JUSTIÇA

JUSTIÇA

Por: Renato Zupo | Editoria: justica | 01/05/2017 | Visualizações: 104

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NELSON RODRIGUES, GÊNIO DA RAÇA
Disseram que Nelson Rodrigues, nosso maior dramaturgo de todos os tempos, era de direita e reacionário, isso porque não apoiava os intelectuais contra a ditadura lá pelos idos do governo militar. Nelson, tão peculiar e culto que mesmo os mais burros e ignorantes se sentem constrangidos em criticá-lo (e olha que burro não costuma ter consciência), confirmou que era, sim, reacionário. E afirmou o motivo em um texto lindo, moderno, atemporal. Confiram:
"Eu sou reacionário porque sou pela liberdade. O não reacionário é o comunista que não tem liberdade nem para fazer greve. O socialista ortodoxo teve que engolir a castração imposta pela União Soviética e vem me falar em liberdade? 
Sou, sou um reacionário. Reacionário é aquele que quer liberdade, quer o pão e se recusa a admitir que o Estado tome conta de seus filhos, faça eles de palhaços. Pela primeira vez os palhaços tomam conta da história, desde que os homens comiam paralelepípedos.
Sou anticomunista desde os onze anos. E assumo minhas posições, mesmo quando, hoje, o intelectual virou esquerda porque essa é uma maneira de o sujeito ser inteligente, de ser atual, de ser moderno e, principalmente, de se banhar na própria vaidade.
Agora não sou realmente e somente um reacionário, mas um retrógrado. Sou um obsoleto, um carcomido, porque coloco a questão da liberdade antes do problema do pão. Num momento em que a liberdade é um fato de suma importância, em que um homem revela mais do que nunca sua vocação de escravo.
A nossa época inaugurou um tipo novo de escravo, este escravo que o nosso tempo descobriu e fabricou, feliz e eufórico, que dá a vida para ser realmente escravo, para não pensar. O sujeito paga para não pensar, morre para não pensar no capitalismo.
Primeiro a liberdade. A liberdade é muito mais importante que desenvolvimento, muito mais importante que pão. Só o homem livre merece o pão, ou antes, não é só o homem livre não, quem não merece o pão é o escravo consentido. O homem pode ser escravo, mas se espernear merece o pão. Agora, o escravo consentido, que morre para impor, para implantar sua escravidão, este não merece pão. 
Sou um brasileiro feroz. Só me preocupo com minha terra. Nunca vi os esquerdistas incluindo, pelo menos no fundo do galinheiro, o nome do Brasil. Magé é mais importante que o Vietnã. O único tema que me apaixona é a solidão do Brasil. As esquerdas nunca pensaram em ocupar um metro quadrado dessa Sibéria florestal. Elas não saem, nem amarradas, do Leblon, de Copacabana, de Ipanema. 
Ninguém pode me chamar justamente de homem de direita quando a pior, a mais bestial, a mais brutal, a mais ignóbil direita do mundo é a Rússia. Os russos pegam os intelectuais dissidentes e os atiram nos hospícios e eu é que sou direitista? Ora, isso é uma das maiores piadas do mundo. É nos países socialistas que há anti-homem, a negação do homem. A revolução russa começou como a negação de si mesma, como a antirrevolução.  Reacionarismo bruto é o das esquerdas. Desempenham o papel do nazismo vermelho. A melhor maneira de não ser canalha é ser reacionário."  (Nelson Rodrigues por Ele Mesmo, organização de Sônia Rodrigues, Nova Fronteira, p. 151-152).
Atual ou não? Nelson vai além, eu é que cortei uma parte do texto para ficar mais palatável. Diz, por exemplo, que não vê pobre em passeata da esquerda, só indivíduo plantado e pago, e intelectuais interessadíssimos em mostrar erudição. Isso nos anos 1960-1970. E não mudou de idéia mesmo quando seu filho e homônimo foi preso e durante o regime militar. Ia visitá-lo quando os generais deixavam e continuou dizendo que era uma inominável besteira a negação do capitalismo, o único sistema econômico do mundo que funcionou depois que os fenícios inventaram o escambo e os judeus, os juros.
Grande Nelson, gênio da raça, olhai por nós lá do céu. Precisamos mais do que nunca.
RENATO ZUPO, JUIZ DE DIREITO E ESCRITOR


 

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