Prefeitura esclarece escorrimento de líquido próximo ao aterro sanitário

Morador relata suspeita de vazamento de chorume em área rural; secretário afirma que problema já foi solucionado
Foto: Reprodução
Escorrimento de líquido em estrada de terra nas proximidades do aterro motivou relato de morador

Um morador da zona rural de São Sebastião do Paraíso procurou o Jornal do Sudoeste no início desta semana após identificar o escorrimento de um líquido escuro em estradas de terra nas proximidades do aterro sanitário do município. A Secretaria de Meio Ambiente prestou esclarecimentos sobre o fato.

No relato encaminhado à reportagem, o munícipe levanta a suspeita de que o material possa se tratar de chorume, com possível impacto ambiental em um curso d’água da região. “Estou precisando de muita ajuda. O ‘lixão’ da cidade está contaminando meu rio. O chorume está matando meus peixes”, disse o popular na mensagem enviada.

Diante da informação e das imagens recebidas, a reportagem buscou esclarecimentos junto à Secretaria Municipal de Meio Ambiente. O secretário da pasta, Renan Jorge Preto, confirma que houve um episódio pontual de escorrimento, causado por uma falha operacional já corrigida.

Segundo ele, o problema ocorre em razão do entupimento de uma caixa de inspeção do sistema de drenagem do chorume tratado. “Esse escorrimento ocorreu, sim, mas não está ocorrendo atualmente. Houve um entupimento em uma caixa de inspeção, por onde sai o chorume tratado da segunda lagoa. Com esse entupimento, o líquido acabou escoando superficialmente”, afirma.

Renan explica que o material que extravasa já havia passado pelo processo de tratamento. “Apesar da coloração escura, trata-se de chorume já tratado. O problema foi solucionado com a desobstrução da tubulação, e hoje o chorume tratado volta a escoar normalmente pela tubulação subterrânea, conforme previsto no sistema”, diz.

Ao detalhar as imagens encaminhadas à reportagem, o secretário informa que a primeira foto corresponde ao interior da plataforma de disposição de resíduos do aterro sanitário. “Toda a base dessa área é impermeabilizada com geomembrana, a lona preta visível na lateral da plataforma. É natural que ocorra acúmulo de chorume nesse ponto, justamente porque é ali que acontece a disposição e a decomposição do lixo”, explica.

De acordo com Renan, o chorume gerado nessa área é direcionado para um sistema de tratamento composto por lagoas. “Na segunda imagem é possível observar a lagoa de tratamento. O sistema conta com duas lagoas, uma de tratamento anaeróbio e outra de tratamento facultativo, responsáveis pelo processo de tratamento do chorume antes do descarte”, detalha.

Ainda segundo o secretário, o ponto de descarte do chorume tratado no córrego ocorre após o ponto de captação de água utilizado por um morador da região. “A água utilizada por esse vizinho é captada antes de o córrego receber o descarte do chorume já tratado. Mesmo em uma situação hipotética de falha no tratamento, essa captação não seria atingida”, explica.

Questionado sobre eventual mortandade de peixes na região, Renan afirma que, até o momento, não há comunicação formal à Secretaria. “Caso tenha havido alegação de mortandade de peixes, é necessário identificar exatamente o local, para verificar se de fato se trata da área onde ocorre o descarte do chorume, ainda que tratado, ou se não há relação com o aterro. De qualquer forma, é preciso identificar esse ponto e realizar vistoria no entorno para apurar o que pode ter ocorrido. Até o momento, não houve contato formal do morador com a Secretaria para relatar essa situação”, afirma.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente informa que segue monitorando o funcionamento do sistema e reforça que o aterro sanitário possui estrutura licenciada, com controle de impermeabilização e tratamento de resíduos líquidos, e que medidas corretivas são adotadas sempre que identificada qualquer falha operacional.