DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

Sta.Casa: órgãos de doador de Paraíso beneficiam 6 pacientes

Foram doados os rins, fígado, córneas, e o coração que pela 1.ª vez é retirado de doador na Sta.Casa.

Por: João Oliveira | Editoria: saude | 12/04/2017 | Visualizações: 11195

- Foto de Nelson de Paula Duarte/Jornal do Sudoeste

Os órgãos de um rapaz de 21 anos, que teve morte cerebral declarada nesta segunda-feira (10/4), e estava internado na Santa Casa de Misericórdia de São Sebastião do Paraíso após sofrer um acidente grave de motocicleta, foram doados pela família. A captação dos órgãos foi realizada por três equipes. Uma do Espírito Santo, e as demais de Alfenas e Itajubá, do Sul mineiro. Foram doados os rins, fígado, córneas, e pela primeira vez houve a retirada do coração de um doador na Santa Casa paraisense.
O diretor clínico, cardiologista Flávio Vilela Diogo, explicou que essa doação só foi possível graças à qualidade de atendimento e estrutura do Hospital do Coração de São Sebastião do Paraíso, que há três anos está inserido na rede de transplantes de órgãos. Disse que a captação faz parte do protocolo que o Hospital do Coração de São Sebastião do Paraíso está inserido. É uma rede estadual e, no caso do coração, nacional.
“Os pacientes que têm condições de entrar nesse protocolo e são definidos pra isso, que são aqueles que têm morte cerebral e é um quadro irreversível, as famílias primeiramente são consultadas para que esse paciente possa ser inserido nesse programa de doação. Quando isso acontece nós acionamos a MG Transplantes de Belo Horizonte, que envia as equipes para providenciarem a captação no nosso hospital regional”, elucida.
Conforme o médico já houve outras doações realizadas no município. “Tem aumentado a frequência devido à qualidade de atendimento do Hospital, e veio a coincidir com a implantação do Hospital do Coração em São Sebastião do Paraíso, que devido a sua estrutura permitiu que pudéssemos ser inseridos nessa rede estadual e nacional de transplantes de órgãos”, completou.
A primeira equipe a chegar veio do Hospital Evangélico de Vila Velha, no Estado do Espírito Santo, para realizar a captação do coração que foi transplantado em uma jovem senhora de 25 anos. Eles desembarcaram no Aeroporto Joaquim Montans Jr por volta das 9h e aguardaram as demais equipes para que pudesse ser iniciado o procedimento. 
“Quando retiramos um órgão, no caso o coração, os demais órgãos começam a parar, então essa retirada deve ser feita em conjunto. Depois de todos prontos, ou seja, para que a extração tenha que ser feita no menor tempo possível, se começa a retirada. O procedimento é iniciado pelo coração, e partir daí retirados os demais órgãos a serem doados. Em relação ao coração, nós temos um tempo hábil para que ele seja transplantado, que é em torno de 4 horas.  Enquanto nós estamos aqui, o paciente que está em nosso hospital em Vila Velha, já está sendo preparado para que dê apenas o tempo de chegarmos e realizarmos a cirurgia”, explica. 
O médico conta que a receptora do coração, uma mulher de 25 anos, já passou por cirurgia cardíaca, teve falência dos rins e cardíaca e se recuperou, e é uma paciente em estado bastante delicado.
Além da equipe do Hospital Evangélico de Vila Velha (ES), vieram outras duas equipes, umas delas do Hospital Escola de Itajubá (MG), que realizou a captação dos rins, que devem ser destinados a pacientes na lista de espera para Itajubá, e do fígado, levado em aeronave da Força Aérea Brasileira que aguardava no Aeroporto Joaquim Montans Jr, para o Rio de Janeiro. 
A equipe do Hospital Universitário Alzira Velano, de Alfenas (MG), procedeu a retirada das córneas, e deve fazer a armazenagem para destinar a pacientes na lista de transplantes.

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