Presidente da Câmara cobra transparência do SEMPRE e protocola ofício com apoio de servidores efetivos
Lisandro Monteiro afirma que entidade não presta contas de forma clara e ameaça acionar o Ministério Público do Trabalho

O
presidente da Câmara Municipal de São Sebastião do Paraíso, Lisandro Monteiro,
protocolou na última semana um ofício endereçado ao presidente do Sindicato dos
Servidores Públicos Municipais (SEMPRE), Dalvo Fátima de Oliveira, solicitando
a apresentação de um relatório detalhado da prestação de contas da entidade
referente aos últimos cinco anos. O documento é assinado por Lisandro e por 27
servidores efetivos do município, todos sindicalizados.
No
ofício, o presidente afirma que há “manifesta dificuldade de acesso às
informações relativas aos gastos e movimentações financeiras do sindicato por
parte de seus próprios sindicalizados” e defende que a prestação de contas seja
afixada nos setores de trabalho dos servidores, nos moldes da Associação dos
Funcionários Municipais (AFM).
A
justificativa da cobrança se baseia no artigo 551 da Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT), que obriga as entidades sindicais a manterem registros
contábeis claros e disponíveis, e também no artigo 70 da Constituição Federal,
que impõe o dever de prestar contas a qualquer entidade que administre recursos
de origem pública — como foi o caso do sindicato até 2016, quando a
contribuição sindical era obrigatória.
O
documento ainda afirma que a omissão pode levar à adoção de medidas legais,
incluindo o acionamento do Ministério Público do Trabalho, que poderia
intervir, solicitar o afastamento da diretoria e até convocar novas eleições
sindicais.
Presidente
diz que cobrança partiu dos próprios servidores
Em
conversa com a reportagem do Jornal do Sudoeste, Lisandro reforçou que o pedido
de prestação de contas não é uma ação isolada da presidência da Câmara, mas sim
uma resposta a solicitações dos próprios servidores da Prefeitura. “Foi feito a
pedido do servidor público. Há várias assinaturas no ofício, e são todos
efetivos e sindicalizados”, afirmou. “O sindicato faz uma prestação de contas
só no final do ano, mas não mantém um portal da transparência, não tem clareza
contínua sobre os gastos. E isso gera desconfiança”.
Lisandro
também criticou novamente a postura da atual diretoria do SEMPRE e disse que a
relação com a entidade se deteriorou após ele ser alvo de uma nova nota de
repúdio divulgada no fim de junho. “Tudo isso começou quando eu fiz a nota de
repúdio contra eles, e eles revidaram. Eu continuo afirmando: não reconheço
esse sindicato da forma como está sendo conduzido. Eles usam o nome da
categoria para fazer promoção pessoal de uma única vereadora”, disse, se
referindo à colega de plenário Daiane Andrade, que presta serviços de
assessoria jurídica ao sindicato.
Relembre
o caso: o episódio do ferrão e o histórico de embates
No dia
30 de junho, Lisandro já havia usado o grande expediente na Câmara para rebater
a nota publicada pelo sindicato e relembrar o polêmico episódio do “ferrão”,
ocorrido em 2017. Na ocasião, ele levou ao plenário um ferrão de cutucar gado
como símbolo de protesto contra a gestão do então prefeito Walker Américo de
Oliveira, o Walkinho.
“Quando
eu pus esse ferrão, mostrei as placas. Foi para provocar secretários que não
pediam nada, que não faziam nada. Não foi contra o servidor. Na época, os
próprios servidores me procuraram e me apoiaram”, afirmou.
Na mesma
fala, o vereador citou que membros da diretoria do sindicato, como Rildo
Domingos, o haviam defendido publicamente na época, reconhecendo que a crítica
não era dirigida à base do funcionalismo. Lisandro também relembrou o episódio
de 2021, quando, segundo ele, interveio junto à Justiça para impedir a demissão
de 12 funcionários terceirizados da empresa Confiare. “Se eles saíssem, eu saía
junto”, declarou à época.
Auxílio-alimentação
e comissão formada na Câmara
Ainda em
conversa com o Jornal do Sudoeste, o presidente comentou sobre a
proposta de criação de um auxílio-alimentação para os servidores efetivos.
Segundo ele, o assunto foi encaminhado ao seu gabinete pelo prefeito Marcelo
Morais à Câmara e está sendo analisado por uma comissão parlamentar formada
pelos vereadores Juliano Reis (Biju), Maria Aparecida Cerize (Cidinha) e Luiz
de Paula. “Já montamos a comissão para avaliar a viabilidade do auxílio. Qualquer
servidor que tiver dúvidas pode procurar um dos três. A Câmara está fazendo sua
parte”, garantiu.
“Aqui
é tudo registrado”, diz presidente
Lisandro encerrou suas declarações reiterando que sua gestão na Câmara é pautada pela transparência e respeito ao servidor: “Se eu não estivesse fazendo um bom trabalho, não teria apoio. Tenho recebido mensagens até de quem nem é sindicalizado. Aqui, todo mês, tem balanço interno. Se um palito de fósforo for gasto, a gente sabe. Tudo é registrado”.