PC indicia candidata a vereadora e suposto “laranja” por suspeita de desvio de verba do fundo eleitoral em Paraíso

Investigação aponta repasse de cerca de R$ 8 mil do FEFC a um único beneficiário apresentado como coordenador de campanha; caso segue para a Justiça Eleitoral
Foto: Arquivo JS

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), por meio da 4ª Delegacia Regional de São Sebastião do Paraíso, indiciou uma candidata a vereadora que disputou as eleições municipais de 2024 por suspeita de apropriação indevida de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).

No período dos fatos, a investigada também ocupava a presidência do diretório municipal do partido pelo qual concorreu.

Conforme apurado no inquérito, a então candidata teria recebido cerca de R$ 8 mil provenientes do fundo eleitoral e destinado todo o valor a uma única pessoa, registrada na prestação como coordenador geral de campanha. Ainda segundo a investigação, o beneficiário aparenta ser analfabeto e não teria qualificação compatível com a função atribuída, o que levantou suspeitas sobre a real finalidade do repasse.

Os indícios foram identificados a partir da análise da prestação de contas e sinalizados pela Justiça Eleitoral e pelo Ministério Público Eleitoral, o que levou ao aprofundamento das diligências pela Polícia Civil. O suposto coordenador também foi indiciado, sob suspeita de ter atuado como “laranja” no esquema.

Outro ponto considerado pela investigação foi o desempenho eleitoral da candidata, que obteve apenas dois votos no pleito de 2024. Para o delegado Rafael Gomes, responsável pelo procedimento, “há fortes indícios de que a candidatura teria sido meramente formal, com o objetivo principal de viabilizar a apropriação dos recursos do fundo eleitoral”, prática conhecida como “candidatura fantasma”.

A candidata e o suposto coordenador foram indiciados pelo crime de apropriação de valores destinados ao financiamento eleitoral, previsto no Código Eleitoral, cuja pena máxima é de reclusão de até seis anos e multa. A Polícia Civil não divulgou os nomes dos acusados.

A PCMG também representou pela quebra do sigilo bancário dos indiciados. Com a conclusão da apuração, o inquérito deve ser remetido à Justiça Eleitoral, para análise do Ministério Público Eleitoral quanto à eventual responsabilização criminal dos envolvidos.