Audi extensão da Sauber e Cadillac a caçula da F1
Desde 2014 que não havia equipe nova na categoria. Cadillac precisou desembolsar 450 milhões de dólares para ser a 11ª do grid
Audi e Cadillac fazem suas estreias na F1 nesta temporada. A
primeira comprou a Sauber em 2022 e se preparou até agora para assumir a
condição de equipe de fábrica. Embora tenha longa história de sucesso no
automobilismo com dezenas de vitórias nas 24 Horas de Le Mans, Mundial de Rali
(WRC), Fórmula E, Rali Dakar, é a primeira vez que coloca seu nome na principal
categoria do automobilismo. A segunda chegou em voo cego, sem nenhuma
experiência na F1, embora, assim como a Audi, tem um vasto histórico de sucesso
nas pistas pelo mundo.
Na verdade, não era bem a Cadillac que deveria entrar como a
11ª equipe do grid, e sim a Andretti que possui estrutura gigantesca e tinha
planos ambiciosos para competir, mas foi miseravelmente rejeitada pela própria
F1, assim como os chefes de equipes. A justificativa era a insatisfação em ter
que dividir os lucros das receitas da F1 com uma 11ª equipe sem ter a certeza
de que ela agregaria valor ao esporte. Mas sabe-se que alguns diretores da
Liberty Media, dona da F1, foram o principal entrave para impedir a inscrição
da Andretti por rixas pessoais com um dos donos da equipe, Michael Andretti,
filho do lendário Mario Andretti, campeão Mundial da F1 em 1978 e da F-Indy.
As portas se abriram para a nova equipe somente 366 dias antes
da estreia no Grande Prêmio da Austrália, no próximo final de semana em
Melbourne, depois que Michael Andretti saiu de cena e a GM (General Motors)
entrou na jogada com sua marca de luxo, a Cadillac. Estima-se que a Cadillac
pagou cerca de US$450 milhões, valor que foi dividido entre as demais equipes
para compensar as perdas que terão em dividir os lucros da F1 com a nova
equipe.
Tudo é novo para a Cadillac que correrá com motores Ferrari,
enquanto a GM trabalha na construção de seu próprio motor programado para
estrear em 2028. A equipe optou pela experiência de Sergio Perez e Valtteri
Bottas, dois pilotos que estavam afastados da F1 em 2025 para formar dupla,
preterindo pilotos mais jovens, como Felipe Drugovich que diante da recusa,
direcionou sua carreira para a Fórmula E. Mas tem brasileiro na Cadillac,
Pietro Fittipaldi, ajudando no desenvolvimento dos carros em simuladores e como
piloto reserva.
Estima-se que a Audi tenha desembolsado cerca de 600 milhões
de euros na compra da Sauber, um negócio considerado vantajoso lá em 2022, na
medida em que as equipes da F1 estão todas avaliadas atualmente em mais de um
bilhão de euros. Mercedes e McLaren, por exemplo, estão avaliadas em mais 6,0
bilhões de euros e 5,0 bilhões de euros respectivamente. Diferente da Cadillac
que será cliente da Ferrari nos primeiros anos, a Audi estreia produzindo seu
próprio motor e juntamente com a Red Bull que pela primeira vez está
construindo seu próprio motor em parceria com a Ford, receberam bônus de 25
milhões de euros cada entre 2023 e 2025 e 30% a mais de tempo no banco de
provas para que possam estar o mais próximas possível do desempenho dos outros
fornecedores.
Diante das mudanças de regulamento, a Federação
Internacional de Automobilismo estabeleceu as 6ª, 12ª e 18ª etapas de um total
de 24 corridas como avaliação de desempenho e potência dos motores. Os que
estiveram 2% atrás poderão escolher entre receber mais dinheiro para
desenvolvimento, mais tempo no banco de provas ou re-homologação dos motores.
Os que estiverem 4% ou mais em desvantagem, poderão escolher dois itens.
No período de transição, a Sauber saltou de 4 pontos em 2024 para 70 no ano passado, um desempenho animador para a Audi que manteve a mesma dupla de pilotos de 2025, o brasileiro Gabriel Bortoleto que vai para sua segunda temporada na F1, e o experiente Nico Hulkenberg que inicia sua 15ª temporada. Diferente da Cadillac que precisou desembolsar um caminhão de dinheiro para entrar na F1, a Audi não precisou pagar por ser sequência da agora extinta Sauber.

