De qual lado a torcida estará em Monza: da Ferrari ou de Antonelli?
O torcedor italiano nunca se empolgou tanto com pilotos do país na F1 quanto com a Ferrari. A paixão pela escuderia sempre falou mais alto. Mas e agora que eles têm também Antonelli para torcer?
Riccardo Patrese, piloto italiano
que competiu na F1 de 1977 a 1993, ainda guarda mágoas de um episódio vivido em
Ímola, em 1983, quando liderava a corrida e o autódromo inteiro comemorou seu
acidente com a Brabham, para festejar a vitória do francês Patrick Tambay, que
pilotava para a Ferrari.
Os torcedores italianos sempre
foram movidos por uma paixão sem limites pela Ferrari. Não importa a
nacionalidade de quem está no cockpit. Mas também houve tempos em que pilotos
italianos levaram a Ferrari à glória. O único deles a vencer campeonatos foi
Alberto Ascari em 1952 e 1953. Mas desde 1966, quando Ludovico Scarfiotti
conquistou sua única vitória na categoria, nenhum outro italiano voltou a
vencer em Monza pela escuderia. Quem mais perto chegou foi Michele Alboreto,
segundo colocado em uma inesperada dobradinha da Ferrari liderada pelo
austríaco Gerhard Berger no GP da Itália de 1988. Alboreto foi o vice-campeão
de 1985 pela escuderia, mas longe de ser um favorito.
De lá para cá, nenhum outro
italiano empolgou na F1, até a ascensão do talentoso Kimi Antonelli, novo ídolo
do esporte na Itália. Líder do campeonato com 242 pontos — 59 a mais que seus
adversários mais próximos — o jovem piloto de apenas 20 anos é o favorito ao
título desta temporada.
Mas a Ferrari também vive uma boa
fase: Lewis Hamilton soma 183 pontos e está empatado na vice-liderança com
George Russell, da Mercedes, que leva vantagem no critério de desempate. E aí
está o grande dilema nas arquibancadas: para quem torcer?
Antonelli terá que largar do
fundo do grid — ou até do pitlane — como punição por ter excedido o limite de
componentes do motor permitidos pelo regulamento, o que para ele “alivia a
pressão de correr em casa”. A estratégia da Mercedes faz sentido, já que Monza
é uma pista veloz e com longas retas, que permite recuperar posições.
Já a Ferrari, que correrá com uma
nova atualização de motor, presta homenagens ao sete vezes campeão mundial
Michael Schumacher, com pintura especial na SF-26 e no macacão de seus pilotos
neste fim de semana. Há 30 anos, em 1996, o alemão chegava à escuderia italiana
e vencia o Grande Prêmio da Itália logo em sua primeira aparição em Monza
vestindo o macacão vermelho. Schumacher conquistou cinco de seus sete
campeonatos com a Ferrari entre 2000 e 2004, e colecionou 72 de suas 91
vitórias pela equipe. Hamilton busca a façanha de também ser campeão pela
Ferrari.
Os dois maiores vencedores da
história da F1 são também os que mais triunfaram no GP da Itália, com cinco
vitórias cada.
Como parte das homenagens a
Schumacher, Rubens Barrichello pilotará neste sábado a F2002 com a qual o
alemão conquistou o pentacampeonato em 2002. Os dois foram companheiros de
equipe entre 2000 e 2005. Rubinho triunfou três vezes em Monza. A última foi em
2009, na 101ª e, até hoje, derradeira vitória brasileira na F1.
O Autódromo de Monza, com seu
velocíssimo traçado de 5,793 km, é uma espécie de santuário do automobilismo.
“Nenhum piloto será grande se não vencer em Monza”, diz uma máxima da F1.
Mas se por um lado haverá festa
nas arquibancadas, com torcedores pendurados até nas árvores do ‘Parco di
Monza’, por outro será dramático ver os carros perderem potência antes dos
pontos de frenagem das longas retas por conta do famigerado gerenciamento de
energia dos motores, que fica mais evidente em pistas como Monza, onde é mais
difícil carregar a bateria.
A Itália já sediou 95 Grandes
Prêmios desde o período pré-Fórmula 1. Ao lado da Inglaterra, são os únicos
países presentes ininterruptamente no calendário desde o surgimento do
Campeonato Mundial em 1950. Este é o 77º GP da Itália de F1. Apenas em 1980 a
prova não foi realizada em Monza, que passava por reformas, e foi disputada em
Ímola.
Mas de qual lado o torcedor estará em Monza? No frigir dos ovos, Antonelli será o queridinho desde que não esteja no caminho de uma vitória da Ferrari em casa.


