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Havendo oportunidade não

Por: Redação | Editoria: cultura | 16/05/2017 | Visualizações: 325

- Foto de Reprodução

Havendo oportunidade não hesito contar certas vivências que presenciei na cidade colonizada pelos ingleses, ou seja, Londrina, onde por décadas abrigou-me oferecendo profissão, trabalho e aprendizado. Quero contar um episódio entre o pitoresco e o dramático acontecido num povoado da região do Norte do Paraná, no qual estava sendo acusado antigo morador, de nome Juquinha, por homicídio. Mas não serei eu dar testemunho, apenas o faço como mero contador de estória, como dizia um velho amigo magistrado: “Entre rábulas e Rui Barbosa há lugar para todos”.
Retornando o causo. Juquinha estava no banco dos réus, nos jornais, nas conversas de esquinas do lugarejo. A família da vítima trouxe de São Paulo, advogado conceituado e versado em júri. Na réplica, para dar maior ênfase na argumentação, o advogado efetuou a leitura de trecho do tratado do mais célebre penalista do Brasil na época, Professor Nelson Hungria, ao que me lembro. Disse: “Que o crime cometido pelo acusado Juquinha estava ali bem retratado, como retratada estava a punição a ser aplicada. Na sua parte, o simples advogado de defesa, antigo na região com sua argúcia e matreirice, virou-se para os jurados e disse: “Meus amigos, todos vocês conhecem o Juquinha há muitos anos. Sabem que se trata de uma pessoa amiga, que bebe com todos nas festas, joga bocha, caboclo bom nas festas de igreja e pé-de-valsa. Conhecendo tão bom homem, vocês acham que ele cometeria esse crime? Claro que não”.
E continuou enfático: “Agora vem esse advogado de fora e diz que um tal Nelson Hungria conta tudo do Juquinha. Vocês conhecem esse homem, já viram por aqui, sabem se ele já percorreu esses matos com o Juquinha? Não. Ninguém conhece ele, é um estranho que diz saber o que o Juquinha fez ou deixou de fazer ... Dessa forma, ou vocês acreditam no Juquinha companheiro velho de guerra, e o absolvem, ou acreditam nesse tal Nelson Hungria e condenam, mandando o nosso Juquinha para a cadeia”.
Adivinhem o resultado: absolvido.
SEBASTIÃO PIMENTA FILHO, membro da Academia Paraisense de Cultura.

 

 

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