Projeto leva educação financeira à prática na Escola Napoleão Volpe

Estudantes aprenderam sobre planejamento, preços, gastos e lucros e levaram o conhecimento para outras turmas, famílias e para uma experiência de empreendedorismo na Praça da Matriz
Foto: Reprodução
Alunos do 9º ano participaram das diferentes etapas do projeto de educação financeira

Aprender porcentagem, juros e planejamento financeiro deixou de ser apenas conteúdo de caderno para alunos do 9º ano da Escola Municipal Napoleão Volpe, em São Sebastião do Paraíso. Por meio do projeto MIND$ET – Matemática Financeira em Movimento para Poupar, Investir e Empreender, os estudantes passaram a utilizar conceitos matemáticos em situações práticas, que envolveram desde a organização dos próprios gastos até a criação de uma empresa e a comercialização de produtos.

A iniciativa foi desenvolvida pelo professor de Matemática Mayke Magela com a proposta de aproximar o conteúdo trabalhado em sala de aula de decisões que fazem parte da vida cotidiana. Durante o projeto, os estudantes abordaram temas como porcentagem, juros, descontos, planejamento financeiro, economia, investimentos, empreendedorismo, consumo consciente, organização de gastos e definição de metas.

Além de aprenderem os conceitos, os próprios alunos do 9º ano passaram a compartilhar o conhecimento com outras turmas e funcionários da escola. A proposta também chegou às famílias, com momentos voltados à discussão sobre planejamento, consumo e organização financeira.

Segundo a diretora da escola, Cristina Maria de Oliveira, o projeto foi desenvolvido dentro do planejamento curricular do 9º ano e permitiu que os estudantes percebessem aplicações concretas da Matemática. “Foi muito bom ver esses adolescentes colocando o conhecimento em prática e desenvolvendo habilidades que eles próprios desconheciam. No fim, perceberam que eram capazes de fazer coisas que antes consideravam inalcançáveis”, afirmou.

Da sala de aula para a Praça da Matriz

Uma das principais etapas do trabalho foi a criação da UAI SABORES 9º, empresa desenvolvida pelos próprios estudantes para que pudessem experimentar, na prática, diferentes etapas de um empreendimento. Eles participaram da criação das ideias e dos produtos, planejamento, definição de preços, controle das despesas, vendas, atendimento e análise dos resultados.

A experiência ganhou as ruas no dia 12 de agosto, quando os alunos participaram de uma feira realizada com o Educamóvel, na Praça da Matriz. Na ocasião, foram comercializados sanduíche natural, suco natural de maracujá e trufas. O cardápio utilizado pelos estudantes também contou com material em Libras, ampliando a acessibilidade durante o atendimento ao público.

A atividade colocou os estudantes em contato direto com os consumidores e transformou o que havia sido estudado nas aulas em uma situação real de venda e organização de um negócio.

Pedro Henrique de Assis, aluno do 9º ano, participou do processo desde as primeiras etapas. “Aprendemos a calcular, planejar os gastos, definir o preço dos produtos e analisar os lucros. Foi muito interessante aprender Matemática de forma prática e perceber que aquilo que vemos dentro da sala de aula pode ser usado na vida real”, contou.

Para o estudante, a experiência também exigiu habilidades que vão além dos cálculos. “Foi uma experiência incrível, porque nos ajuda a ter um conhecimento melhor sobre a vida e o futuro. É algo que poderia ser feito mais vezes”, disse.

Conhecimento compartilhado

O projeto não ficou restrito aos estudantes que participaram diretamente da criação da empresa. Os alunos do 9º ano também apresentaram o que aprenderam às demais turmas, ampliando o alcance das discussões sobre dinheiro e consumo dentro da escola.

Sara Andrade, do 7º ano, foi uma das estudantes que participaram dessas atividades. Segundo ela, o contato com os colegas mais velhos ajudou a compreender questões que fazem parte do dia a dia. “Foi muito interessante aprender com os alunos do 9º ano. Espero que a escola continue realizando projetos assim, porque aprendemos de uma forma diferente, divertida e que podemos levar para a nossa vida”, afirmou. Entre os aprendizados, ela destaca a importância de organizar o dinheiro, economizar e pensar antes de fazer uma compra.

O reflexo chegou também às famílias. Adriana Pereira Costa, mãe de Victor Hugo, do 9º ano, e de Emanuelly, do 7º, percebeu que o assunto passou a fazer parte das conversas dentro de casa. “Meu filho começou a conversar sobre economizar, pensar antes de comprar e entender a importância de planejar o futuro. E minha filha, que está no 7º ano, também aprendeu muito com o projeto e passou a compreender melhor a importância do uso consciente do dinheiro”, contou.

O MIND$ET foi desenvolvido em consonância com conteúdos previstos para a etapa escolar e com orientações curriculares que estimulam a utilização da Matemática na resolução de situações do cotidiano.

A intenção é fazer com que o estudante não apenas saiba realizar os cálculos, mas compreenda como utilizar essas ferramentas na tomada de decisões.

O trabalho terá ainda uma nova etapa. Em setembro, os estudantes deverão participar da OLITEF – Olimpíada do Tesouro Direto de Educação Financeira, oportunidade em que poderão aplicar novamente os conhecimentos desenvolvidos ao longo do projeto.