George Russell celebra vitória e mostra que está vivo no campeonato

Piloto da Mercedes admitiu dificuldades psicológicas após uma sequência de maus resultados e diz que fim de semana foi vital para recuperar a confiança e lembrar de que ainda consegue vencer
Foto: Reprodução/F1
George Russell tirou peso dos ombros ao vencer o GP da Áustria

Em uma temporada de domínio amplo da Mercedes, soa estranho que a vitória de George Russell no Grande Prêmio da Áustria tenha sido apenas sua segunda no ano — a primeira desde a abertura do campeonato em março, na Austrália.

De fato, esse período todo foi de domínio do companheiro de equipe, Kimi Antonelli, que venceu cinco corridas seguidas com a Mercedes, contra uma de Lewis Hamilton com a Ferrari, em Barcelona. Não por acaso, Antonelli segue líder do campeonato com 171 pontos, contra 131 de Russell, que retomou a vice-liderança antes ocupada por Lewis Hamilton.

Antonelli terminou a prova em terceiro, se recuperando de alguns erros que ele mesmo admitiu nas primeiras voltas da corrida. Foi o sétimo pódio do jovem italiano da Mercedes em oito corridas, e com exceção do abandono que sofreu em Barcelona por quebra mecânica, foi seu pior resultado entre as corridas que completou nesta temporada.

A vitória de Russell depois de alguns infortúnios, em meio à boa fase de Antonelli, foi um alívio para o britânico, apontado no começo do ano como o grande favorito, diante da maior experiência, e do bom carro que teria à disposição. Por isso, Russell tirou um peso enorme dos ombros após a bandeirada: “Mais do que o resultado, as últimas corridas foram muito difíceis para mim psicologicamente. Recebi muito apoio e isso me ajudou a manter a resiliência e acreditar que eu consigo”, disse.   

No sábado, Russell conquistou a pole position de forma tão polêmica quanto inteligente, ao ler em frações de segundo o que acontecia à sua frente no fechamento de sua última volta rápida. Max Verstappen escapou da pista e bateu na barreira de proteção. Naquele instante foi acionada apenas uma bandeira amarela, e Russell aliviou o pé do acelerador e seguiu acelerando para superar o tempo das duas Ferrari.

A polêmica surgiu por conta do próprio regulamento, que em caso de bandeira amarela que não seja dupla, determina que quem passa pelo local, deve apenas aliviar o pé do acelerador, mas não especifica em qual intensidade. Russell aliviou apenas o acelerador, como determina a regra, o que contribui pouco para aumentar a segurança no local onde havia um carro acidentado. Em nome da segurança, a FIA terá que rever o regulamento para que não abra um precedente perigoso em situações semelhantes. Já em caso de bandeiras amarelas duplas, há um delta maior para redução de velocidade e a volta tem que ser abortada.

Esperava-se mais da Ferrari no final de semana do GP da Áustria, depois da vitória de Hamilton em Barcelona. Leclerc e Hamilton largaram da segunda e terceira posições do grid, respectivamente, mas perderam fôlego na corrida. Hamilton terminou em quinto e Leclerc apenas em oitavo. A equipe estreou uma nova atualização no motor, mas seus pilotos reclamaram justamente da falta de potência para acompanhar o ritmo dos líderes.

Com as atualizações aerodinâmicas e a redução de peso da Red Bull, Max Verstappen ganhou novo fôlego no campeonato. Largou de quinto e terminou em 2º, obtendo seu segundo pódio do ano.

Gabriel Bortoleto largou de 12º e passou a corrida toda em 11º, sem conseguir chegar à zona de pontuação. A Audi não pontua desde a abertura do campeonato, na Austrália, com o próprio Bortoleto, que havia sido o 9º colocado.

Apenas dois segundos separaram os três primeiros colocados do movimentado GP da Áustria com várias alternativas estratégicas. A F1 prossegue neste final de semana, agora em Silverstone, o berço da categoria onde tudo começou em 1950.

Será o 77º Grande Prêmio da Inglaterra — nona etapa do campeonato —, que terá a quarta de seis corridas Sprint do ano. Será também a 60ª vez que Silverstone recebe uma corrida de F1. Lewis Hamilton é disparado o piloto que mais venceu nesta pista, nove vezes, enquanto a Ferrari soma 18 vitórias.

A Sprint terá a largada neste sábado às 8h. A classificação para o GP da Inglaterra será às 12h, e a corrida principal do domingo às 11h, pelo horário de Brasília.