Chefe deixa a Audi antes de completar um ano no comando

Ex-chefe da equipe de Gabriel Bortoleto, Jonathan Wheatley trocou a Audi para se aventurar no comando da pior equipe da F1 neste início de temporada
Foto: Divulgação
Jonathan Wheatley ao lado do brasileiro Gabriel Bortoleto a quem foi só elogios em sua passagem pela Audi

A temporada da F1 mal começou e a Audi, do brasileiro Gabriel Bortoleto, sofreu a primeira baixa: Jonathan Wheatley, contratado a peso de ouro em abril do ano passado, não é mais o chefe da equipe. O britânico pediu para sair depois de apenas 354 dias no comando do time alemão com sede na Suíça. O destino de Wheatley, que desde que chegou à Audi foi só elogios ao trabalho de Bortoleto, deve ser a Aston Martin. A saída anunciada no final da semana passada teve efeito imediato, mas até o fechamento desta coluna não havia a confirmação de sua contratação pela equipe britânica que vive um começo de temporada tão dramático quanto vexatório. A Aston Martin amarga a lanterna do campeonato depois de duas corridas, mas está longe de ter seus problemas mecânicos resolvidos com o atraso no desenvolvimento dos motores por parte da Honda.

Por trás da iminente contratação de Jonathan Wheatley há três motivos: o primeiro é a sede da Aston Martin na Inglaterra, onde o (provável) novo chefe de equipe voltará a morar próximo da família. O segundo, era a falta de sintonia que Wheatley vinha tendo com Mattias Binotto, que também tem cargo de chefe de operações, embora esse não fosse um problema grave que justificasse a saída. Mas fontes afirmam que havia um certo ciúme quando um interferia no trabalho do outro, e isso estava acontecendo. E por fim, voltar a trabalhar com Adrian Newey, com quem Wheatley trabalhou por 20 anos na Red Bull.

Adrian Newey se desligou da Red Bull no ano passado e foi contratado para ser o responsável do novo carro da Aston Martin. Surpreendentemente, em novembro passado o britânico, um dos melhores e mais vitoriosos projetistas de todos os tempos da F1, foi anunciado como chefe de equipe, sendo que esse nunca foi o seu verdadeiro papel no mundo das corridas. Uma visita à fábrica da Honda, no Japão, expôs a Newey que 2026 seria um ano de grandes dificuldades. O modelo AMR26 nasceu errado e falta potência do motor, além da falta de reposição de baterias nas duas primeiras corridas do ano. O carro sofre de graves vibrações provocadas pelo motor ao ponto de Fernando Alonso e Lance Stroll não conseguirem completar mais do que 30 voltas por conta de danos físicos nos dedos das mãos. Após abandonar o GP da China, Alonso relatou que não sentia os dedos das mãos e os pés devido às vibrações.

Há muito trabalho na Aston Martin que investiu pesado na reestruturação da equipe por parte de seu dono, Lawrence Stroll, bilionário canadense, pai do companheiro de Alonso, Lance Stroll. E a chegada de Jonathan Wheatley, ex-mecânico e que se tornou braço direito de Newey nos tempos de Red Bull, deverá fazer com que o projetista se dedique exclusivamente no desenvolvimento do problemático AMR26, enquanto Jonathan se encarregue de colocar a equipe nos trilhos da mesma forma com que vinha estruturando tão bem a Audi. Quanto a Audi, até o fechamento desta coluna não havia manifestado o interesse de contratar outro substituto para ocupar a vaga deixada pelo ex-chefe, cargo que agora passa a ser ocupado por Binotto.

A F1 está no Japão, e o Circuito de Suzuka é um meio termo entre os traçados de Melbourne, na Austrália, onde o novo regulamento deixou uma má impressão com os pilotos tendo que tirar o pé do acelerador o tempo todo para carregar as baterias, e o da China, onde as disputas foram mais normais, mas ainda assim deixou muita gente em dúvida se esse modelo de F1 é bom ou ruim. Para a classificação do GP do Japão nesta madrugada de sábado, a Federação Internacional de Automobilismo fez ajustes nos motores para que os pilotos possam andar mais próximos do limite sem ter que gerenciar tanto o consumo de energia da parte elétrica. Suzuka com suas curvas de alta velocidade e poucas frenagens tende a tornar os carros famintos por energia, não tanto como na Austrália, mas pior em relação ao Circuito de Xangai. Isso significa que a terceira etapa do campeonato será um bom teste para a F1 analisar o que mais terá que ser feito para tornar as regras menos complexas durante o intervalo do mês de abril por conta do cancelamento dos Grandes Prêmios do Bahrein e da Arábia Saudita em função dos conflitos no Oriente Médio.

O GP do Japão terá a classificação nesta madrugada de sexta-feira para sábado às 3h, e a corrida na madrugada de domingo às 2h.