Polícia Civil conclui inquérito e indicia mulher por maus-tratos no caso do cão Doidão
Animal comunitário desapareceu após ser levado da região da Estação; inquérito foi remetido ao Judiciário e pena pode chegar a cinco anos de prisão
A Polícia
Civil concluiu o inquérito que apurou o desaparecimento do cachorro comunitário
conhecido como Doidão, ocorrido no início de fevereiro, em São Sebastião do
Paraíso. Conforme nota divulgada na quarta-feira, 12, uma mulher de 54 anos foi
indiciada pelo crime de maus-tratos a animal qualificado, e o procedimento foi
encaminhado ao Poder Judiciário para as providências cabíveis.
O
caso ganhou repercussão após o desaparecimento do animal, que vivia há mais de
dez anos na região da Casa Cultura (Estção), onde circulava livremente e era
alimentado e cuidado por moradores. Doidão era considerado um cachorro
comunitário e fazia parte da rotina de quem frequentava o local.
De
acordo com a investigação, no dia 2 de fevereiro, o cão teria sido atraído para
o interior da residência da investigada. Imagens obtidas durante as diligências
mostram a mulher chamando o animal para dentro do imóvel. Após esse momento,
Doidão não foi mais visto na região, o que gerou preocupação e mobilizou
moradores, protetores independentes e a Associação Anjos de Resgate, que
iniciaram uma campanha nas redes sociais em busca de informações.
Ainda
conforme apurado, a mulher teria relatado a vizinhos que levou o cachorro até a
zona rural do município de São Tomás de Aquino, onde o abandonou em uma estrada
vicinal. A Polícia Civil foi comunicada do desaparecimento um dia após o
ocorrido, quando deu início às diligências para tentar localizar o animal e
encaminhá-lo a atendimento veterinário.
Durante
o curso do inquérito, foram realizadas busca e apreensão na residência da
investigada, coleta de imagens de câmeras de segurança e de sistemas de
monitoramento policial, além da oitiva de seis testemunhas. A investigação
também analisou vídeos gravados por populares e reconstituiu o trajeto percorrido
pelo veículo da indiciada, desde sua residência até as proximidades do local
onde o cachorro foi visto e filmado pela última vez, por volta das 18h38 do
mesmo dia.
Segundo
a Polícia Civil, duas testemunhas relataram ter visto o animal já sem vida nas
imediações da estrada onde teria ocorrido o abandono. No entanto, apesar das
buscas realizadas, o cachorro não foi localizado, não havendo confirmação
oficial da morte de Doidão.
Em
interrogatório, a mulher afirmou que deixou o cão em uma estrada vicinal próxima
a uma propriedade rural, na expectativa de que moradores da região pudessem
encontrá-lo e cuidar do animal.
Diante
do conjunto de provas reunidas, a Polícia Civil indiciou a investigada pelo
crime de maus-tratos a animal qualificado, cuja pena máxima prevista é de até
cinco anos de reclusão, além de multa. O inquérito policial foi remetido ao
Poder Judiciário para análise e eventual responsabilização penal.
A
repercussão do caso também resultou em uma manifestação popular no último
sábado, em frente à Casa da Cultura, reunindo dezenas de defensores da causa
animal do município, que cobraram justiça e o esclarecimento completo dos
fatos.
A
Polícia Civil reforçou, por meio da nota, que abandonar, agredir, matar ou
praticar qualquer forma de maus-tratos contra animais constitui crime, e
orientou a população a denunciar esse tipo de conduta aos órgãos policiais.
SEGUNDO
CASO RECENTE DE MAUS-TRATOS
lém
do caso Doidão, São Sebastião do Paraíso registrou, nos últimos dias, um
segundo episódio de maus-tratos a animais. Uma cadela de aproximadamente seis
meses, chamada Cristal, foi encontrada com um ferimento profundo na região do
tórax e encaminhada para atendimento veterinário pela Associação Anjos de
Resgate. O animal apresentou boa evolução clínica e segue em recuperação. O
caso ainda deverá ser formalmente comunicado às autoridades para as
providências cabíveis.


