Saúde mental: Romper o silêncio é o primeiro passo para prevenir o suicídio

Foto: Reprodução

Falar sobre sofrimento emocional ainda é um grande desafio para muitas pessoas. O medo do julgamento, do preconceito e dos rótulos faz com que homens e mulheres silenciem dores profundas, mesmo quando elas já ultrapassaram o limite do que conseguem suportar sozinhos. Esse silêncio, infelizmente, pode custar vidas.

O suicídio é um grave problema de saúde pública e não acontece de forma repentina. Na maioria dos casos, é o desfecho de um processo longo de sofrimento psíquico, marcado por solidão, desesperança e ausência de apoio. A boa notícia é que o suicídio pode ser prevenido — e o cuidado em saúde mental é uma ferramenta central nesse processo.

De acordo com a coordenadora do CAPS II Paraíso, Camila Barbosa Caetano, um dado preocupante precisa ser enfrentado com seriedade no município: a maioria das pessoas que morreram por suicídio não chegou a acessar o CAPS ou outros serviços de saúde mental, mesmo com a existência desses atendimentos e com eles sendo de acesso gratuito à população pelo SUS.

“Isso não significa ausência de sofrimento. Pelo contrário. Revela barreiras como desinformação, estigma, preconceito e medo de julgamento, que ainda afastam muitas pessoas do cuidado no momento em que mais precisam. Muitas dessas vidas poderiam ter encontrado apoio se a busca por ajuda não fosse atravessada pelo silêncio e por ideias equivocadas sobre a saúde mental”, explica Camila.

Um dos principais obstáculos à prevenção do suicídio ainda é o estigma em torno da saúde mental e dos serviços públicos, especialmente os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Ideias como “CAPS é só para quem é louco”, “quem procura ajuda está exagerando” ou “se eu for ao CAPS, vou ser internado” não apenas são falsas, como afastam pessoas que precisam de cuidado.

Os CAPS são serviços do SUS voltados ao acolhimento de pessoas em sofrimento psíquico, em momentos de crise ou vulnerabilidade emocional. São espaços de escuta, cuidado e acompanhamento, com equipes multiprofissionais preparadas para oferecer atendimento humanizado, gratuito e próximo da realidade de cada pessoa. Não são lugares de julgamento, punição ou exclusão.

O secretário municipal de Saúde, Adriano Lopes de Siqueira, reforça que a prevenção passa diretamente pelo acompanhamento psicológico. “A grande maioria dos casos de suicídio registrados no município envolve pessoas que não estavam em acompanhamento psicológico e que não eram atendidas pelo CAPS. Isso mostra a importância de procurar ajuda, de buscar o cuidado em saúde mental. O acompanhamento adequado salva vidas e é fundamental para prevenir casos que, infelizmente, ainda são recorrentes em Paraíso”, destaca.

“Falar salva vidas. Quando alguém fala sobre sua dor — mesmo que de forma indireta — está pedindo ajuda. Ouvir sem julgamento, acolher e orientar a procurar apoio profissional pode ser decisivo. Sinais como tristeza profunda e persistente, isolamento, desesperança, falas sobre morte ou desejo de desaparecer e mudanças bruscas de comportamento não devem ser ignorados”, conclui Camila.

Quem precisa de ajuda pode procurar o CAPS do município, a Unidade Básica de Saúde mais próxima ou entrar em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188, que funciona 24 horas por dia. A prevenção do suicídio não é responsabilidade apenas dos serviços de saúde. Ela começa na família, na escola, no trabalho e na comunidade, quando se criam espaços onde as pessoas possam falar sem medo.

Serviços de atendimento em saúde mental em São Sebastião do Paraíso:

CAPS II Paraíso

Rua Tiradentes, nº 1025 – Centro

Telefone: (35) 3531-3897

CAPS Girassol

Rua Emília Maria de Souza, nº 275 – Jardim Morada Sol

Telefone: (35) 3558-3191

CAPS AD Vitória III

Rua Tenente José Albino, nº 575 – Centro

Telefone: (35) 3539-110

(Secom Pref. SSP)