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Monólogo

Academia Paraisense de Cultura

Por: Redação | Editoria: cultura | 12/05/2017 | Visualizações: 153

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Hoje mamãe, trago-te flores,
rosas vermelhas, lavas incandescentes
do vulcão desperto em chamas,
dentro de mim...
e nesse rio chamejante,
meu pranto arrebenta num turbilhão de lágrimas,
regando de saudades o pedaço de chão onde dormes,
teu último sono!
Faz tempo mamãe,
há tanto tempo não conversamos,
- conversa legal –
conversa de mãe –
- conversa de amiga.
Eu me estirava no sofá,
e ajeitava a cabeça no teu colo macio,
e ali, desfiava o meu dia,
momentos de criança feliz.
E longos dedos,
meus cabelos acariciavam...
- era bom, muito bom –
como se uma proteção invisível
no ar pairasse,
n’um elo que a inocência infantil,
julgava inquebrável...
...E desfiaram-se horas
na ampulheta implacável do tempo...
Faz tempo mamãe
Tanto tempo que não conversamos,
Uma conversa “legal”
“conversa de amiga”.
Hoje naquele sofá – só lembranças...
da antiga ternura – só lembranças
das mãos acariciantes – só lembranças
o diálogo se tornou monólogo.
O que foi feito de nossas frases,
das idéias conjuntas,
e dos pedaços de sonhos?...
...o instante aqui me conduziu.
O ontem se faz hoje,
hoje é o momento que chega
não passa no tempo,
momento eternidade...
Por isso te trouxe flores.
Rosas,
rosas vermelhas,
rubras, brasas,
brasas, saudade...
DALILA MIRHIB CRUVINEL, MEMBRO DA ACADEMIA PARAISENSE DE CULTURA

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