ERICA APARECIDA PASCHOINI

Uma vida construída com amor, carinho, confiança e respeito pela família e profissão

Por: João Oliveira | Editoria: entretenimento | 10/04/2017 | Visualizações: 840

“Se as pessoas não se valorizarem e não acreditarem em si mesmas, ninguém mais vai acreditar” - Foto de Wandy Borges

A técnica agrícola e terapeuta ocupacional Erica Aparecida Paschoini, completou recentemente 37 anos de puro amor pela vida, pela família, pelo trabalho e profissão. Filha do motorista Alécio Paschoini e da enfermeira Cleusa Cezarini Paschoini, irmã do locutor de rodeio Alex Paschoini, nasceu em Ribeirão Preto em 23 de fevereiro de 1980. Érica tem uma presença contagiante e como ela mesma se define, é muito intensa em suas relações. Ela é casada com o comerciante Paulo Garça e tem um enteado, o Paulo Henrique, e dois sobrinhos, a Laura e o Matheus, os quais diz que daria sua vida sem titubear. Erica é um exemplo de como a valorização da família é fundamental para a construção do ser humano e é emocionada que ela conta um pouco da sua história.


Jornal do Sudoeste: Como foi sua infância em Paraíso?
Erica Aparecida Paschoini: Minha infância foi muito boa. Eu peguei uma época em que nos finais de tarde os pais se sentavam à porta de casa para conversar e as crianças brincavam. Eu lembro nitidamente disto, dos nossos pais muito próximos e muita gente brincando na rua, é uma lembrança muito marcante da minha infância. Eu morava perto do Pronto Socorro, quando a Geraldo Marcolini ainda era mão dupla, e tinha muitas meninas mais ou menos da minha idade e nós brincávamos muito. Sempre tive muitas amizades. Eu acredito que ninguém vive sozinho, estar com o outro é sempre uma troca continua - desde a criança até o idoso. Eu gosto de conviver com pessoas e gosto de estar com elas. 
J. S. – Existe alguma influência para isso?
E. A. P. – Isso vem um pouco da minha profissão, eu sou terapeuta ocupacional e amo meu trabalho. Eu também trabalho na área de gestão e atualmente faço MBA voltado para esta qualificação porque até então eu tinha somente a prática. Eu trabalhei no Senac e Sanai, então eu tenho esse conhecimento, mas não tinha formação específica. Hoje eu faço MBA executiva em gestão de pessoas e recurso humanos. Só que a minha profissão me ajuda muito nessa área porque eu lido com pessoas o tempo todo.
J. S. – Como foi sua formação acadêmica?
E. A. P. – Eu estudei a vida toda no Colégio Paula Frassi-netti e tenho muito orgulho disso. Lógico que os pais dão todo o suporte e educação para os filhos, mas no Colégio, mesmo com a parte religiosa sendo muito forte, a disciplina, organização, o respeito que aprendemos, eu tenho muito orgulho de ter feito parte dessa história. Eu tive professores que legaram lições que aprendi e levo para a vida toda. Eu tive aula com a Silmara, professora de Educação Física que era muito próxima dos alunos, tive aula com a dona Edyna Maldi Borges e a Bia. São professores que realmente nos formaram como pessoas e que nós nos espe-lhávamos muito. Os professores sempre estavam muito próximos dos alunos, preocupados e eram muito observadores; e eu não era uma aluna muito fácil (risos) porque quando eu era criança eu era muito encrenqueira, mas eu melhorei muito. Eu tinha um gênio muito forte, de querer me impor e de querer falar o que eu pensava e, às vezes, em um colégio, não era bem isso que eles esperavam. Eu sempre fui uma boa aluna, sempre tirei boas notas, mas eu era muito geniosa. Eu costumo dizer que eu melhorei muito com a minha profissão, mas eu fui uma adolescente que me impunha.
