Câmara discute criação de protocolo para ocorrências com animais de grande porte
Projeto de Daiane Andrade, Juliano Reis e Marcos Vitorino foi apresentado na sessão de 1º de setembro e segue para análise das comissões
A
Câmara Municipal de São Sebastião do Paraíso passou a discutir a criação do
Protocolo Municipal de Atendimento a Ocorrências com Animais de Grande Porte,
apresentado na sessão ordinária de segunda-feira, 1º de setembro. A proposta,
assinada pelos vereadores Daiane Andrade, Juliano Reis (Biju) e Marcos Vitorino
- todos da Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais - estabelece um
procedimento padrão para casos envolvendo equinos, muares, bovinos e bubalinos
soltos em vias públicas, abandonados ou em situação de maus-tratos, tanto na
área urbana quanto na zona rural.
Pelo
texto do Projeto de Lei nº 5,763, o Município deverá manter um canal oficial de
denúncias (telefone/aplicativo), acionar equipe técnica formada por
médico-veterinário credenciado e fiscal ambiental, com apoio da Guarda Civil
Municipal quando necessário, realizar avaliação imediata no local e, se houver
risco ou sofrimento, providenciar recolhimento e acolhimento temporário do
animal.
O
protocolo prevê registro formal da ocorrência (com identificação do animal,
local, dados do tutor quando houver e medidas adotadas), encaminhamento à
Polícia Civil quando houver indícios de crime ambiental e responsabilização
administrativa do tutor/proprietário com base na Lei Municipal 5.040/2020, com
multas expressas em VRM (Valor de Referência do Município) e obrigação de
ressarcir ao Município os custos de captura, transporte, alimentação e
tratamento. Para viabilizar o atendimento, o Executivo fica autorizado a firmar
convênios e parcerias com clínicas e hospitais veterinários, universidades,
ONGs e órgãos públicos, observada a legislação de parcerias e licitações; a
regulamentação detalhará prazos, fluxos e competências.
Ao
defender a matéria em plenário, Juliano Reis afirmou que o projeto nasce de uma
lacuna concreta no atendimento a animais de grande porte e citou casos recentes
com equinos: “Há uma lacuna no nosso município. Precisamos de um protocolo
padrão. Enquanto cães e gatos encontram apoio de protetores, animais de grande
porte acabam sofrendo sem socorro adequado. Não podemos mais assistir a cenas
de cavalos amarrados no sol, debilitados, como no caso da égua prenha. É
preciso ter canal oficial de denúncia, pronto atendimento com veterinário e
fiscal, punir os tutores irresponsáveis e mudar a cultura que trata cavalos
como se não sentissem dor; cavalo não come braquiara e muito menos pode ficar
preso em dois metros de corda.”
Na
mesma linha, Marcos Vitorino destacou que a responsabilidade é coletiva e que a
ausência de estrutura costuma levar a desfechos trágicos: “Não apenas
vereadores, mas toda a sociedade tem responsabilidade. Muitos passam, veem um
animal sofrendo e fingem que o problema não é seu. Quando se trata de cães e
gatos, o resgate é mais simples; um cavalo exige preparo e estrutura. Sem isso,
muitas vezes o destino é o sacrifício. A Câmara tem se envolvido e, pouco a
pouco, vamos fazendo diferença na vida daqueles que não têm voz.”
Daiane
Andrade conectou a iniciativa local a mudanças em debate no País e defendeu a
equiparação das punições para crimes contra animais de grande porte: “Hoje a
Lei Sansão pune com até cinco anos crimes contra cães e gatos, mas quando se
trata de cavalos a pena é muito menor — e isso não é justo, porque o cavalo não
sente menos dor que o cachorro. Há movimento em Brasília para corrigir essa
distorção. Aqui, avançamos com responsabilização administrativa e civil,
multando e punindo quem trata animais como objetos. É um trabalho conjunto que
precisa andar em todas as esferas.”
Com a admissão em plenário já realizada, o projeto segue para análise das comissões permanentes competentes; após emissão de pareceres, retorna ao plenário para discussão e votação.

