Projeto cria política municipal de proteção aos cães comunitários em Paraíso
Proposta apresentada pelo vereador Biju, leva o nome de “Lei Cão Doidão” e prevê diversas medidas e multas
A
Câmara Municipal de São Sebastião do Paraíso recebeu, na sessão de
segunda-feira, 11, projeto de lei que propõe a criação de uma política
municipal permanente voltada à proteção dos cães comunitários. A iniciativa,
apresentada pelo vereador Juliano Reis, o Biju, tem como referência o caso do
cachorro Doidão, animal que vivia há mais de dez anos na região da Estação e da
Casa da Cultura e cujo desaparecimento mobilizou moradores, protetores
independentes e entidades ligadas à causa animal no município.
O
projeto, denominado “Lei Cão Doidão”, cria a Política Municipal de Proteção aos
Cães Comunitários e busca reconhecer os animais que vivem em bairros, praças,
ruas e demais espaços públicos, mas que recebem cuidados coletivos de
moradores, comerciantes, voluntários e protetores. A proposta transforma a
repercussão do caso em uma tentativa de regulamentar, no âmbito municipal,
ações de proteção, cuidado e fiscalização.
De
acordo com o vereador Juliano Reis, a intenção da proposta vai além da
homenagem ao cão comunitário. “Minha intenção com esse projeto vai muito além
de reverberar o caso do cão Doidão, que infelizmente não teve o desfecho que a
população e os protetores esperavam. A proposta busca transformar uma situação
que gerou indignação em uma política pública permanente, uma ação concreta de
proteção animal em São Sebastião do Paraíso”, afirma.
Entre
as medidas previstas no projeto estão a possibilidade de cadastro municipal dos
cães comunitários e de seus cuidadores, prioridade para castração e vacinação
desses animais, combate ao abandono e à remoção irregular, criação de canal de
denúncias, realização de campanhas educativas e aplicação de sanções
administrativas contra pessoas que pratiquem maus-tratos ou prejudiquem os
animais e aqueles que atuam em sua proteção.
A
proposta também busca valorizar o papel dos cuidadores comunitários, pessoas
que, muitas vezes sem qualquer apoio formal, assumem a responsabilidade de
alimentar, oferecer água, acompanhar e zelar por animais que vivem em espaços
públicos. Para o autor do projeto, essa atuação deve ser reconhecida como parte
de uma política mais ampla de proteção animal, saúde pública e organização
urbana.
“Além
da homenagem simbólica, a lei traz medidas práticas e exequíveis, como
prioridade em castração e vacinação, combate ao abandono e à remoção irregular,
canal de denúncias, possibilidade de cadastro municipal, campanhas educativas e
sanções administrativas para quem praticar maus-tratos ou prejudicar esses
animais e seus cuidadores”, ressalta Biju.
O
vereador também afirma que a proposta une diferentes áreas de interesse
público. “É um projeto que une causa animal, saúde pública, organização urbana
e respeito à comunidade. A ideia é que um episódio triste sirva para gerar
avanços reais, para que situações semelhantes não voltem a acontecer e para que
nossa cidade avance na proteção dos animais”, destaca.
O
CASO “CÃO DOIDÃO”
O
caso que motivou a elaboração do projeto ganhou repercussão após o
desaparecimento de Doidão, no início de fevereiro. O animal era conhecido por
circular livremente pela região da Estação e da Casa da Cultura, onde era
alimentado e cuidado por moradores e protetores. Por fazer parte da rotina do
local, era considerado um cão comunitário.
A
Polícia Civil concluiu o inquérito que apurava o desaparecimento e, conforme
nota oficial divulgada em março, indiciou uma mulher de 54 anos pelo crime de
maus-tratos a animal qualificado. Segundo a investigação, no dia 2 de
fevereiro, o cão teria sido atraído para o interior da residência da
investigada. Imagens obtidas durante as diligências mostram a mulher chamando o
animal para dentro do imóvel. Depois disso, Doidão não foi mais visto na
região.
Ainda
conforme o inquérito, a mulher teria relatado a vizinhos que levou o cachorro
até a zona rural de São Tomás de Aquino, onde o abandonou em uma estrada
vicinal. Durante a investigação, a Polícia Civil realizou busca e apreensão na
residência da investigada, coletou imagens de câmeras de segurança e de
sistemas de monitoramento policial, ouviu testemunhas e reconstituiu o trajeto
feito pelo veículo da mulher.
Duas
testemunhas relataram à polícia ter visto o animal já sem vida nas imediações
da estrada onde teria ocorrido o abandono. No entanto, apesar das buscas
realizadas, o cachorro não foi localizado, não havendo confirmação oficial da
morte de Doidão. O inquérito foi remetido ao Poder Judiciário para análise e
eventual responsabilização penal.
A
repercussão do caso também resultou em manifestação popular em frente à Casa da
Cultura, reunindo defensores da causa animal que cobraram justiça e
esclarecimento dos fatos. Para o vereador, a mobilização demonstrou a
necessidade de o município avançar em normas específicas para proteger animais
comunitários e orientar a atuação do poder público e da sociedade.
Ao final da sessão de segunda-feira, o projeto foi aprovado como objeto de deliberação. Com isso, a proposta seguirá para análise das comissões de Defesa dos Direitos dos Animais e de Finanças, Justiça e Legislação, antes de retornar ao plenário para discussão e votação pelos vereadores.