J. S. – E o seu convívio com a família?
E. A. P. – Com a minha família é uma relação de muito carinho, de muito amor e respeito. Nós somos todos descendentes de italianos, e daqueles de falar alto, de abraçar, de beijar e de falar que ama; quando eu ligo para a minha mãe, para meu irmão ou para meu pai no meio do dia eu me despeço pedindo benção e dizendo que os amo, porque a gente tem muito disso de dizer o que sente, de pegar, abraçar. E nós somos assim em casa. Eu também tive uma adolescência maravilhosa porque meus pais sempre foram muito abertos. Eles sempre nos mostraram os caminhos, nos dando autonomia para escolher qual seguir. A minha turma de amigas, sempre que chegava em casa contava tudo para minha mãe e a gente brincava que ela era a psicóloga da turma, isso porque, às vezes, as mães das minhas amigas não tinham essa abertura para elas falarem e a minha mãe sempre queria saber de tudo para poder orientar. Então, a gente sempre contava tudo em casa. Sempre foi uma relação muito aberta e eu tenho muito orgulho disso. Eu nunca recebi um não sem saber o motivo. Eles sempre justificam o porquê.
J. S. – Seu irmão é conhecido, narrador de rodeio. E com ele, como era a relação?
E. A. P. – O meu irmão é seis anos mais velho. Eu tive uma adolescência que eu ia todo o final de semana para o rodeio com ele. Era uma companhia muito bacana. Nós sempre fomos muito unidos e muito de conversar e de trocar opinião. Fomos criados dessa forma e toda vez que vamos tomar uma decisão, independentemente de eu e meu irmão já sermos casados, nós sempre conversamos em família. Apesar de eu estar construindo uma família e o meu irmão ter construído a dele, nós sempre pedimos a opinião dos nossos pais e eles também, sempre que vão tomar uma decisão onversam com a gente.
J. S. – E as boas lembranças?
E. A. P. – Eu tenho lembranças maravilhosas, principalmente da família do meu pai. Sempre estivemos muito presentes na casa dos nossos avós paternos. Meu pai perdeu nossos avós e a única irmã que ele tinha em menos de dois anos. Eram quatro homens e uma mulher. Eu estava entrando na pré-adolescência e isso foi um momento muito difícil para nós. Isso porque tudo o que a gente fazia, era na casa dos nossos avós paternos. Eu tenho lembranças maravilhosas de natal e páscoa dessa época, quando nos reuníamos. O meu tio, irmão mais velho do meu pai, também ficou doente, mas sempre prometia que iria ao meu casamento e foi, ficou até tarde. E pouco tempo depois ele faleceu. Mas eu tenho uma foto linda dele no meu álbum, uma lembrança de que ele pôde estar presente no meu casamento.
J. S. – Você se emociona com essas recordações...
E. A. P. – Eu e meu pai somos muito coração; minha mãe e meu irmão já são mais razão... e algumas datas são muito difíceis para nós porque a gente estava com eles. Nós temos muita saudade. Eu tinha uma tia que também já faleceu, ela era minha madrinha – tia do meu pai – e sempre foi muito estudiosa; ela dava aula em uma escola em São Paulo e me falava que iria me levar para morar com ela porque eu gostava muito de estudar também, mas ela não me viu formar. No dia da minha formatura da graduação eu tive que fazer a maquiagem umas três vezes porque toda vez que eu me lembrava dela eu chorava.
J. S. – Fale sobre sua formação escolar.
E. A. P. – Fiz dois cursos técnicos, mas antes disso cursei magistério em paralelo com o ensino médio. Isso entre 1995 e 1997. Na minha época eu fazia o colegial durante o dia e o magistério à noite. Eram três anos e era bem aprofundado. Costumo dizer que o magistério que fiz é a pedagogia de hoje. Essa foi minha primeira formação. Depois disso fiquei em conflito comigo mesma porque eu queria estudar psicologia, jornalismo, agronomia. E então resolvi prestar o vestibular em Muzambinho, na época era a Escola Agrotécnica Federal de Muzambinho; mas nesse intervalo eu fiz cursinho e prestei Ufuscar, Unesp, UFMG e não entrei em psicologia por questão de décimos. Nesse intervalo eu já havia prestado o vestibular em Muzambinho e quando liguei para saber o resultado fui informada que eu tinha passado em terceiro lugar.
