Um grande desafio para Katherine Legge
Britânica de 45 anos pode se tornar a primeira mulher a completar 1.100 milhas de corridas com a dobradinha Indy/Nascar neste domingo
Por um daqueles caprichos -
evitáveis - do calendário, a F1 marcou para este domingo (24) o Grande Prêmio
do Canadá poucas horas depois do encerramento das 500 Milhas de Indianápolis. A
torcida é para que não haja atrasos nem interrupções na tradicional corrida da
Indy.
Se por um lado foi positivo que o
GP de Mônaco tenha deixado de coincidir com as 500 Milhas de Indianápolis, uma
das competições mais importantes do automobilismo mundial, por outro, causou
surpresa o anúncio feito pela F1 no ano passado de que atravessaria o Atlântico
para correr em Montreal no mesmo dia da Indy 500, o que é uma pena. A previsão
é de que coincidências desse tipo ocorram apenas a cada cinco anos. A
antecipação do GP do Canadá para maio teve como objetivo racionalizar o
calendário da F1, tornando logisticamente mais sustentável o reagrupamento das
provas de Miami e Montreal antes de retornar para a Europa.
Para minimizar o conflito, a
largada da quinta etapa do Mundial de F1 foi adiada para as 16h locais (17h de
Brasília). Já as 500 Milhas de Indianápolis seguem com a largada em seu horário
tradicional: 11h locais (13h de Brasília).
Embora o fim de semana divida as
atenções entre Indianápolis e Montreal - que recebe pela primeira vez em sua
programação uma corrida sprint - os holofotes estarão voltados para Katherine
Legge. A britânica tentará um feito inédito: tornar-se a primeira mulher a
completar o chamado “The Double”, a dobradinha Indy/Nascar que combina as 500
Milhas de Indianápolis com a Coca-Cola 600 da Nascar, em Charlotte, no mesmo
dia.
Será um desafio dentro e fora das
pistas. Para que tudo funcione, não poderá haver atraso nas 200 voltas da Indy
500 no oval do Indianápolis Motor Speedway, além de toda a logística de
deslocamento aéreo entre Indianápolis e Charlotte, na Carolina do Norte.
Legge será a sexta piloto da
história a tentar o feito - a primeira mulher -, e também a primeira
estrangeira a embarcar nessa aventura. Se conseguir completar as duas provas,
também será a mais velha a atingir a marca.
“Poucos pilotos têm a
oportunidade de tentar o The Double, e eu não levo isso de ânimo leve. Este desafio
trata de ultrapassar limites, apostar em si mesmo, assumir riscos e tentar algo
único”, afirmou a piloto em comunicado oficial.
Katherine soma 47 corridas na
Indy e fará sua quinta participação nas 500 Milhas de Indianápolis. Na Nascar,
será apenas sua nona prova na categoria.
O mais recente a tentar completar
o “The Double”, foi o bicampeão da Nascar, Kyle Larson, no ano passado. Antes
dele, John Andretti foi o primeiro em 1994. Tony Stewart tentou em 1999 e 2001,
enquanto Robby Gordon foi quem mais insistiu com as participações em 2000,
2002, 2003 e 2004. Kurt Busch entrou para a lista em 2014.
Até hoje, apenas Tony Stewart
conseguiu completar as duas corridas no mesmo dia, totalizando 1.100 milhas
(1.769 km). E fez isso em alto nível: terminou em 6º nas 500 Milhas de
Indianápolis e em 3º na Coca-Cola 600, evento que acontece desde 1959. Detalhe:
todos eles são norte-americanos.
Esta será a 110ª edição das 500
Milhas de Indianápolis, disputada pela primeira vez em 1911 e ausente apenas
durante as duas guerras mundiais. O grid terá 33 pilotos, incluindo dois
brasileiros: o estreante Caio Collet, e Helio Castroneves que buscará sua
quinta vitória no templo do automobilismo para se tornar o maior vencedor da
história da prova. A pole position foi conquistada pelo espanhol Alex Palou.


