Laís Sacoda cobra políticas públicas efetivas para pessoas em situação de rua
Vereadora aponta relação com dependência química e transtornos mentais, critica falta de estrutura de acolhimento e defende que audiências públicas resultem em medidas concretas
A vereadora Laís Carvalho de
Oliveira Sacoda defendeu, durante sessão da Câmara Municipal de São Sebastião
do Paraíso, a ampliação do debate e a adoção de políticas públicas efetivas
para pessoas em situação de rua. Em sua manifestação, ela afirmou que o
problema precisa ser enfrentado de maneira humanizada, considerando
principalmente situações relacionadas à dependência química e à saúde mental.
Segundo Laís, diferentemente do
que geralmente ocorre com pessoas acometidas por outras doenças, aquelas que
enfrentam transtornos mentais ou dependência muitas vezes não encontram
estrutura familiar, emocional, psicológica ou financeira para receber o
tratamento e o acompanhamento necessários.
“A gente sabe que grande parte
das pessoas acometidas por doença mental e por vícios vai parar na rua”,
afirmou. Para a vereadora, a ausência de uma rede adequada de atendimento
contribui para o agravamento do problema e para a exclusão dessas pessoas.
Laís recordou iniciativas já
discutidas no município, entre elas uma visita realizada por representantes
locais a Poços de Caldas para conhecer políticas destinadas à população em
situação de rua. Entretanto, avaliou que o sistema ainda é falho e não consegue
oferecer respostas capazes de conciliar o acolhimento das pessoas vulneráveis
com as preocupações apresentadas pela comunidade. A vereadora também criticou
medidas que, em sua avaliação, procuram simplesmente afastar essas pessoas das
regiões centrais. Citou como exemplos a falta de bebedouros, banheiros públicos
e outros serviços básicos acessíveis, especialmente durante o período noturno.
“Um morador de rua vai conseguir
água onde? Qual torneira ele tem para conseguir um copo de água?”, questionou.
Ela lembrou que, em audiência pública realizada anteriormente na Câmara,
pessoas em situação de rua reivindicaram a disponibilização de um banheiro
público.
Laís reconheceu as reclamações de
moradores diante de situações como o uso de espaços públicos para necessidades
fisiológicas, mas ponderou que também é preciso avaliar quais alternativas são
oferecidas pelo poder público. “Ao mesmo tempo, o que é ofertado para que essa
realidade mude? Nós não temos oferta de política pública para esses moradores.
Hoje deixa muito a desejar”, declarou.
Outro ponto levantado foi a
necessidade de as audiências públicas produzirem encaminhamentos objetivos.
Para a parlamentar, esses encontros não devem se limitar às manifestações dos
participantes, mas resultar em documentos, compromissos e iniciativas com
prazos e responsabilidades definidos.
“A gente faz audiência pública,
todo mundo fala e sai daqui sem nenhum propósito para tentar melhorar”,
criticou. Em sua avaliação, os debates deveriam estabelecer quais medidas
poderão ser implementadas pelo município e como será acompanhado o cumprimento
das propostas apresentadas.
Laís também mencionou o trabalho
desenvolvido por grupos voluntários e pessoas que prestam auxílio à população
vulnerável. Conforme disse, quem oferece acolhimento muitas vezes se sente
desrespeitado pelas críticas, enquanto moradores e comerciantes também
enfrentam dificuldades para conviver com situações decorrentes da falta de
atendimento adequado.
“É uma situação que afeta a
comunidade de São Sebastião do Paraíso inteira, de ambos os lados”, observou.
“Então, o que está sendo ofertado? Que política pública temos desenvolvido para
mudar essa realidade?”
Ao concluir, a vereadora
parabenizou o vereador Toninho Pcirilo pelo trabalho realizado há anos junto às
pessoas em situação de rua e em vulnerabilidade. Ela defendeu que a Câmara
retome a pauta e cobre providências concretas, alertando que a demanda tende a
crescer diante das dificuldades existentes na assistência psiquiátrica.
“É um assunto que a Câmara
deveria debater mais. Já passou muito tempo desde a audiência pública e nenhuma
postura ou comprometimento foi adotado para mudar essa realidade”, concluiu.