J. S. – Como foi mudar-se para Escola?
E. A. P. – Era uma Federal também muito concorrida e a minha turma foi a primeira pós-médio – de quem tinha o ensino médio e ia para lá apenas fazer o técnico. Eu passei em terceiro lugar em Técnico em Agropecuária, e em agropecuária nós estudávamos zootecnia e fui realizar esse curso. Eu sofri demais. Chorei três meses lá e minha mãe aqui. A minha mãe sempre foi aquela mãezona de fazer tudo por mim e pelo meu irmão. Eu digo que eu virei gente, de resolver as coisas, naquela fase, porque minha mãe sempre foi de fazer tudo por nós. 
J. S. – Depois de formada, você chegou a trabalhar na área?
E. A. P. – Sim, eu me formei em agosto de 2000. Depois disso eu trabalhei na Bayer, na Syngenta, trabalhei com medicamentos veterinários e também com outras grandes empresas. Mas quando você se forma e vai para o campo o salário é excelente, mas não compensa o que você passa. Na minha época, nós, mulheres, éramos muito excluídas. Quando trabalhei da Bayer e eles me mandavam para regular uma plantadeira, por exemplo, isso era questionado pelo fato de eu ser mulher. E por mais que você se dê o respeito, as pessoas acham que podem te assediar, mas eu sempre tive um jogo de cintura muito grande. Acho que o pior de tudo isso e ver que as pessoas não acreditavam no meu profissionalismo, e isso eu passei muito.
J. S. – E foi isso que a motivou buscar novos caminhos?
E. A. P. – Sim, foi aí que eu optei em resgatar aqueles cursos que eu havia prestado quando conclui o ensino médio. E eu soube que havia Terapia Ocupacional (T.O.) em Batatais. Então dava para eu trabalhar o dia todo e ir para a faculdade e eu me preocupei muito com isso. Os meus pais sempre falavam que a gente tinha que ter nossa independência, que não devíamos gastar mais do que ganhávamos. E eu sou muito chata nesse ponto e muito controlada nesse sentido. Acredito que para conquistar alguma coisa precisamos disso e nós aprendemos a ser organizados com o meu pai e com a minha mãe. Em 2004 comecei a fazer T.O., e era muito engraçado porque as pessoas da minha turma não entendiam o que eu estava fazendo ali, por eu trabalhar na área agrícola. E foi essa correria até 2006, quando abandonei a área agrícola e fui ser estagiaria no INSS de Paraíso. Depois saí de lá para poder fazer meus estágios em Batatais, e meus pais foram essenciais nessa fase porque além de todo o suporte que eles me deram eles também me deram apoio financeiro. Minha formatura foi em agosto de 2008.
J. S. – E você gosta do que faz?
E. A. P. – Eu amo minha profissão, mas hoje eu não consigo viver somente dela porque eu optei por atender somente em casa. A terapia ocupacional é uma profissão muito antiga e que poucas pessoas conhecem. Esse profissional é aquele responsável por reestruturar o cotidiano de uma pessoa que sofreu algum tipo de ruptura, que pode ser física, emocional, social ou psicológica. O que diferencia o T.O. de outros profissionais como fisioterapeutas, psicólogos, entre outras, é que o T.O. olha o paciente como um todo, não é somente o ‘problema’, mas todos os reflexos daquilo na vida do indivíduo. É uma profissão encantadora e ainda muito desconhecida.
