Prefeito rejeita proposta da Copasa e exige R$ 100 mi para renovar contrato
Companhia pretende estender concessão de água e esgoto em Paraíso até 2073; Morais afirma que só aceita discutir renovação mediante compensação pedida pelo Município
O prefeito Marcelo Morais
rejeitou proposta de aproximadamente R$ 19 milhões apresentada pela Copasa
durante negociação para a renovação do contrato de prestação dos serviços de
abastecimento de água e esgotamento sanitário em São Sebastião do Paraíso. Após
reunião realizada na quinta-feira, 13, em Belo Horizonte, ele anunciou que o
município apresentará uma contraproposta de R$ 100 milhões para aceitar a
prorrogação da concessão até 2073.
O encontro ocorreu na
sede da companhia, a convite da diretora-presidente da Copasa, Marília Carvalho
de Melo. Participaram também o deputado estadual Cássio Soares, o
procurador-geral do Município, José Henrique Caldas de Pádua, o secretário
municipal de Meio Ambiente, Renan Jorge Preto, além de outros integrantes da
administração municipal.
Ao retornar a São
Sebastião do Paraíso, Marcelo divulgou vídeo em que relatou os assuntos
tratados no encontro. Segundo ele, a reunião foi solicitada pela presidente da
companhia para discutir a relação da Copasa com o município e uma possível
renovação contratual. O prefeito afirmou que decidiu tornar públicos os termos
discutidos por considerar o assunto de interesse direto da população.
De acordo com Morais,
ficou claro durante a reunião que a Copasa pretende estender até 2073 o
contrato para prestação dos serviços de água e esgoto no município. “Em
determinados momentos ficou claro para mim que a Copasa tem o interesse de
renovar um contrato com o município na prestação de água e esgoto até 2073”,
afirmou.
Segundo o prefeito, a
proposta apresentada pela companhia prevê R$ 15 milhões a título de
indenização, valor que seria destinado aos cofres municipais, além da
antecipação de aproximadamente R$ 4 milhões do Fundo Municipal de Saneamento
Básico. O montante chegaria, portanto, a cerca de R$ 19 milhões. Marcelo
afirmou que rejeitou a oferta e que o município apresentará suas próprias
condições para prosseguir com a negociação. “Não aceitei. Eu vim fazendo conta
e vou explicar o porquê que eu não aceitei e qual vai ser a proposta do
município que eu, como prefeito, assumo”, declarou.
CONTRAPROPOSTA DE R$
100 MILHÕES
Um dos argumentos
utilizados pelo prefeito para definir a contraproposta foi uma avaliação
apresentada pela própria companhia. Segundo Marcelo, a Copasa atribuiu valor de
aproximadamente R$ 102 milhões à estrutura de abastecimento de água e
esgotamento sanitário existente atualmente em São Sebastião do Paraíso.
Conforme explicou, o
contrato vigente vai até 2041 e, ao seu término, a estrutura vinculada à
concessão retornaria ao município. Para Marcelo, se a companhia pretende
ampliar essa relação contratual por outros 32 anos, até 2073, a compensação
financeira deve considerar o valor desse patrimônio. “Se a Copasa está falando
que tudo vale R$ 102 milhões, ao final do primeiro contrato que o município
assinou, esse contrato vai até 2041. Então, lá em 2041, tudo que a Copasa fez
volta para o município”, disse.
Marcelo anunciou que a
contraproposta do município será de R$ 100 milhões. Na forma de pagamento
apresentada por ele durante o pronunciamento, seriam R$ 25 milhões à vista e
outras 48 parcelas mensais de R$ 1,5 milhão. Para o prefeito, esse é o patamar
de compensação que justificaria a ampliação da concessão por mais de três
décadas. “Se você, Copasa, quer aumentar um contrato com o município por mais
32 anos e jogar esse contrato para 2073, então a nossa concessão é de R$ 100
milhões. Se vocês pagarem R$ 25 milhões à vista para o município e parcelas de
R$ 1,5 milhão, a gente renova o contrato. Caso contrário, não”, afirmou.
Morais argumenta que os
recursos obtidos com uma eventual renovação devem retornar à população por meio
de obras e investimentos públicos. “Isso é o que eu, como prefeito, acho justo,
porque vai ser um dinheiro que eu vou devolver para o município com muita obra.
Se com R$ 20 milhões eu fiz tudo o que eu já fiz na cidade, imagina com R$ 100
milhões”, declarou.
“O município de São
Sebastião do Paraíso só vai conversar se a Copasa aceitar as nossas condições.
Caso contrário, nós não vamos assinar contrato nenhum”, disse.
Na hipótese de não haver
acordo, Marcelo afirma que o contrato atual seguirá até 2041 e que, após seu
encerramento, caberá à administração municipal da época decidir os próximos
passos para a prestação dos serviços. “Lá em 2041, esse passivo volta para o
município. Aí quem estiver como prefeito licita e aí as coisas acontecem”,
afirmou.
PROCESSO SOBRE
COBRANÇA DA TAXA DE ESGOTO CONTINUA
Marcelo ressaltou que a
negociação para uma eventual renovação contratual não significa o encerramento do
embate judicial que mantém com a Copasa. O prefeito afirmou que continuará com
o processo que busca isentar os cidadãos paraisenses em relação a sete anos de
cobrança da taxa de esgoto que considera indevida.
Segundo Morais, a ação
discute cobranças realizadas em período no qual, conforme sustenta, não havia
efetivo tratamento do esgoto no município. O prefeito afirmou que recorreu a
Belo Horizonte e que continuará buscando judicialmente o reconhecimento
referente aos sete anos questionados. “Todo mundo sabe que eu estou numa briga
judicial pesadíssima. Recorri para Belo Horizonte para que a gente consiga
tirar isso, pelo menos ganhar sete anos, sete anos de cobrança indevida que foi
feita aqui em Paraíso”, afirmou.
O prefeito diferenciou,
entretanto, a cobrança questionada no processo daquela realizada atualmente.
Segundo ele, São Sebastião do Paraíso hoje dispõe de tratamento de esgoto e,
portanto, a população paga pelo serviço que efetivamente é prestado. “Hoje tem
o tratamento de esgoto. Hoje cidadão nenhum pode falar que não tem tratamento
de esgoto. Hoje você paga a taxa de esgoto, como eu pago, pelo tratamento que
realmente acontece”, declarou.
Assim, conforme ressaltou
Marcelo, eventual avanço das negociações para prorrogação da concessão até 2073
não significará desistência da ação referente às cobranças anteriores. O
processo continuará com o objetivo de obter o reconhecimento dos sete anos que
o prefeito considera de cobrança indevida da tarifa de esgoto.
RELAÇÃO COM A COPASA
A relação entre Marcelo
Morais e a Copasa é marcada por embates que remontam ao período em que ele
exercia mandato de vereador. Durante a reunião em Belo Horizonte, o prefeito
voltou a apresentar críticas ao modelo estabelecido anteriormente e aos
problemas acumulados na relação da companhia com São Sebastião do Paraíso.
Apesar das divergências,
Marcelo destacou a forma como foi recebido pela presidente da Copasa e ponderou
que Marília Carvalho de Melo não tem responsabilidade sobre os problemas
anteriores entre a companhia e o município. “Quero agradecer a recepção da
presidente Marília, que não tem nada a ver com tudo que aconteceu no passado”,
disse.
A reunião terminou sem acordo para a renovação do contrato. O próximo passo anunciado pelo prefeito será a apresentação da contraproposta do município à Copasa, que deverá se manifestar sobre as condições para que as negociações tenham continuidade.

