Novos carros da F1 não agradam os pilotos
Max Verstappen e Lewis Hamilton teceram pesadas críticas ao novo regulamento da F1 que tornou os carros menos divertidos de pilotar
Não bastasse a polêmica que envolve a Mercedes de levar
vantagem ao encontrar brecha no regulamento, elevando a taxa de compressão do
motor a combustão para 18:1, enquanto a regra diz que ela deve ser de 16:1, o
que tem gerado descontentamento entre Ferrari, Audi, Honda e Red Bull
Powertrains-Ford, agora são os pilotos que se manifestaram insatisfeitos com o
novo regulamento da F1 que tanto tem sido falado nos últimos meses.
A F1 encerrou nesta sexta-feira a primeira de duas baterias
de três dias de teste de pré-temporada no Bahrein. O campeonato começa no
próximo dia 8 de março com o Grande Prêmio da Austrália, em Melbourne. Como é
do conhecimento dos fãs da categoria, o regulamento deste ano estabelece entre
várias mudanças, a divisão entre a potência do motor a combustão interna e o
sistema elétrico em 50% para cada. Para isso, foi preciso reduzir parte da
potência do motor a combustão, e o aumento triplicado da potência vinda da
parte elétrica, fazendo com que os pilotos tenham que rever seus estilos de
pilotagem. Quem souber otimizar com mais precisão o gerenciamento de energia
terá grande vantagem porque a dinâmica agora não é apenas pisar fundo no
acelerador, e sim saber onde e como recarregar a bateria para usar a potência
no momento certo sem correr o risco de ficar sem energia ao final de cada
volta.
Pilotos mais inteligentes tendem a lidar melhor com esse
novo conceito, e um dos que teoricamente tem tudo para levar vantagem, teceu
pesadas críticas ao novo regulamento que está tirando o prazer de pilotar. Max
Verstappen disse na última quinta-feira que “isso não me parece um carro de F1.
É mais como um carro da Fórmula E turbinado”. Embora tenha sido sincero com sua
própria opinião, o tetracampeão foi deselegante ao rebaixar a categoria 100%
elétrica que neste sábado completa a rodada dupla da 4ª e 5ª etapa da temporada
2025/26, em Jeddah, na Arábia Saudita, com largada prevista para às 14h.
Verstappen disse que gosta de pilotar no limite e “no
momento isso não é possível com esses carros”. O holandês que tem contrato até
o final de 2028 com a Red Bull não fugiu à pergunta na coletiva de imprensa se
reveria sua opinião caso tenha um carro vencedor nesta temporada? E falou
abertamente pela primeira vez na possibilidade de abandonar a F1: “Para mim, um
carro vencedor não importa. Nesta fase da minha carreira, o mais importante é
que seja divertido pilotar”. E acrescentou estar explorando outras coisas fora
da F1 para se divertir, já que este regulamento estará em vigor por bom tempo.
Um dia antes, foi Lewis Hamilton quem criticou o
regulamento, alegando que nenhum fã da F1 vai entendê-lo. “As novas regras de
gerenciamento de energia são ridiculamente complexas. É como se você precisasse
de um diploma para entender completamente tudo isso”, disse.
O mexicano Sergio Perez que está de volta à F1 depois de um
ano afastado, agora como piloto da estreante Cadillac, acha que tudo pode se
tornar caótico, principalmente nas primeiras corridas. “É uma F1 extremamente
diferente da que eu estava acostumado”.
Não é só os pilotos que estão sentindo os impactos do novo
regulamento. Comentaristas de F1 terão mais trabalho para transmitir para o
público o que estará acontecendo durante as corridas. Para recarregar a bateria
durante cada volta, haverá diferentes situações para interpreta-las. Haverá
pilotos tirando o pé ao final das retas, outros freando antes do ponto ideal,
outros reduzindo marchas pesadas bruscamente; tudo isso para recuperar os
níveis de energia e saber onde usar essa potência para não ficar vulnerável ao
final de cada volta. É de fato uma F1 tão diferente, ao ponto de este
colunista, com quase 50 anos acompanhando a categoria, jamais ter precisado
estudar tanto um regulamento como agora.


