Legado de Dito Enfermeiro será eternizado na UPA Pediátrica

Projeto aprovado pela Câmara homenageia Benedito Pereira da Silva, referência na saúde paraisense por quase cinco décadas
Foto: Reprodução
Benedito Pereira da Silva, o Dito Enfermeiro, ao lado da vereadora Cidinha Cerize, durante homenagem recebida na Câmara Municipal

A Câmara Municipal de São Sebastião do Paraíso aprovou, na última semana, projeto de lei de autoria da vereadora Maria Aparecida Cerize Ramos (Cidinha Cerize), que denomina como “UPA Pediátrica Benedito Pereira da Silva” a unidade de pronto atendimento pediátrico do município a ser instalada no imóvel do antigo Pronto-Socorro Municipal, na rua Geraldo Marcolini.

A homenagem reconhece a trajetória de Benedito Pereira da Silva, conhecido em Paraíso como Ditinho, Dito Enfermeiro ou simplesmente Seu Dito. Nascido em 2 de agosto de 1953, em São Sebastião do Paraíso, ele foi filho de Geraldo Pereira da Silva e Josepha Delfina, cresceu em uma família numerosa e construiu uma história ligada ao trabalho, à fé, à família e, sobretudo, ao cuidado com as pessoas.

Antes de se tornar uma referência na área da saúde, Benedito começou a trabalhar ainda criança na lavoura, ao lado do pai, para ajudar no sustento da família. Estudou nas escolas municipais Noraldino Lima, Campos do Amaral e Ana Cândida de Figueiredo. Depois, frequentou a Escola do Comércio graças a uma bolsa conquistada com apoio de seu patrão, o farmacêutico Carlos Grau, e concluiu o ensino médio na Escola Estadual Paraisense.

A entrada na área da saúde aconteceu por incentivo do médico João de Almeida Paula, que o encaminhou ao curso de Auxiliar de Enfermagem da Escola de Enfermagem Dr. José Maria de Alkmim. A partir dali, sua profissão se transformou em missão. Ao longo de quase 50 anos, Benedito atuou na Santa Casa de Misericórdia de Paraíso, onde exerceu funções de liderança, integrou a Comissão de Ética e participou da formação e capacitação de diversos profissionais.

Embora fosse amplamente conhecido como Dito Enfermeiro, Benedito fazia questão de corrigir quem o tratava pelo título de enfermeiro. Dizia que era técnico de enfermagem, por não ter graduação na área. O cuidado com essa distinção revelava uma característica marcante de sua personalidade: o respeito pela profissão, pela formação e pela responsabilidade de cada função dentro da saúde.

Seu trabalho também alcançou a educação. Sr. Dito lecionou Microbiologia, Parasitologia e Biologia na Escola de Enfermagem Dr. José Maria de Alkmim. Entre 1976 e 1978, também ministrou aulas de Biologia na Escola do Comércio. Mais tarde, em 2005, foi convidado pelo médico Glauco Joaquim Rosa de Figueiredo para assumir a direção da Escola de Enfermagem Dr. José Maria de Alkmim, função que exerceu por quatro anos, contribuindo para a formação de novos profissionais.

Entre 1984 e 1994, viveu uma rotina intensa, dividindo-se entre a Fundação Itaú de Assistência Social, a Santa Casa de Paraíso e a Escola de Enfermagem. Também atuou em Itaú de Minas e em Amparo, no interior de São Paulo, ampliando sua trajetória de serviço além dos limites de sua cidade natal.

Durante a pandemia de Co-vid-19, Benedito precisou se afastar temporariamente das atividades em razão da idade e dos riscos de exposição ao vírus. O afastamento, segundo relatos da família, foi motivo de tristeza, pois ele desejava continuar trabalhando. Posteriormente, retor-nou ao hospital em função com menor contato direto com pacientes e, com o tempo, voltou a atuar no cuidado direto, área à qual dedicou boa parte da vida.

Após deixar a instituição, continuou trabalhando como cuidador. Também se dedicou, em diferentes momentos, ao cuidado de familiares doentes. Homem de fé católica, rezava pelos pacientes e mantinha devoção a Santa Rita de Cássia, Nossa Senhora Aparecida, São Peregrino, São Camilo, São Judas e Santa Teresinha.

A família era um dos centros de sua vida. Benedito foi pai de Lenise Caetano Pereira, Lívia Caetano Pereira e Laura Caetano Pereira, e avô de Igor Caetano Rodrigues, Gabriel Caetano Pereira de Moura e Maria Rita Caetano Pereira de Moura. Costumava dizer que os avós são “pais em dobro”. Também carregava com carinho a memória da filha Laura, falecida precocemente em decorrência de um câncer, a quem chamava de “a mais bela estrelinha do céu”.

Ao longo da carreira, recebeu homenagens do Jornal do Sudoeste, do Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais e da Câmara Municipal de Paraíso, que lhe concedeu a Medalha da Ordem do Mérito Municipal pelos serviços prestados à comunidade.

Para a vereadora Cidinha Cerize, a aprovação do projeto é uma forma de preservar a memória de alguém que marcou várias gerações na saúde paraisense. Segundo ela, a repercussão da homenagem mostrou a dimensão do legado de Benedito. “O Seu Dito era realmente muito querido. Ele foi exemplo e mestre para muita gente. Muitos enfermeiros, técnicos, médicos e pessoas que foram cuidadas por ele ficaram felizes com esse reconhecimento. Eu não esperava um impacto tão grande, mas isso mostra o peso que ele teve e ainda tem na vida das pessoas”, afirmou.

Benedito Pereira da Silva faleceu em 3 de dezembro de 2024, poucos dias após receber o diagnóstico de câncer de pulmão. Nos últimos momentos, reforçou sua fé e deixou mensagens de gratidão a Deus, aos colegas, aos amigos e às instituições pelas quais passou.

Ainda segundo a autora do projeto que se tornou lei, mais do que pelos cargos ocupados, Sr. Dito permanece lembrado pela forma como exerceu sua profissão: com simplicidade, respeito e dedicação. “Seu nome, agora ligado à futura UPA Pediátrica, passa a integrar também a história de um espaço voltado ao cuidado das crianças, área em que o acolhimento e a sensibilidade fazem toda diferença”, disse Cidinha.