Projeto quer responsabilizar donos e empreendedores por abandono de lotes em novos bairros

Proposta apresentada por Juliano Carlos Reis, o Biju, busca atualizar o Código de Posturas e dar mais instrumentos para fiscalização de terrenos com mato alto, lixo, entulho e risco de animais peçonhentos
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O vereador Juliano Carlos Reis, o Biju, apresentou na sessão da Câmara Municipal de segunda-feira, 18, um projeto de lei que busca ampliar a responsabilidade pela conservação e manutenção de lotes não edificados em loteamentos novos ou em fase de consolidação urbana em São Sebastião do Paraíso. A proposta tem como objetivo combater o abandono de terrenos, principalmente em bairros onde já existem famílias morando ao lado de áreas tomadas por mato alto, lixo, entulho e com risco de aparecimento de animais peçonhentos.

O projeto altera lei de 30 de novembro de 1966, que institui o Código de Posturas do Município. O texto acrescenta artigo à legislação, estabelecendo que, nos loteamentos aprovados pelo Município e ainda em fase de implantação, comercialização ou consolidação urbana, os lotes não edificados deverão ser mantidos em condições adequadas de limpeza, capina, roçada, drenagem e livres de resíduos, entulhos, materiais ou objetos que possam favorecer a proliferação de vetores, animais nocivos ou peçonhentos, risco de incêndio ou degradação urbana.

Pela proposta, a responsabilidade principal pela manutenção será do proprietário constante no Cadastro Imobiliário Municipal ou do compromissário comprador, cessionário, possuidor ou ocupante do lote. No entanto, quando não houver atualização cadastral adequada, identificação suficiente do responsável direto ou comunicação formal da venda ao Município, o loteador, empreendedor ou responsável pela implantação do loteamento poderá ser chamado a regularizar a situação ou atender às notificações administrativas cabíveis.

Biju afirmou que a proposta busca corrigir uma falha existente na legislação municipal e dar mais condições para que a Vigilância Sanitária possa agir diante de situações recorrentes em loteamentos da cidade. Segundo ele, o problema atinge bairros como Vila Paraíso, Portal dos Ipês e Nascente Paraíso.

“O que eu quero com isso é qualidade de vida para as pessoas, principalmente para as mais humildes. Essa falha na lei, essa brecha, abre espaço para a omissão, infelizmente. Um Código de Posturas de 1966 precisa ser atualizado, precisa ter esses mecanismos para a Vigilância Sanitária poder direcionar a notificação e responsabilizar as pessoas por essa situação que acaba deixando o cidadão refém de escorpião, aranha, ratos e cobras”, afirma.

O vereador destacou que o impacto do abandono dos terrenos é direto sobre as famílias que já vivem nesses bairros. No caso do Vila Paraíso, ele afirmou que cerca de 30% a 35% dos lotes já contam com construções e moradores. Para Biju, essas famílias não podem ser prejudicadas pela falta de manutenção de terrenos vizinhos. “Um loteamento tem que ser urbanizado de forma responsável e organizada, porque o impacto é direto nas famílias que moram lá. No caso específico do Vila Paraíso, acredito que 35% já está com suas construções, com famílias morando. Vocês acham justo essas pessoas, que confiaram no loteamento, ficarem reféns de uma criança ou um idoso tomar uma picada de cobra por falta de manutenção?”, questiona.

Biju também rebateu o argumento de que alguns proprietários não teriam condições de realizar a limpeza dos lotes. Para ele, a prioridade deve ser a proteção de quem já reside no local. “Coitadinho é a família que está morando lá e está refém dessa situação. Quem compra terreno tem que manter limpo. A gente tem que tratar aqui da qualidade de vida da nossa população. Não dá para colocar a omissão quanto à responsabilidade da manutenção do próprio terreno colocando a culpa no outro”, ressalta.

Na justificativa do projeto, o vereador aponta que moradores de regiões em expansão convivem diariamente com lotes vizinhos em situação de abandono, tomados por mato alto, descarte irregular de lixo e ausência de manutenção mínima. O texto também cita relatos frequentes de aparecimento de escorpiões, cobras, ratos, insetos e outros animais nocivos ou peçonhentos, especialmente em locais onde vivem crianças e idosos.

Outro ponto levantado por Biju é o descarte irregular de lixo e entulho nesses terrenos, além da prática de queimadas para limpeza de áreas. Segundo ele, esse comportamento agrava problemas de saúde pública, especialmente em pessoas com doenças respiratórias, crianças e idosos, além de sobrecarregar o sistema de saúde. “O que passa na cabeça de uma pessoa para tacar fogo e usar esse mecanismo para limpeza de terreno? As pessoas com problemas respiratórios, crianças e idosos acabam sofrendo. Depois a UPA fica cheia. Então, minha proposta é gerar qualidade de vida. Eu não estou perseguindo ninguém, mas nós precisamos desse mecanismo para que a Vigilância consiga seguir com sua notificação e promover a limpeza desses terrenos”, afirma.

O projeto ainda prevê que a simples alegação de venda, promessa de compra e venda, cessão ou contrato particular não afasta os efeitos administrativos da lei sem a correspondente regularização cadastral. Também estabelece que, persistindo a irregularidade, o Município poderá adotar as providências administrativas previstas na legislação vigente, respeitado o devido processo legal.

Para Biju, a proposta busca garantir que o crescimento urbano ocorra de forma mais organizada e responsável. Ele afirma que moradores que investem em suas casas e passam a viver nesses bairros não podem ser obrigados a conviver com insegurança, sujeira, animais peçonhentos, queimadas e transtornos provocados pelo abandono dos terrenos.

De acordo com a justificativa do PL, a medida não busca impor ônus indevido ao setor produtivo nem criar penalização desproporcional, mas oferecer um mecanismo razoável para aprimorar a eficiência administrativa, permitindo que, em casos específicos de ausência de informação cadastral suficiente, o empreendedor responsável pela implantação do loteamento também possa ser acionado até a regularização da situação.