Qual Fórmula 1 os pilotos e fãs querem ter?

O GP da China foi uma corrida animada com disputas intensas e muitas ultrapassagens, mas até que ponto o novo regulamento está fazendo bem ou mal para a própria categoria?
Foto: Reprodução/F1
As corridas tem sido boas, mas é preciso ajustes no regulamento para as ultrapassagens ficarem menos artificiais

Se uma pessoa que não acompanha a F1 e por acaso estava acordada de madrugada (no Brasil) e assistiu ao GP da China, provavelmente se tornou um novo fã da categoria. Foi uma corrida espetacular do ponto de vista show(!) com disputas intensas entre os pilotos da Mercedes contra os da Ferrari, e uma briga acirrada, roda a roda, entre Lewis Hamilton e Charles Leclerc, mas honesta, respeitando os espaços sem infringir as regras ou as leis da física, e que resultou na volta de Hamilton ao pódio depois de 28 corridas - o primeiro com a Ferrari. Mas há aqueles da velha guarda que estão achando tudo meio artificial por conta do novo regulamento de motores. A vitória foi de Kimi Antonelli, a primeira dele na F1, tornando-se o 116º piloto diferente a vencer uma corrida na categoria desde 1950. No sábado, Antonelli havia feito a pole position, tornando-se o mais jovem piloto da história a conquistar o feito aos 19 anos e 6 meses, superando o recorde de jovialidade que pertencia a Sebastian Vettel desde 2008 quando conquistou a primeira pole position aos 21 anos e 2 meses, marca que durou 17 anos até ser quebrada por Antonelli.

O jovem piloto da Mercedes quebrou outro tabu no domingo, o de 20 anos sem vitória de um italiano na F1 desde a conquista de Giancarlo Fisichella no GP da Malásia de 2006, quando Antonelli ainda estava na barriga de sua mãe!

Antonelli que estreou na F1 ano passado como substituto de Lewis Hamilton na Mercedes, fez corrida de gente grande apesar da pouca idade - ele não se tornou o mais jovem vencedor porque Max Verstappen tinha somente 18 anos e 7 meses quando venceu pela primeira vez em 2016 - e soube tirar proveito do ótimo carro da Mercedes para se livrar dos ataques da Ferrari no começo da corrida, e do companheiro de equipe, George Russell, que também precisou duelar com Hamilton e Leclerc e perdeu tempo em relação ao líder da prova.

Mais atrás, Oliver Bearman fez outra corrida espetacular com a Haas, terminando em 5º e tirando proveito dos problemas mecânicos que impediram os dois carros da McLaren, de Lando Norris e Oscar Piastri, de disputar a corrida, assim como do abandono de Max Verstappen por problemas no sistema elétrico de seu Red Bull. Outros dois carros também sequer largaram por motivos semelhantes, o Audi de Gabriel Bortoleto, e a Williams de Alex Albon. Dos 22 carros, apenas 18 largaram e 15 receberam a bandeirada, um alto índice de abandonos por conta dos complexos sistemas elétricos dos carros deste ano.

Mas é preciso dizer que há muitas coisas que precisam ser analisadas e, com bom senso, modificadas na medida do possível para manter as disputas interessantes sem perder a essência de categoria máxima do automobilismo, que é o desafio de homens e máquinas andando o tempo todo no limite. É doído ver os carros perderem potência no meio da reta e os pilotos não poderem fazer nada por conta do carregamento de baterias. Isso vai contra a natureza e o instinto dos pilotos. No entanto, há uma divisão de opiniões entre os que estão obtendo bons resultados e aqueles que não.

É aí que entra Max Verstappen, um crítico contundente desse novo formato que a F1 adotou para esse ano com a divisão 50 a 50% da potência do motor a combustão e da parte elétrica em que os pilotos têm que gerenciar o consumo de energia o tempo todo, impactando significativamente no estilo de pilotagem. 

Após abandonar o GP da China, o holandês foi duro nas declarações dizendo que “se alguém gosta disso é porque realmente não sabe o que é corrida de verdade. É como jogar ‘Mario Kart’ (videogame). Você acelera, ultrapassa, fica sem bateria, e na próxima reta é ultrapassado de novo. Para mim, isso é uma piada”. Verstappen disse ainda que fala em nome da maioria dos pilotos e dos fãs da F1 que “não estão satisfeitos com isso”.

Fernando Alonso, da problemática Aston Martin, economizou nas palavras e apenas classificou de “esse campeonato de baterias”.

Mas Lewis Hamilton disse que “foi incrível, a melhor corrida que já presenciei na F1; espero que tenha sido emocionante para vocês, porque dentro do carro foi incrível”.

Com o cancelamento dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita por conta dos conflitos no Oriente Médio, a F1 terá o mês de abril para estudar alternativas e fazer ajustes no regulamento sem tirar o prazer dos pilotos em pilotar, e tornar as ultrapassagens menos artificiais por conta do gerenciamento de energia. A próxima etapa será o GP do Japão, no próximo final de semana, antes do recesso.