ELY VIEITEZ LISBOA

Os Galardões

Por: Ely VIeitez Lisboa | Editoria: cultura | 04/08/2018 | Visualizações: 1191

- Foto de Reprodução

Escolher uma profissão, quando se é jovem, não é tarefa fácil, ainda mais hoje, quando as opções se multiplicaram. Cada vez mais há jovens indecisos, outros que começam uma  Faculdade diferente várias vezes e não se realizam. Se a escolha for baseada no possível lucro, facilidade de emprego ou status importante, a possibilidade de erro é maior.
Sabe-se que ser professor, hoje, por razões várias, principalmente pelos baixos salários, é uma profissão cada vez menos procurada. Faltam professores de várias disciplinas e, influenciados pelos pais e amigos, até mesmo por escolas do Ensino Médio e Cursinhos, que praticamente fazem uma espécie de lavagem cerebral nos alunos,  há uma verdadeira obsessão por cursos de Medicina e outros que, em princípio, propiciam boa remuneração e fama. 
Uma opção profissional, sem vocação, é um desastre. Anos depois da escolha, há profissionais até bons, mas em grande parte, infelizes. Talvez se possa achar minha afirmação muito pessoal, ingênua e antiga. Na realidade, considero-me uma pessoa privilegiada, pois desde muito cedo tive a certeza de que eu só poderia ser professora e acreditava piamente que teria a oportunidade de fazer algo importante para meus alunos, para suas vidas futuras. 
Lecionei durante cinquenta e quatro anos, o que não me trouxe riqueza, mas muita felicidade. Posso narrar dezenas de relatos lindos e comoventes, que aconteceram, recentemente. Estava eu diante do Pálace, quando um moço simpático veio ao meu encontro e beijou-me a face. Perguntei a ele a razão desse gesto lírico e ele me disse, com ternura: Fui seu aluno, a senhora me fez médico. Eu não gostava de ler e fui estimulado por suas ideias, na procura de um grande ideal. 
Outro episódio inesquecível. Eu dava uma palestra, quando me entregaram uma carta de amor. De quem, perguntei? Mostraram-me uma linda jovem, fardada, ex-aluna, que me saudou com uma continência e mandou-me um beijo... Dezenas de episódios como estes fazem-me acreditar que valeu a pena lecionar tantos anos. Gostaria de ser jovem, para recomeçar tudo de novo. E como professora, evidentemente. Perdoem-me o desabafo, talvez meio ingênuo, mas real e sincero.


Vieitez Lisboa é escritora.
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