Vem aí a F1 2026 cheia de novidades
Carros serão menores, mais leves e terão motores com potência dividida em proporções iguais entre o de combustão interna e o elétrico
A F1 preparou o maior pacote de
regras jamais visto em seus 75 anos de história. Um novo conceito de carros que
vai exigir mudanças no estilo de condução de cada piloto, entra em vigor a
partir desta temporada. E até que os carros vão para a pista no GP da Austrália
que abre o campeonato em 8 de março, tudo será uma grande incógnita. Equipes e
projetistas não aproveitaram um parafuso sequer dos carros do ano passado. Tudo
será novo. Até para quem vai apenas assistir às corridas pela TV.
Uma nova era se inicia com carros
mais leves, menores em comprimento e largura, e que vão exigir muito mais da
capacidade mental dos pilotos que terão também que ser ‘estrategistas’ dentro
do cockpit na administração do carregamento e uso da energia elétrica. Eles
terão que lidar com dois novos botões no volante dos carros relacionados à
energia elétrica. Um deles, o ‘boost’ fornecerá potência para ser usada durante
a corrida como e quando quiser. O outro, o ‘modo de ultrapassagem’, substitui o
DRS (abertura da asa traseira), renderá potência extra quando o carro de trás
estiver a menos de um segundo de distância do carro da frente. Os pilotos terão
que se adaptar a esses recursos para não ficarem expostos à falta de potência
durante as corridas. Essas novas funcionalidades vão impactar na sensibilidade
e no estilo de pilotagem de agora em diante.
Os motores continuam sendo V6
turbo de 1.6L, mas terão distribuição de potência na proporção bem próxima de
50% para o motor a combustão que passa a ser alimentado por combustível sintético,
100% sustentável, produzido a partir de lixo urbano - eliminando assim os
combustíveis fósseis -, e 50% do motor elétrico. Os carros serão 30 kg mais
leves, passando dos 798 kg para 768 kg e isso ocorre apesar do aumento no peso
da bateria para acomodar a divisão quase igual entre as duas unidades de
potência (combustão e elétrica). Considerando que cada 10 kg equivale a 3
décimos de segundos na pista, essa redução de peso deverá refletir significativamente no tempo de volta em cada
pista.
Os carros serão 20 centímetros
mais curtos e 10 cm mais estreitos. Os pneus também estarão mais estreitos e o
assoalho volta ter o fundo plano como sempre foi antes da introdução do
efeito-solo. As asas dianteiras e traseiras serão menos complexas e ambas terão
mecanismo de acionamento pelos pilotos para abrirem nas retas a fim de reduzir
o arrasto aerodinâmico, e fechamento nas curvas para proporcionar maior
estabilidade nos carros. Essa abertura, porém, não terá a função que tinha
antes para proporcionar ultrapassagens.
Por conta das mudanças, a
primeira bateria de testes de pré-temporada de 26 a 30 deste mês, em Barcelona,
será realizada a portas fechadas do público e da imprensa para que as equipes
possam ter mais privacidade para compreender o funcionamento de seus carros.
Outras novidades serão a estreia
da Cadillac como a 11ª equipe do grid, que utilizará motores Ferrari apesar de
ter por trás a GM que se encarregará de fazer o próprio motor a partir de 2030.
A Sauber do brasileiro Gabriel Bortoleto deu lugar à Audi que estreia na F1
como equipe de fábrica empurrada pelo seu próprio motor. A Red Bull também terá
pela primeira vez motor próprio, construído pela sua divisão de motores,
Powertrains, em parceria com a Ford que retorna à categoria depois de longa
ausência.
Já a equipe Haas, que continua
utilizando os motores Ferrari, está cada vez mais associada à Toyota, que de
mansinho vai se aproximando da F1, tanto que a equipe norte-americana passa
oficialmente a ter na frente de seu nome as iniciais TGR (Toyota Gazoo Racing),
divisão esportiva da montadora japonesa. A Alpine, pertencente ao grupo
Renault, terá motores Mercedes, e a Aston Martin terá exclusividade dos motores
Honda.
Por tudo isso, 2026 será um grande desafio para a F1 e a gente torce para que seja uma temporada competitiva com 24 corridas, dois pilotos a mais no grid, aumentando o número para 22 com a chegada da Cadillac, e para o público brasileiro que voltará assistir às corridas pelo grupo Globo, a grande notícia da semana foi a inclusão de Mariana Becker na equipe de transmissão da emissora. Valeu cada apelo de milhares de fãs. Seria um pecado imperdoável, um desserviço se as portas não se abrissem para a carismática e experiente jornalista gaúcha que há 20 anos cobre a F1 in loco.


