Zandvoort se despede da F1 com grande corrida
Variedade de estratégias movimentou o GP da Holanda, afastando o temor de que fosse uma corrida monótona. Lando Norris venceu pela segunda vez consecutiva
A F1 escreveu seu último capítulo
da história recente do Circuito de Zandvoort com uma corrida movimentada, com
sessenta paradas para trocas de pneus e dez estratégias diferentes, segundo
dados fornecidos pela Pirelli. Lando Norris venceu a prova, com Kimi Antonelli
em segundo e George Russell em terceiro, completando o pódio.
Mas não foi uma vitória fácil
para o atual campeão mundial, que precisou suar o macacão para recuperar, na
pista, as posições de Antonelli e Lewis Hamilton, com duas ultrapassagens espetaculares
na mesma volta, a 54ª de um total de 72.
Norris largou da pole position,
mas perdeu a liderança para Antonelli no recomeço da corrida, e estava em
terceiro depois da segunda bateria de pit stops.
A prova teve duas largadas por
conta de um forte acidente de Max Verstappen na primeira volta, causando
bandeira vermelha para limpeza da pista. O tetracampeão saiu ileso, mas se
despediu da torcida em casa de forma inesperada, num raro erro do piloto, ao
colocar as rodas do lado direito no trecho molhado da pista.
Pouco antes da largada, choveu em
Zandvoort, mas a pista secou rapidamente. No único trecho que ainda permanecia
molhado, Verstappen acabou surpreendido e destruiu o carro no muro. No mesmo
instante houve outro momento de tensão, quando Gabriel Bortoleto rodou na
frente de Nico Hulkenberg, que teve reflexos felinos em frações de segundo para
evitar um grave acidente com o companheiro de equipe.
Bortoleto vinha tendo um fim de
semana promissor entre os dez primeiros em todas as tomadas de tempo, na
corrida Sprint, mas enfrentou problemas técnicos com o carro e terminou a prova
em 13º. Já Hulkenberg recebeu a bandeirada na oitava posição, pontuando pela
segunda vez seguida com a Audi.
Outro destaque da prova foi
Fernando Alonso, que avançou da 18ª para a nona posição com a Aston Martin,
depois de uma primeira metade de temporada deprimente da equipe inglesa.
A chuva que caiu antes da largada
lavou a pista e criou um novo cenário para a corrida. O asfalto escorregadio
degradou os pneus mais do que as equipes esperavam, afastando as previsões de
que o Grande Prêmio da Holanda fosse monótono e com poucas ultrapassagens
devido às características da pista. A corrida Sprint do sábado, vencida por
Russell sem grandes emoções, apontava para isso. Mas foi o contrário.
O Grande Prêmio da Holanda
proporcionou uma boa corrida e deixou alguns pontos de discussão até a próxima
etapa, em Monza. E um deles foi a insatisfação de Lewis Hamilton, que ficou
preso atrás do companheiro de Ferrari, Charles Leclerc, que estava em
estratégia diferente de pneus, e não abriu mão da posição até parar nos boxes
uma volta mais tarde do programado para sua troca de pneus. “Bela maneira de
perder tempo”, reclamou Hamilton pelo rádio.
O heptacampeão — único piloto a
completar todas as voltas da temporada até aqui — chegou a liderar a corrida,
mas estava na disputa por um lugar no pódio, e terminou na quarta posição,
atrás de George Russell, com quem agora está empatado na segunda posição do
campeonato, ambos com 183 pontos. Kimi Antonelli segue na liderança com 242
pontos. Depois da corrida, Hamilton disse que ia conversar com a Ferrari sobre
o episódio com Leclerc, e mais tarde admitiu ter exagerado nas declarações e se
desculpou com a equipe.
Depois de um longo hiato de 36
anos, a Holanda voltou a fazer parte do calendário da F1 em 2021 — embalada
pelo calor da torcida de Max Verstappen —, e apesar de o traçado ser curto e
estreito e as instalações antigas já não comportarem as necessidades da
categoria, os pilotos gostam das particularidades da pista de 4,259 km. Mas a
razão de a Holanda se despedir depois de seis corridas é outra, apesar de o
evento ser considerado um modelo de organização para outras corridas.
O Grande Prêmio da Holanda é
inteiramente bancado por empresas privadas. O Circuito de Zandvoort, apesar das
limitações de suas instalações já ultrapassadas, com capacidade máxima de 80
mil torcedores, não gera receita suficiente para manter a corrida, mesmo com
todos os ingressos vendidos. Isso tornou inviável a manutenção do evento. Eu só
torço para que não demore outros 36 anos para que o país volte novamente a
sediar uma corrida de F1.


