Um abacaxi para Yuki Tsunoda descascar
Antes preterido, agora Tsunoda virou aposta da Red Bull ao lado de Max Verstappen que não ficou satisfeito com a substituição de Liam Lawson. “Isso não resolve os problemas do carro”

Se tem uma pessoa que respirou aliviado nesses últimos dias é Sergio Perez. O mexicano tinha contrato com a Red Bull até o final de 2026, mas em dezembro foi demitido por conta dos maus resultados. Foram dois anos amargando as críticas por não conseguir chegar perto de Max Verstappen que venceu os dois últimos campeonatos da F1. Em 2023 Verstappen venceu 19 das 23 corridas do ano, ao passo que Perez com apenas duas vitórias penou para conquistar o vice-campeonato de pilotos. Em 2024 as atuações do mexicano de 35 anos foram ainda mais sofríveis ao ponto de somar apenas oito pontos nas últimas 9 corridas e terminar o campeonato na 8ª posição sem nenhuma vitória, o que foi fatal para a derrocada da Red Bull no Mundial de Construtores para McLaren e Ferrari.
Perez deu a primeira entrevista nesta semana ao site da F1
depois da demissão. Falando ao jornalista Lawrence Barreto, disse que está
relaxado e curtindo a família, o que não foi possível fazer nos últimos 14 anos
em que esteve competindo na categoria. Mas não desistiu de um possível retorno
em 2026 caso encontre uma equipe com projeto atraente que lhe motive a voltar.
Ele afirma que mantém conversas com algumas equipes.
Embora não tenha mencionado, não é preciso ter bola de
cristal para enxergar que o mexicano esteja se sentindo aliviado da pressão que
sofreu pelos maus bocados que passou, principalmente no ano passado. Em apenas
duas corridas, o neozelandês Liam Lawson foi substituído na Red Bull por conta
de atuações vexatórias depois de se classificar em último nos grids para a
corrida Sprint e o GP da China, as duas únicas vezes na história em que um
carro da Red Bull largou da última posição do grid, e sem conseguir evoluir ao
longo da corrida. “Especialmente no ano
passado, não consegui mostrar o que sou capaz de fazer como piloto. Agora, de
repente, as pessoas percebem o quão difícil é pilotar aquele carro”, disse
Perez. O próprio Perez lembra das dificuldades que outros bons pilotos como
Pierre Gasly, atualmente na Alpine, e Alex Albon, da Williams, tiveram com os
carros da Red Bull e também foram demitidos.
Esse abacaxi agora está nas mão de Yuki Tsunoda, que embora
muito mais experiente do que Lawson, foi preterido pelos comandantes da equipe,
Christian Horner e Helmut Marko, que viam Lawson mais bem preparado
psicologicamente para ser o substituto de Sergio Perez. Quem não ficou nada
satisfeito com a troca prematura na Red
Bull foi Max Verstappen que disse em alto e bom som que “isso não resolve os
problemas do carro”. Tsunoda por outro lado se mostra confiante e pronto para
agarrar com todas as forças a oportunidade que sempre sonhou desde que chegou à
equipe irmã da Red Bull, a Racing Bulls, ex-Alpha Tauri, em 2021. “Em termos de
desempenho a equipe pediu para que eu termine o mais próximo possível de
Verstappen. Sei que se eu me sentir 100% confortável com o carro, e entendê-lo,
acho que o resultado virá naturalmente”, disse o piloto de 24 anos que faz a
sua estreia na Red Bull correndo em casa no GP do Japão, terceira etapa do
campeonato, que acontece nesta madrugada de sábado para domingo com largada às
2h.
Não será uma tarefa fácil para Tsunoda. Mas é a oportunidade
que surgiu e precisa ser agarrada com unhas e dentes. Tanto o modelo RB20 do
ano passado, quanto o RB21 deste ano são carros difíceis de pilotar ao ponto de
até agora somente um piloto diferenciado como Max Verstappen ser capaz de
extrair o máximo de desempenho. Verstappen é o vice-líder do campeonato com 36
pontos, 8 atrás de Lando Norris, da McLaren, com 44.
Mas vai ser interessante acompanhar a pilotagem de Tsunoda em Suzuka e nas próximas corridas para saber de uma vez por todas até que ponto as dificuldades de pilotar o RB21 afeta diretamente o desempenho de um piloto comum. Pela Racing Bulls, Tsunoda não pontuou, mas se classificou em 5º no grid da Austrália, 8º no da Sprint na China e 9º na corrida principal. Por outro lado, será interessante também ficar atento às atuações de Liam Lawson, rebaixado para a Racing Bulls, que tem o carro muito mais ‘dirigível’ que o da irmã Red Bull.