Em Mônaco, McLaren comemora 60 anos com o milésimo GP

Há uma pequena controvérsia na contagem da McLaren, o que não diminui os motivos para a celebração na pista onde tudo começou em 1966
Foto: Arquivo
Emerson Fittipaldi lidera Niki Lauda em seu primeiro título para a McLaren em 1974

A McLaren celebra os 60 anos de sua estreia na F1 junto de seu milésimo Grande Prêmio. Por um capricho do calendário — favorecido pelo cancelamento dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita —, a celebração histórica acontece justamente onde tudo começou: Mônaco.

A história da McLaren começou em 1963, quando o neozelandês Bruce McLaren fundou a equipe homônima enquanto competia na Tasman Series. O grande salto veio em 1966, quando o próprio Bruce alinhou o modelo M2B nas ruas de Monte Carlo. A estreia da equipe na F1 terminou após nove voltas, devido a um vazamento de óleo do motor, depois de ter largado da décima posição do grid.

Bruce McLaren teve uma carreira sólida na categoria entre 1959 e 1970, interrompida tragicamente por um acidente durante testes em Goodwood que lhe custou a vida aos 32 anos. Disputou 98 Grandes Prêmios, foi vice-campeão em 1960 e venceu quatro corridas. A última delas coincidiu com a primeira vitória da McLaren na F1, no GP da Bélgica, marco inicial da trajetória da equipe, que nas principais estatísticas da F1, só fica atrás da Ferrari — a única presente em todos os campeonatos.

Os carros hoje pilotados por Lando Norris, atual campeão, e Oscar Piastri são frutos do legado deixado por Bruce McLaren. Nesses 60 anos, a equipe conquistou 203 vitórias — 56 delas em dobradinhas —, além de 177 pole positions, 185 melhores voltas, 561 pódios, 10 títulos de Construtores e 13 de Pilotos  — os mais recentes, conquistados no ano passado com Lando Norris.

Ao longo dessas seis décadas, 72 pilotos disputaram ao menos um Grande Prêmio pela McLaren. Norris lidera a lista dos pilotos que mais competiram pela equipe, com 156 participações. Ayrton Senna segue como o maior vencedor da história da McLaren com 35 triunfos. O brasileiro divide com Alain Prost o posto de maior campeão da equipe, com três títulos cada. Prost foi campeão em 1985, 1986 e 1989; e Senna em 1988, 1990 e 1991.

O primeiro título veio com Emerson Fittipaldi em 1974. Depois dele, outros sete pilotos foram campeões pela equipe inglesa: James Hunt, Niki Lauda, os já citados Senna e Prost, Mika Hakkinen, Lewis Hamilton e Lando Norris.

Outro dado curioso é o número de voltas lideradas pela McLaren: 11.943, o equivalente a 57.244 quilômetros — quase uma volta e meia em torno da terra. Mais impressionante ainda é a quilometragem total acumulada pela equipe desde sua estreia: 514.659 quilômetros, distância equivalente ao trajeto da Terra até a Lua e mais um terço do caminho de volta, segundo levantamento do site oficial da F1.

Embora a McLaren esteja comemorando o seu milésimo GP neste fim de semana, alguns estatísticos consideram que a marca só será atingida na próxima etapa, em Barcelona. Isso porque, na China, nenhum de seus carros largou devido a problemas mecânicos. A equipe, porém, argumenta que, por ter participado de todas as sessões de treinos e da corrida Sprint, considera a prova de Xangai válida em sua contagem.

A F1 finalmente chega à Europa depois de passar pela Oceania, Ásia e América do Norte. Embora não existam divisões oficiais no calendário, este fim de semana marca o início da chamada fase europeia da temporada, composta pelos Grandes Prêmios de Mônaco, Barcelona, Áustria, Inglaterra, Bélgica, Hungria, Holanda, Itália e Madri, que receberá a categoria pela primeira vez.

O GP de Mônaco tornou-se um clássico do automobilismo. A prova existe desde 1929, muito antes do surgimento da F1, e esta será sua 72ª edição válida pelo Mundial desde 1950. A corrida só deixou de ser realizada entre 1951 e 1954, e mais recente em 2020 por causa da pandemia.

Depois de cinco corridas, Kimi Antonelli lidera o campeonato com 131 pontos, contra 88 de George Russell e 75 do monegasco Charles Leclerc, que corre em casa e acaba de renovar seu contrato com a Ferrari até 2029. A Mercedes lidera entre os construtores com 219 pontos, seguida pela Ferrari com 147, e pela McLaren com 106.