F1 sobreviveu aos temores do novo regulamento

Embora a F1 comemore 120 ultrapassagens, a maioria delas foi do tipo “gato e rato” por conta do regulamento de motores que tornou as ultrapassagens artificiais
Foto: F1 / Divulgação
Leclerc e Russell trocaram 7 vezes de posição nas dez primeiras voltas, mas só por conta da falta, e recuperação, de energia das baterias

O Grande Prêmio da Austrália agradou. Foi uma boa corrida com início bastante movimentado e com várias trocas de liderança entre o pole position George Russell e Charles Leclerc que assumiu a ponta na largada saindo da 4ª posição. A vitória foi do britânico Russell, com Kimi Antonelli se recuperando de um começo ruim para terminar em 2º, garantindo a dobradinha da Mercedes que confirmou o favoritismo como se esperava desde os testes de pré-temporada.

A Mercedes assombrou na classificação de sábado quando Russell fez a pole position com 0s7 décimos de vantagem sobre o 3º colocado do grid, Isack Hadjar, da Red Bull. Mas na corrida, o desempenho da Ferrari surpreendeu até seus próprios pilotos e disputou a vitória enquanto esteve na frente. Não sabemos qual desfecho teria sido no final se a Ferrari tivesse parado ao menos um de seus pilotos, Leclerc ou Hamilton, na mesma volta em que a Mercedes aproveitou um Safety Car Virtual para trocar os pneus de seus dois pilotos. Charles Leclerc terminou em 3º e Lewis Hamilton que parece muito mais tranquilo do que no ano passado, terminou em 4º depois de largar da 7ª posição.

Um dos destaques da primeira corrida do ano foi o estreante Arvid Lindblad, de 18 anos, que andou durante todas as sessões de treinos livres, classificação e corrida entre os 10 primeiros e terminou em 8º, somando seus primeiros pontos logo na estreia com a Racing Bulls. Lindblad torna-se o 357º piloto a pontuar na F1 desde 1950, e o terceiro mais jovem da história a somar pontos. Gabriel Bortoleto também se destacou durante o final de semana ao largar em 10º e terminar a corrida em 9º, somando os primeiros pontos da estreante Audi.

O atual campeão, Lando Norris, que no sábado disse “deixamos de dirigir os melhores carros da história para dirigir os piores”, terminou em 5º, uma posição à frente de Max Verstappen, que bateu na classificação do sábado e largou da 20ª posição.

Vários pilotos reclamaram do atual regulamento por conta do gerenciamento da energia elétrica que teve a potência triplicada para entregar 50% da potência juntamente com outros 50% do motor de combustão interna. Max Verstappen é um dos mais insatisfeito com a nova forma de pilotar que o regulamento agora exige. “Não estou me divertindo. Você pode tentar abrir a sua mente, mas quando observa pelas imagens da câmera onboard, vê a realidade”. Ele se referia ao estilo de pilotagem em que os pilotos precisam tirar o pé do acelerador no final das retas, ou usar uma marcha menor para recarregar a bateria, sem contar quando o próprio software do motor entra em ação e mesmo que o piloto permaneça com o pé embaixo, a potência despenca no final da reta. Tudo isso torna a F1 de certa forma artificial, o que vai contra a sua essência. 

F1 FICOU MAIS PERIGOSA
Ainda há muito trabalho a ser feito nos carros e isso só se corrige com o tempo. Mas embora a F1 seja rápida em encontrar soluções e tenha comemorado o elevado número de ultrapassagens na corrida - 120 contra 45 no GP do ano passado, ainda que a maioria artificialmente -, é visível que a F1 está mais perigosa. Durante o final de semana, Sergio Perez da estreante Cadillac, Kimi Antonelli, Verstappen e Oscar Piastri sofreram acidentes estranhos que normalmente não aconteceriam nas condições normais de pista seca. Há um temor nas largadas em que os pilotos precisam alimentar o turbo antes de partir. Vários deles não carregaram a bateria com carga máxima durante a volta de apresentação e ficaram expostos. Por sorte ninguém ficou parado no grid, embora Liam Lawson tenha largado muito mal e causado grande susto em Franco Colapinto que por reflexo e muita sorte escapou de um grave acidente, o que fez George Russell levantar da cadeira com as mãos na cabeça quando viu as imagens depois da corrida.

Esse é um detalhe que precisa urgentemente ter o risco diminuído para que não haja um acidente de grandes proporções nas corridas. As primeiras voltas, com todo o pelotão cheio da potência disputando posições com o ‘modo de reta’ (asas traseiras e dianteiras abertas para ganhar mais velocidade, novidade do regulamento), também mostrou seu um ponto perigoso no início das corridas.

A F1 está na China neste final de semana para a 2ª etapa que tem a primeira de seis corridas sprint do ano. A sprint começa à meia noite de sexta para sábado; a classificação às 4h, e a corrida às 4h da manhã deste domingo.