LIVRO EM BRASÍLIA

Livro mostra como Dilma Rousseff desprezou as velhas lições políticas de Maquiavel e acabou derrubada pelo impeachment

Por: Redação | Editoria: brasil | 13/05/2017 | Visualizações: 725

Ricardo Westin é jornalista e cientista político - Foto de Reprodução

No dia 12 de maio, fará um ano que Dilma Rousseff foi afastada temporariamente da Presidência da República para ser julgada pelos senadores. Eles bateriam o martelo do impeachment poucos meses mais tarde, tirando-a do poder em definitivo. No livro A Queda de Dilma – os bastidores do impeachment da presidente que desprezou as lições políticas de Maquiavel, que acaba de ser publicado pela Universo dos Livros, o jornalista e cientista político Ricardo Westin apresenta uma interpretação inédita e reveladora da crise política que paralisou o Brasil e culminou com o impeachment. Segundo o autor, a presidente foi derrubada porque simplesmente não soube pôr em prática o manual do poder escrito há 500 anos por Nicolau Maquiavel.
Esse manual é O Príncipe, no qual o pensador italiano listou uma série de conselhos práticos para que os aspirantes ao poder consigam chegar lá e para que os que já estão no poder se livrem dos inimigos e governem sem grandes sobressaltos. Foi a obra de Maquiavel que inaugurou a ciência política moderna. Westin esquadrinha todos os movimentos feitos pela presidente no complexo xadrez da política, tanto os públicos quanto os dos bastidores, desde a campanha da reeleição, em 2014, até o veredito do impeachment, em 2016, compara cada um deles com os conselhos contidos em O Príncipe e constata: a presidente desprezou tudo o que Maquiavel ensinou.
De acordo com Maquiavel, o governante precisa, por exemplo, ser inclemente com os aliados, para que eles sintam um medo permanente e nunca tenham coragem de traí-lo. Na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados em 2015, Dilma saiu distribuindo ameaças para que os parlamentares votassem no candidato do PT. Advertiu que os traidores perderiam verbas e cargos no governo. O vencedor, porém, foi quem Dilma não queria: Eduardo Cunha, do PMDB. Mesmo com as traições generalizadas na Câmara, a presidente preferiu fazer vista grossa e não castigou ninguém. Como resultado, os deputados aliados entenderam que virar a casaca valia a pena e passaram a votar sistematicamente contra os projetos de lei do governo.
Outro ensinamento de Maquiavel se refere à relação com o povo. Segundo ele, o governante precisa fazer as bondades a conta-gotas, para que a população esteja permanentemente grata e não deseje trocar de líder. As maldades inevitáveis, por sua vez, precisam ser acumuladas e depois despejadas de uma só tacada, para que o povo não sofra agressões em série, mas apenas uma única, que com o tempo acabará sendo digerida. Conselho ignorado. Assim que se reelegeu, Dilma surgiu de tempos em tempos com más notícias: aumento do preço da gasolina, reajuste da tarifa da energia elétrica, criação de empecilhos para a liberação do abono salarial, do seguro-desemprego e de outros direitos trabalhistas, elevação dos impostos das bebidas, dos computadores e dos celulares etc. E as boas notícias? Dilma não encontrou nenhuma para anunciar no segundo mandato.
A desobediência aos mandamentos de Maquiavel teve efeitos desastrosos para Dilma. Ouvindo apenas más notícias do Palácio do Planalto, os brasileiros chegaram a um nível de insatisfação tão alto que saíram às ruas várias vezes pedindo a destituição dela. Os deputados, sem ter medo da presidente, votaram tranquilamente contra ela no processo de impeachment. A Queda de Dilma relata várias outras condutas maquiavélicas que foram ignoradas pela presidente. A cada situação em que agia contrariando o receituário de O Príncipe, ela perdia um pouco da força política e ficava perigosamente mais vulnerável ao impeachment. 
Sem tomar partido na disputa ideológica que rachou os brasileiros durante a crise, Westin também analisa através do prisma de Maquiavel a briga de Dilma com o deputado Eduardo Cunha, as revelações da Operação Lava Jato, o troca-troca de ministros, os efeitos da crise econômica, a influência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as maquinações do vice-presidente Michel Temer e até mesmo os lendários rompantes de impaciência e grosseria de Dilma. Por agir contra todos os preceitos de O Príncipe, ela foi derrubada com uma extraordinária facilidade.
Com riqueza de detalhes e narrativa fluente, A Queda de Dilma faz uma reconstituição dos dois últimos anos da presidente no Palácio do Planalto. As regras de Maquiavel, por sua vez, são apresentadas de forma objetiva e sem rebuscamento acadêmico. É uma obra acessível aos que não são iniciados na política e esclarecedora inclusive para aqueles que acompanharam todos os capítulos do impeachment pelo noticiário. 
A Queda de Dilma lança luzes sobre o lado sombrio do poder, revelando as regras violentas e os interesses ocultos que giram as engrenagens da política, e mostra que, mesmo passados 500 anos, o velho manual de Maquiavel permanece assustadoramente atual.


SOBRE O AUTOR:
Ricardo Westin é jornalista e cientista político. Atualmente edita o Jornal do Senado, em Brasília. Antes trabalhou nas principais redações do país: a da revista Veja, em São Paulo, e as dos jornais Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo, em São Paulo, Rio e Brasília. Seu currículo inclui uma temporada em Madri como repórter do jornal El Mundo. É autor do livro Arquivo S – O Senado na História do Brasil e vencedor do Prêmio Andifes de Jornalismo de Educação (2005) e do Prêmio Nacional de Jornalismo sobre Violência de Gênero (2013). Graduou-se em jornalismo na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e se especializou em ciência política no Instituto Legislativo Brasileiro (ILB).
O paraisense Ricardo Westin, jornalista e cientista político, editor do Jornal do Senado, em noite de autógrafos nesta segunda-feira no Shopping Pátio Brasil, em Brasília, lança seu livro “A Queda de Dilma”, que retrata os bastidores do impeachment. O jornalista Ricardo Westin, de tradicional família de São Sebastião do Paraíso é autor do livro Arquivo S – O Senado na História do Brasil. Vencedor do Prêmio Andifes de Jornalismo de Educação e do Prêmio Nacional de Jornalismo sobre Violência de Gênero.

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