Entre tambores e sonhos, Isadora Munhoz coleciona conquistas

Aos 10 anos, atleta paraisense se destaca nos Três Tambores, acumula títulos em competições regionais e sonha em competir e vencer na arena de Barretos
Foto: Divulgação

Com apenas 10 anos, Isadora Munhoz Zen de Pádua já aprendeu a conviver com a ansiedade, a pressão do cronômetro e a emoção das grandes conquistas. Destaque nas provas de Três Tambores, a atleta de São Sebastião do Paraíso vem acumulando títulos em competições realizadas em diferentes cidades da região e alimenta um sonho ambicioso: competir e vencer na tradicional arena de Barretos.

A paixão pelos cavalos começou cedo e recebeu forte influência do pai, Francisco de Oliveira Pádua Filho, que sempre acompanhou rodeios e trabalhou com animais de grande porte. Ao assistir às competidoras contornando os tambores em alta velocidade, Isadora se encantou com a modalidade. “Eu sempre gostei de cavalos. Meu pai assiste a muitos rodeios e eu via as moças correndo nos Três Tambores. Achava lindo e quis fazer também”, conta.

Atualmente, Isadora compete com a égua Raissa Zen, que recebeu o mesmo sobrenome da jovem atleta. As duas formam um conjunto há aproximadamente um ano e, segundo a competidora, vivem um momento de confiança e sin-tonia dentro das pistas. “Esta-mos em uma fase de boa sintonia e confiança. Por isso, acredito nos nossos resultados”, afirma.

Apesar da pouca idade, Isadora já conhece bem a responsabilidade de entrar em uma pista sabendo que terá apenas alguns segundos para executar tudo o que aprendeu durante os treinamentos. Antes das provas, o nervosismo aparece, acompanhado pela vontade de fazer uma boa apresentação. “Eu fico muito ansiosa e meu coração parece que vai sair pela boca. Mas acho que é normal pela pressão, já que tenho somente alguns segundos para realizar aquilo que treino”, explica.

Entre as diversas conquistas, uma permanece guardada de maneira especial na memória da atleta: a primeira fivela. Após vencer a categoria, Isadora deu a tradicional volta da vitória acompanhada pelo pai, que subiu na garupa da égua. “Foi muito especial porque meu pai entrou comigo na garupa”, recorda.

A trajetória de Isadora na modalidade começou com aulas de equitação durante a Expar. Ao perceberem a habilidade e o interesse da filha, os pais decidiram investir em uma preparação mais específica. A atleta passou a treinar em um centro especializado em Pratápolis, onde recebeu a base necessária para começar a participar das competições.

Atualmente, os treinamentos são realizados no Rancho VL, em São Sebastião do Paraíso, sob a orientação do treinador João José de Morais.

De acordo com a mãe, Aline Munhoz Silva de Pádua, a preparação não se resume às passadas entre os tambores. Os treinos incluem aquecimento, estímulos para o equilíbrio, condicionamento físico, controle corporal e aperfeiçoamento das respostas da égua aos comandos da competidora. “O treinador observa as falhas ou aquilo que precisa ser melhorado nas competições e trabalha esses aspectos durante as aulas. Isadora e Raissa estão em uma fase muito positiva e melhorando cada vez mais como conjunto”, explica Aline.

Mesmo com a rotina esportiva, os estudos continuam sendo prioridade. Isadora treina normalmente às segundas e sextas-feiras. Quando existe uma competição programada para o fim de semana, os treinos são realizados na segunda e na quarta-feira, permitindo que a égua descanse antes da prova. “Meus pais sempre falam que o estudo está em primeiro lugar. Então, primeiro foco nas atividades escolares para depois conseguir fazer meus treinos normalmente”, diz a atleta.

Os resultados mostram a evolução do conjunto. Isadora foi campeã da 1ª Copa Fetec, em São Sebastião do Paraíso, além de conquistar títulos em competições realizadas em São Tomás de Aquino, São Pedro da União, Fortaleza de Minas, na Expoagro Franca e no Circuito Regional de Batatais.

A jovem também foi reservada campeã na Expojac, em Jacuí, e em provas realizadas no Rancho Mariana, em Altinópolis, além de obter resultado de destaque no Ribeirão Rodeo Music, entre outras competições regionais.

A participação no esporte, no entanto, exige esforço e investimento da família. Além dos gastos com os cuidados do animal, treinamentos, viagens e transporte, existem os valores das inscrições para cada prova.

Para ajudar na continuidade do projeto, Isadora conta com o apoio de empresas que acreditam em seu potencial: Paraíso Leilões, Fast Car, Giraffas, Contabilidade Paschoini, Rural Paraíso, Agromar, RP Capital e Mercado 2S.

As competições também costumam ocupar todo o dia, começando pela manhã e terminando apenas no período da noite. Para Aline, apesar do cansaço, esses momentos ajudam a fortalecer a convivência entre familiares, competidores e amigos. “É quando ficamos mais em família. Todos se ajudam e torcem uns pelos outros”, ressalta.

Educadora, Aline acredita que a prática esportiva contribui não somente para o desenvolvimento físico das crianças, mas também para a formação do caráter. Segundo ela, o esporte ensina disciplina, comprometimento, respeito, resiliência e capacidade para lidar com as frustrações. “Costumo dizer para a Isadora que ela já é campeã em cada prova, porque sempre existe evolução e ganho de conhecimento. O troféu vai para a estante, mas o aprendizado e a formação do caráter ficam para a vida toda”, afirma.

Ao acompanhar a filha entrando na pista, Aline admite sentir uma mistura de orgulho, ansiedade e preocupação. O coração de mãe acelera quase tanto quanto o da competidora. “Sou a fã número um e torço até perder a voz. Sei dos riscos de um esporte de velocidade e precisão, mas o medo fica pequeno diante da minha fé, das minhas orações e de toda a dedicação e controle que a Isadora demonstra nos treinos”, conta.

Enquanto segue treinando e colecionando conquistas, Isadora olha para o futuro com a coragem de quem ainda é criança, mas já sabe onde pretende chegar. Seu maior sonho é entrar no chamado “buraco”, como é conhecida a arena de Barretos pelos competidores, e sair de lá como campeã.

Entre tambores, rédeas e segundos decisivos, Isadora segue construindo sua história. Pequena na idade, mas já grande quando o portão da pista se abre.