura | 05/08/2018 | Visualizações: 1596

Joel Cintra Borges - Foto de Reprodução

Conta-se que um dia os deuses reuniram-se no Olimpo para estudarem um jeito de esconder dos homens a felicidade, porque tinham medo de que, sendo felizes, os seres humanos se igualassem a eles. Pensaram em diversos lugares, desde o cume das montanhas até os fundos abismos dos oceanos. Mas, sempre havia a possibilidade de que um dia eles chegassem lá. Até que alguém deu a ideia de escondê-la em um lugar que os homens nunca imaginariam: dentro deles mesmos!
Na mesma mitologia grega há uma figura singular, um bandido que se chamava Procusto, cujo leito ficou famoso porque ele queria que as pessoas coubessem nele de forma exata. Assim, os altos tinham pernas decepadas e os baixos eram esticados pelas extremidades.
Se bem pensarmos, todos nós temos um pouco do temperamento de Procusto, no sentido de querer moldar as pessoas, ou de querer que elas dêem o que não podem dar. É incoerente perguntar a uma rosa amarela por que ela não é vermelha!
É importante aceitar a unicidade de cada um, lembrando que não existem duas flores idênticas. Mesmo que se assemelhem muito, as diferenças aparecerão com o passar dos dias. E, se bem pensarmos, é isso que torna o mundo interessante. Não seria uma monotonia enorme se todas as rosas fossem amarelas? Se todas as pessoas pensassem como nós?
A lição do bambu é utilizada algumas vezes pelos professores da luta japonesa chamada Judô, pelo fato dele ser flexível. A ventania vem, derruba grandes árvores, mas não o bambu, que se dobra, aparentemente fazendo a vontade do vento, para depois voltar à sua posição original. Viver bem exige flexibilidade, porque somos todos imperfeitos, falimos. A flexibilidade é como um acordo tácito: perdôo suas falhas e você perdoa as minhas, assim viveremos bem. 
Também é importante lembrar que a vida não tem regras, a não ser que o nosso direito termina onde começa o dos outros. Assim, temos que abrir nossa picada, pavimentar a estrada que iremos seguir, a qual pode ser completamente diferente da de nosso vizinho, porque somos pessoas diversas.
Só existe uma pessoa que vai viver com você pelos séculos afora, aqui ou em qualquer outro mundo, em qualquer lugar, e essa pessoa é você mesmo. Por isso, ame-se, respeite-se, perdoe-se, procure compreender-se. Porque viver bem consigo mesmo é o primeiro degrau para a tão sonhada felicidade...

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