Biju pede investigação após encontrar resíduos oleosos em área de preservação
Possível crime ambiental em APP pode gerar multas de até R$ 45,9 mil
Uma
situação que pode configurar crime ambiental mobilizou nos últimos dias o
presidente da Comissão Permanente de Meio Ambiente da Câmara Municipal de São
Sebastião do Paraíso, vereador Juliano Carlos Reis, o Biju. Após receber
denúncias sobre um forte mau cheiro proveniente de uma área verde localizada
entre a avenida Dárcio Cantieri e a rua Iugoslávia, o parlamentar esteve no
local para averiguar a situação.
Durante
a vistoria, Biju constatou que um afluente do Córrego Coolapa, situado dentro
de uma Área de Preservação Permanente (APP), apresentava grande quantidade de
resíduos oleosos de coloração escura, aspecto espesso e já decantados ao longo
do leito do curso d’água. A aparência do material, associada ao odor intenso e
aos possíveis impactos ambientais, chamou a atenção do vereador.
Para
auxiliar na análise preliminar do problema, o parlamentar convidou um técnico
ligado ao sistema de tratamento de esgoto para acompanhar a inspeção. Segundo
as informações técnicas obtidas no local, o descarte inadequado de resíduos
sólidos na rede coletora, como latinhas, garrafas PET, tecidos, absorventes,
preservativos, papel higiênico e outros materiais, pode provocar entupimentos,
ocasionando extravasamentos e vazamentos em vias públicas.
Contudo,
os resíduos oleosos representam um risco ainda mais significativo. Óleos
vegetais, gorduras animais, óleos sintéticos e derivados de petróleo aderem às
paredes internas das tubulações, formando camadas que reduzem gradativamente a
capacidade de escoamento da rede. Com o passar do tempo, o sistema pode entrar
em colapso, resultando em rompimentos e vazamentos capazes de atingir
diretamente o meio ambiente.
A
suspeita inicial levantada durante a vistoria é de que alguma empresa localizada
nas proximidades possa estar realizando o descarte irregular de óleo
diretamente na rede de esgoto, prática proibida pela legislação ambiental e que
pode ter contribuído para o vazamento observado no afluente.
MORTE DE PEIXES PREOCUPA
Outro
aspecto constatado durante a inspeção foi a presença de peixes mortos no local.
Segundo Biju, pequenos peixes habitavam naturalmente o afluente, desempenhando
importante papel ecológico ao se alimentarem de larvas e insetos, inclusive
larvas do mosquito aedes aegypti, transmissor da dengue.
A
contaminação provocada pelos resíduos oleosos teria comprometido a
sobrevivência desses organismos.
“Enquanto
pequenos peixes que auxiliavam no controle biológico de mosquitos acabam mortos
pela poluição, o mosquito transmissor da dengue consegue sobreviver e continuar
seu ciclo reprodutivo. É uma demonstração clara da irresponsabilidade humana. O
homem destrói organismos que ajudam naturalmente no combate às doenças e acaba
criando problemas para si mesmo. É uma situação absurda que mostra como a
imprudência pode voltar contra a própria sociedade”, lamentou o vereador.
ALTAMENTE TÓXICO
Especialistas
alertam que o descarte de óleo industrial na rede coletora de esgoto é
altamente tóxico e proibido por lei. Além de comprometer o funcionamento do
sistema de saneamento, esse tipo de resíduo pode contaminar o solo, reduzir a
oxigenação da água, afetar a reprodução de espécies aquáticas, provocar a morte
de peixes e outros organismos, prejudicar a vegetação ciliar e comprometer o equilíbrio
ecológico.
Como o
afluente atingido deságua no Córrego Coolapa, há preocupação com a propagação
dos impactos ambientais para áreas ainda maiores. A situação torna-se mais
grave pelo fato de ter sido registrada dentro de uma Área de Preservação Permanente,
espaço protegido justamente por sua importância para a conservação da
biodiversidade e das nascentes.
Após a
vistoria, Biju reuniu-se com o secretário municipal de Meio Ambiente, Renan
Jorge Preto, apresentando as evidências coletadas, entre elas fotografias e
vídeos. O vereador solicitou uma investigação para identificar a origem do
material e verificar quais empresas da região podem estar contribuindo para a
contaminação.
Também
foi requerida fiscalização nos estabelecimentos que utilizam óleos lubrificantes,
combustíveis e derivados de petróleo em suas atividades, com o objetivo de
verificar a existência e funcionamento adequado das caixas separadoras de água
e óleo (SAO), equipamentos obrigatórios destinados a impedir que resíduos
contaminantes alcancem a rede pública de esgoto e os cursos d’água.
“Não
estamos aqui para fazer acusações sem provas. O que queremos é que os órgãos
competentes realizem uma investigação séria, encontrem a origem do problema e
responsabilizem quem eventualmente estiver agindo de forma irregular. O meio
ambiente não pode continuar pagando essa conta”, afirmou.
MULTAS PODEM CHEGAR
A QUASE R$ 46 MIL
De
acordo com o Código Municipal de Meio Ambiente, lançar efluentes líquidos ou
promover intervenções que resultem em poluição, degradação ou danos aos
recursos hídricos, à fauna, à flora, aos ecossistemas ou ao bem-estar da
população é considerado infração gravíssima.
As
penalidades previstas variam entre 90 e 180 Valores de Referência Municipal
(VRM). Considerando o valor atual de R$ 255,23 por unidade, as multas podem
variar de R$ 22.970,70 a R$ 45.941,40, sem prejuízo das responsabilidades civis
e criminais cabíveis.
Além das
providências solicitadas ao Executivo Municipal, o vereador informou que
pretende encaminhar um relatório detalhado, contendo imagens e demais
informações levantadas, ao Ministério Público e à Comissão de Meio Ambiente da
Assembleia Legislativa de Minas Gerais, buscando ampliar o acompanhamento das
investigações.
“Estamos
falando de uma possível contaminação de um curso d’água dentro de uma área de
preservação permanente. A população merece respostas. Quero levar essa situação
ao conhecimento do Ministério Público e da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia
para que possam unir esforços na apuração dos fatos e eventual
responsabilização dos envolvidos”, ressaltou.
Ao final
da vistoria, Biju reforçou a necessidade de preservação das áreas verdes e dos
recursos hídricos do município.
“Cada nascente, cada córrego e cada área verde representam vida. São locais que abrigam animais silvestres, protegem a biodiversidade e garantem qualidade da água para as futuras gerações. Quando alguém contamina um córrego por negligência ou interesse econômico, não agride apenas a natureza, agride toda a sociedade”, concluiu.