J. S. – Como você e seu marido se conheceram?
E. A. P. – Eu me casei com o Paulo em 2014. Eu o conheço desde a adolescência, mas ele viveu a vida dele, casou, teve um filho, e eu vivi a minha. Após terminarmos nossos relacionamentos, 13 anos depois nós nos reencontramos e nunca mais ficamos um dia sem nos encontrarmos. Namoramos três anos e depois de quatro nos casamos, isso em foi em 13 de junho, em uma sexta-feira, mas apesar disse era dia de Santo Antônio. O casamento era para ter acontecido no dia 12, mas era abertura da Copa do Mundo, então adiamos para o dia seguinte. Nós somos muito diferentes, mas nós nos respeitamos demais nessas diferenças. Eu sou muito “220” e ele é o contrário, e é isso que me encanta nele. Temos uma relação muito bacana.
J. S. – Você também já trabalhou na Sedeagro?
E. A. P. – Sim. Antes disso eu trabalhei no Senai e tinha muito contato com o doutor Ailton Sillos, que foi um dos responsáveis pela implantação do sistema “S” aqui em Paraíso. Mas eu queria mudar de ares e como ele tinha meu currículo, me indicou para o até então secretário de Agricultura da época, Mauro Westin, que precisava de alguém para trabalhar na área de elaboração de eventos, difusão tecnológi-ca e treinamentos da Sedea-gro. Eu saí do Senai e fui trabalhar na equipe do Mauro. Nós fizemos um trabalho muito bacana e tenho muito orgulho de tudo o que fizemos juntos. Isso foi de 2013 a 2015, depois disso, quando o Mauro deixou o cargo de secretário eu também entreguei o meu. A equipe da Sedeagro era maravilhosa, cada um tinha o seu papel, mas nós funcionávamos juntos. O Mauro nos dava liberdade para trabalhar e eu aprendi muito com ele e com a família dele, o que vivemos juntos em três anos, eu posso dizer que eu cresci 30 anos.
J. S. – Foi após isto que você começou na Acissp?
E. A. P. – Sim, eu fiquei um tempo somente com minha profissão, mas o doutor Ailton logo após eu ter entregado meu cargo disse que precisaria de alguém com o meu perfil e eu concordei, dizendo que assim que ele precisasse era só me chamar, e foi o que aconteceu em setembro do ano passado. No momento estou realizando um trabalho de assessoria da presidência. Estou aprendendo muito com ele e com toda a equipe. Atualmente estamos trabalhando para a implantação de um projeto chamado ‘Empreender’ e ele (Ailton Sillos) está muito empolgado. O doutor Ailton é uma pessoa muito ativa, muito dinâmica e estou aprendendo muito com ele, inclusive a ser calma. Ele é muito pé no chão, só faz algo se ele tiver certeza que vai funcionar e que isso vai ser bom para o município.
J. S. – Você se sente uma pessoa realizada?
E. A. P. – Sim. Porque eu acredito no que eu faço. Eu tenho uma autoestima muito boa e eu adoro chegar em casa e perceber como o meu dia foi produtivo. Eu tenho certeza e acredito que se as pessoas não se valorizarem e não acreditarem em si mesmas, ninguém mais vai acreditar. Isso é muito bacana na minha vida. Quando eu me proponho a fazer algo eu procuro fazer bem feito. Eu acredito que eu sou uma boa filha, uma boa esposa e uma boa tia. Eu ainda não sou mãe, mas o amor que eu tenho pelos meus sobrinhos, a Laura e o Matheus, e pelo meu enteado, o Paulo Hen-rique, eu daria a minha vida por eles. Eu sou muito presente na vida das pessoas que estão ao meu redor. Eu tenho ao meu lado amizades de 20, de 30 anos e são aquelas pessoas que estiveram comigo a vida toda e que eu quero sempre estar ao lado delas.  Eu sou muito intensa, eu trabalho muito, eu gosto muito, estou sempre com as pessoas que eu gosto e eu acho isso muito importante. A gente não vive sozinho, ninguém é autossufi-ciente, nós precisamos do outro e para isso a gente precisa confiar.

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