Bortoleto já conquistou respeito e simpatia no paddock da F1
Para quem acompanhou a carreira de Gabriel Bortoleto nas categorias de base até chegar à F1, o que ele fez até aqui está tudo dentro do programado

A Sauber terminou a temporada passada na última colocação com apenas 4 pontos somados na penúltima etapa do campeonato. As expectativas não eram animadoras para a estreia de Gabriel Bortoleto que vinha de dois títulos seguidos nas duas categorias antessala da F1: a F3 em 2023 e a F2 no ano passado. Mas não havia outra escolha. Era pegar ou largar, sob o risco de que, caso largasse, a carruagem poderia passar e a jovem promessa do automobilismo brasileiro virar abóbora. Gabriel agarrou a chance e se deu bem.
No começo do ano escrevi aqui na coluna que tudo que
Bortoleto precisava era não fazer bobagem. Erros fazem parte do aprendizado de
todo iniciante, e os que Gabriel cometeu tem passado quase que despercebido. Na
abertura do campeonato ele bateu no GP da Austrália numa corrida muito
complicada por causa da chuva, mas ficou a impressão de que antes de bater a
suspensão de seu carro quebrou, deixando-o como passageiro, embora nem a equipe
e nem o piloto confirmassem na época. Em Silverstone, outra corrida complicada
pelas condições climáticas, Bortoleto arriscou pneus slick antes da hora e se
deu mal ao bater e abandonar ainda no começo da prova. Seu companheiro de
Sauber, Nico Hulkenberg, muito mais experiente, conquistou o primeiro pódio da
carreira depois de 238 corridas.
Houve vezes em que a estratégia traçada para Bortoleto não
foi a melhor. A Sauber sempre optou por dividir as estratégias entre seus
pilotos, e por conta da experiência, a melhor ficava com Hulkenberg que já soma
37 pontos e ocupa a 9ª posição no campeonato.
Mas a vez de Bortoleto chegou. Na Áustria ele teve um final
de semana forte, sempre à frente do companheiro de equipe, classificou-se em 8º
e terminou na mesma posição, somando seus primeiros pontos na F1 e encerrando
um hiato de 8 anos sem que um brasileiro pontuasse, desde o 10º lugar de Felipe
Massa no GP de Abu Dhabi de 2017, ano de sua aposentadoria. Ficou a sensação de
copo meio cheio, meio vazio porque poderia ter sido melhor. Mais uma volta
naquela corrida e Bortoleto poderia ter ultrapassado o 7º colocado Fernando
Alonso. Mas tinha coisa melhor por vir. Na Bélgica largou em 10º e terminou em
9º. E na Hungria, sim, o melhor desempenho do jovem de 20 anos que largou em
7º, fez uma corrida soberba e terminou em 6º, conquistando seu melhor resultado
na F1 e somando pontos em três das últimas 4 corridas.
Por duas vezes nesse período Bortoleto foi eleito o “Piloto
do Dia” em votação pública no site oficial da F1.com. A rápida evolução aliada
à dedicação e capacidade de aprender já faz o brasileiro ser visto com outros
olhos no paddock da F1. Quando abandonou o GP da Inglaterra - normalmente o
piloto pega a mochila e vai embora antes de a corrida acabar - Bortoleto foi
para a mureta dos boxes acompanhar o trabalho dos engenheiros e conectado às
conversas de rádio com Nico Hulkenberg. Tal dedicação rendeu rasgados elogios
do chefe da Sauber, Jonathan Wheatley, “Gabriel tem uma ética tremenda e muita
capacidade de aprender. Ele quer extrair informações de todos os lugares, e o
fato de ele ficar ouvindo Nico (Hulkenberg) e fazendo todas as perguntas aos
engenheiros, vai lhe deixar mais forte”.
Gabriel Bortoleto é um piloto inteligente e isso é
perceptível em suas declarações cada vez que fala com a imprensa. Na comparação
com Hulkenberg, Bortoleto está na frente do companheiro de equipe em posições
de largada (8 a 6) e perde por 6 a 5 na posição de chegada das corridas em que
os dois receberam a bandeirada. Com 14 etapas disputadas, o brasileiro é o 17º
colocado com 14 pontos. Nada mal para quem precisava apenas não cometer erros
bobos para ganhar experiência e se preparar para 2026 quando a Sauber passará a
ser equipe de fábrica da Audi. E Bortoleto, muito querido na equipe, já
conquistou a simpatia e o respeito no paddock da F1.
DE VOLTA DAS FÉRIAS
A F1 está de volta neste final de semana depois das
tradicionais férias de agosto do verão europeu, com o GP da Holanda no Circuito
de Zandvoort, com previsão de chuva e apenas 9 pontos separando o líder Oscar
Piastri, do vice Lando Norris. Daqui até o final da temporada será pauleira com
10 corridas no curto espaço de pouco mais de três meses.