Show de Antonelli e derrocada da Ferrari em Monza

Piloto da Mercedes teve a segunda maior escalada até a vitória na F1 e encerrou jejum de 60 anos sem um italiano vencer o GP da Itália
Foto: F1 / Divulgação
Antonelli comemora vitória histórica em Monza

“Kimi Antonelli fez história em Monza”. Certamente foi a frase mais lida e ouvida pelos fãs de Fórmula 1 desde a vitória épica no Grande Prêmio da Itália, no último domingo (6).

O jovem italiano, da Mercedes, largou da 19ª posição do grid por ultrapassar o limite de componentes do motor permitido pelo regulamento, e protagonizou a segunda maior escalada até a vitória na história da Fórmula 1. Com dezesseis voltas ele já estava em segundo, lutando pela vitória. Duas voltas depois, assumiu a liderança pela primeira vez.

Não é comum vencer na Fórmula 1 vindo tão de trás do grid. O recorde de maior escalada pertence ao irlandês John Watson, que venceu o GP dos Estados Unidos de 1983 após largar da 22ª posição. Watson também venceu em Detroit, em 1982, partindo de 17º, marca posteriormente igualada por Kimi Raikkonen, no Japão, em 2005, e Max Verstappen, em São Paulo, em 2024.

A terceira maior escalada pertence a Rubens Barrichello, em sua monumental vitória inaugural, quando largou de 18º e venceu seu primeiro Grande Prêmio, na Alemanha, em 2000.

Antonelli realizou 26 ultrapassagens — três delas sobre o companheiro de equipe e maior adversário na luta pelo título, George Russell. E, no único erro que cometeu durante as 53 voltas, teve a sorte de não ficar atolado na brita ao sair da pista quando dividiu a curva 2 com Russell. A sorte também esteve ao seu lado quando um safety car virtual (VSC), causado por Lance Stroll, contribuiu para que fizesse um pit stop para troca de pneus sem perder muito tempo.

É verdade que Antonelli dispôs de um motor novinho em folha, e isso faz diferença em uma pista veloz como Monza. Mas foi uma vitória mágica e esmagadora que, nas palavras do chefe da Mercedes, Toto Wolff, “mesmo que ele vença outras duzentas corridas, essa de Monza será sempre lembrada”.

O triunfo de Antonelli foi carregado de significados. Ele encerrou um jejum de 60 anos sem vitória de um italiano em Monza, desde a conquista de Ludovico Scarfiotti, em 1966, com a Ferrari. Foi também a 50ª vitória de um piloto italiano na Fórmula 1 — a sétima de Antonelli, que supera Riccardo Patrese e se isola como o segundo maior vencedor do país, atrás apenas de Alberto Ascari com 13. Será uma questão de tempo para se tornar o primeiro da lista. E, pela primeira vez desde Ascari, em 1953, um italiano sai de Monza como líder do campeonato.

Antonelli ampliou sua vantagem sobre Russell para 66 pontos (267 a 201). E deixou Russell desconcertado, tentando encontrar palavras para justificar o injustificável.

Monza era a corrida para Russell descontar pontos de Antonelli e mostrar que estava vivo na luta pelo título. Mas as coisas começaram a dar errado já na classificação do sábado, quando um surpreendente Pierre Gasly conquistou uma pole position tão inesperada quanto histórica com a Alpine.

Foi a primeira pole de Gasly e da Alpine na F1 — a 80ª de um piloto francês e a primeira desde 1997.

Na corrida, Russell remou, liderou o maior número de voltas, mas morreu na praia, superado pelo companheiro de equipe. Vai precisar de muita força mental para superar o baque. 

Enquanto isso, a Ferrari anda em rota de colisão com Hamilton e Leclerc. Logo na largada, os dois se estranharam, quando Leclerc não deu espaço ao companheiro de equipe, que saiu da pista e perdeu várias posições. Na sequência, o monegasco sofreu um forte acidente na Parabólica, causando uma bandeira vermelha para reconstrução da barreira de proteção. Hamilton terminou apenas em sexto, expondo os pontos fracos da Ferrari e a falta de regras internas na equipe.

A derrocada da Ferrari resultou em mais torcedores para Antonelli que, pela primeira vez em muitas décadas, tiveram um piloto local para torcer.

A Fórmula 1 não para e neste fim de semana acontece a 14ª etapa do mundial — a última da chamada fase europeia — com o inaugural Grande Prêmio de Madri, em um circuito que mistura características de pista de rua e permanente. O traçado de 5,416 km é cercado por muros de todos os lados, com 22 curvas, entre elas a ‘Curva Monumental’ com 24% de inclinação e 500 metros de extensão. Será mais um grande desafio para os pilotos.