Grupo de amigos resgata tradição das ruas pintadas para a Copa em Paraíso
Voluntários decoram trecho da rua Dr. Pimenta de Pádua e revivem costume que marcou gerações de torcedores brasileiros
Uma tradição que marcou
gerações de brasileiros voltou a colorir São Sebastião do Paraíso durante a
Copa do Mundo de 2026. Um grupo de voluntários se reuniu para transformar um
trecho da Rua Dr. Pimenta de Pádua, na altura do bairro Lagoinha, com pinturas
temáticas em homenagem ao futebol e à Seleção Brasileira, resgatando um costume
bastante comum nas Copas das décadas de 1980 e 1990.
A iniciativa mobilizou
dezenas de pessoas, entre amigos, familiares, comerciantes e moradores, que
participaram voluntariamente dos trabalhos. Segundo Gustavo Campussalis, o
objetivo foi valorizar a cultura popular e deixar registrada na memória da
população uma lembrança da Copa do Mundo de 2026. “A ideia sempre teve como
principal objetivo levar cultura para nossa cidade e deixar marcada na memória
da população a lembrança de que, na Copa do Mundo de 2026, tínhamos uma rua
decorada para que famílias e amigos pudessem se reunir e torcer pelo Brasil”,
afirmou.
A mobilização ocorreu
principalmente pelas redes sociais, por meio de convites feitos a amigos e
familiares. Os participantes aproveitaram os períodos em que a Guarda Civil
Municipal realizou a interdição da via para executar a pintura. O único
profissional contratado foi o artista Danda, responsável pelos trabalhos de
grafismo.
As pinturas foram
desenvolvidas pela própria equipe e reuniram diversos elementos ligados ao
futebol e à cultura brasileira. Entre eles estão a bandeira do Brasil, o escudo
da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o cachorro caramelo e as imagens
do jogador Neymar e do ídolo Ronaldo. Segundo Campussalis, a intenção foi
representar símbolos que fazem parte da identidade nacional e do imaginário dos
torcedores.
A inspiração para o
projeto veio das lembranças das Copas do Mundo de décadas passadas, quando era
comum encontrar ruas, muros e fachadas decorados em várias cidades do país.
Para o idealizador, a tradição tem perdido força ao longo dos anos. “Nossa
inspiração veio da tradição de ver ruas, avenidas e paredes decoradas com o
tema da Copa do Mundo. As lembranças da infância nos mostraram que essa cultura
está cada vez mais apagada, assim como o entusiasmo em torcer pela nossa
Seleção”, disse.
Na avaliação dele, a
mudança está relacionada a diversos fatores, entre eles a forma como o futebol
é percebido atualmente e as transformações na rotina da população.
“Antigamente, muitos jogadores transmitiam mais paixão pelo esporte. Hoje,
muitas pessoas enxergam o futebol como algo ligado principalmente ao dinheiro,
ao status e à fama. Além disso, a correria do dia a dia também contribuiu para
que essa tradição fosse sendo deixada de lado”, comentou.
O projeto recebeu apoio
dos comerciantes instalados na rua Dr. Pimenta de Pádua e também chamou a
atenção de moradores e visitantes. Durante os dias de trabalho, diversas
pessoas acompanharam a execução das pinturas, registraram fotografias e
participaram da atividade. “Os comerciantes foram os primeiros a oferecer
apoio. Eles nos acolheram muito bem, parabenizaram a equipe pela iniciativa e
disseram compartilhar do mesmo desejo de reviver a essência do futebol
brasileiro”, relatou Campussalis.
Crianças também
participaram da iniciativa, a maioria acompanhada pelos pais. Segundo ele, a
experiência permitiu que os mais jovens tivessem contato com uma tradição que
marcou gerações anteriores. “Todas gostaram muito da experiência, e acredito
que essa lembrança ficará guardada para sempre em suas memórias”, afirmou.
Além do aspecto cultural,
Campussalis acredita que a ação contribuiu para fortalecer o sentimento de
comunidade entre moradores, comerciantes e frequentadores da região.
“Conseguimos reunir diversos parceiros que convivem e trabalham diariamente na
rua. Isso fortaleceu os laços entre as pessoas, gerou conversas, aproximação e
um verdadeiro sentimento de comunidade”, ressaltou.
Após dias de trabalho,
incluindo madrugadas de dedicação dos voluntários, a conclusão da pintura foi
apontada pelo idealizador como um dos momentos mais marcantes do projeto. “Ver
todos reunidos por um único propósito. Os voluntários enfrentaram o frio e
passaram madrugadas trabalhando, ajudando sem esperar nada em troca”, destacou.
Ao observar a rua pronta, Campussalis resume o sentimento deixado pela iniciativa em uma palavra: esperança. “Ela representa esperança. Esperança em uma nação que valoriza sua essência, sua cultura e seus momentos de lazer. O sentimento que fica é de gratidão por tudo ter dado certo, apesar das dificuldades que enfrentamos para concluir o projeto”, concluiu.

