ELY VIEITEZ LISBOA

À procura do Tempo Perdido

Por: Ely VIeitez Lisboa | Editoria: cultura | 08/05/2017 | Visualizações: 265

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O título não é o  livro famoso de Marcel Proust, À La Recherche du Temps Perdu, quando ele, ao comer uma madeleine,  bolacha francesa, fez uma volta ao passado, que acabou em uma reflexão sobre a literatura. A obra, em sete volumes, foi escrita em 1908 e publicada só em 1929.
Um vezo comum, hoje, de grandes escritores maduros, na velhice, escrever textos sobre sua adolescência, a mocidade. O tema central deste artigo é  também comentar um sentimento bizarro de se ter saudade. Insólito e muito raro, são os jovens confessarem certo tédio diante do hábito de ficar com muitas meninas, da banalização do beijo, que é dado como brincadeira, nas festas, da ausência total do lirismo, do romantismo.
Alguns, mais sensíveis, chegam a dizer que talvez a época de seus pais, de seus avós, que acreditavam no amor, na paixão, era mais bela. Hoje, tudo é muito comum e insosso. Alguns, todavia, nunca pensaram nisto, ou têm uma consciência tão elástica, tão moldada pelos chamados tempos modernos, que chegam a confessar uma total ignorância ou até certa ingenuidade hilária. Lembro-me da meninazinha de dez anos, perguntando-me: A senhora sabe muitas coisas sobre sexo? Eu sei tudo... Jamais me esquecerei do aluno inteligente, bonito como um príncipe, que estava triste porque não encontrava menina séria para namorar. Eu então mencionei uma garota linda, do seu grupo. Ele disse, com sarcasmo: Pergunte com quem ela ainda não dormiu, na nossa cidade...  
Certos psicólogos afirmam que o mundo não está pior, nem melhor, mas diferente. São outros enfoques, uma cosmovisão nova. Sim, mas e os resultados, as consequências, o aumento da gravidez precoce, das drogas, da Aids, entre os jovens, as famílias desestruturadas, a péssima qualidade do ensino, a violência na Escola? É apenas um modus vivendi atual?
Geralmente, quando se tenta abordar causas de problemas tão complexos, mencionam-se as consequências e jamais as soluções. Ou então, discute-se tudo pela rama. Como são problemáticas globalizadas, já se pensou em um Congresso Internacional de Educadores, de Sociólogos e Psicólogos, à procura de soluções mais concretas, ou ao menos, possíveis? Enquanto isto debate-se sobre problemas de importância ínfima, como se deve ou não dar um tapa na bunda das crianças, quando elas são mal educadas, ou não querem obedecer.
No mundo moderno, a maldade humana perdeu os imites. Maltratam os animais, grassa a pedofilia, aumentam os roubos, os assassinatos, até mãe e pais matam os filhos ou vice-versa. O estupro é uma praga maldita que viceja no mundo todo. O tráfico e o trágico uso de drogas crescem sempre.  Realmente, não haverá soluções para, ao menos minimizar tanta desgraça?
Esperar pela justiça divina é muito cômodo. Rezar apenas é duvidoso. Se nós fizemos do mundo este circo de horrores, somos responsáveis e temos a obrigação de procurar caminhos, saídas. Onde está a eficácia e a veracidade da propalada racionalidade humana? Ela é apenas um mito, uma ficção?
(*) Ely Vieitez Lisboa é escritora


E-mail: elyvieitez@uol.com.br


 

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