Diretor do Cissul/SAMU esclarece atendimento pelo 192 e responde a reclamação na Câmara

Felipe Batista afirmou que equipe deve avaliar quem chega à base passando mal, acionar a regulação e prestar o atendimento necessário; caso relatado por cidadão está em apuração
Foto: ASSCAM
Felipe Batista, diretor executivo do Cissul/SAMU

O diretor executivo do Cissul/SAMU, Felipe Batista, utilizou a tribuna livre da Câmara Municipal de São Sebastião do Paraíso, a convite do vereador Marcos Antônio Vitorino, o Marcão, para explicar os protocolos do serviço e responder a questionamentos sobre o atendimento à população. A coordenadora médica do consórcio, Letícia, acompanhou a visita.

Marcão relatou que, em momentos de aflição, algumas pessoas não compreendem por que precisam responder a várias perguntas ao ligar para o 192. Felipe reconheceu que o Cissul/SAMU deve comunicar melhor seus procedimentos. Segundo ele, as informações permitem à central avaliar a gravidade da ocorrência e direcionar o atendimento.

“As pessoas ligam 192 e acreditam que aquelas perguntas estão inviabilizando o atendimento. É diferente disso”, disse. Conforme explicou, quando a central identifica uma urgência ou emergência, a ambulância pode ser enviada enquanto o atendente continua a colher detalhes. “Não quer dizer que a pessoa vai responder tudo e a ambulância está parada.”

O diretor informou que o tempo médio de resposta em São Sebastião do Paraíso é de cerca de 12 minutos, embora haja ocorrências atendidas em menos tempo e outras que levem mais. Também afirmou que a triagem evita deslocar uma equipe para uma situação que não exige o SAMU enquanto outra pessoa necessita de socorro imediato.

A discussão se concentrou, em seguida, na reclamação de um cidadão que procurou a base do SAMU ao tentar ajudar um homem que passava mal. O presidente da Câmara, Lisandro Monteiro e a vereadora Laís Sakoda perguntaram qual deve ser a orientação quando alguém leva diretamente um paciente à base, especialmente em uma situação de desespero.

O vereador Roney Vilaça detalhou o relato levado à Câmara. Segundo ele, o cidadão não era parente do paciente: encontrou um senhor de idade passando mal dentro de um carro e decidiu ajudá-lo. Roney questionou o que a equipe deve fazer quando a pessoa que pede socorro não conhece o paciente, não dispõe de todas as informações solicitadas pela central e, diante da urgência, pode não conseguir realizar a ligação por conta própria. Perguntou também se, nessa situação, os profissionais da base podem acionar internamente a regulação e iniciar o atendimento.

Felipe respondeu que a equipe não está dispensada de avaliar e atender uma pessoa que chega passando mal à porta da base. Segundo ele, os próprios profissionais devem acionar o 192, abrir o registro da ocorrência junto à central de regulação e, ao mesmo tempo, prestar o atendimento indicado pela situação. “A própria equipe aciona o 192 e continua o atendimento. Ela não está isenta de atender um caso que aconteceu ali na porta”, afirmou.

Quando o paciente chega acompanhado, o diretor disse que a orientação habitual é pedir ao acompanhante que ligue para o 192, pois ele pode fornecer dados e informações sobre o ocorrido. Isso, ressaltou, não impede a equipe de avaliar o paciente e agir diante de uma emergência. O registro pela central documenta os procedimentos e permite comunicar antecipadamente a UPA ou o hospital que receberá a pessoa, quando necessário.

Felipe fez uma ressalva: nem toda pessoa que procura a base precisa de uma ambulância do SAMU. A equipe deve avaliar o quadro e pode orientar o encaminhamento a outro serviço de saúde se concluir que não se trata de urgência ou emergência. Sobre a reclamação apresentada na Câmara, evitou antecipar uma conclusão. Informou que o caso chegou à ouvidoria e está sendo apurado com a análise dos relatos e dos registros disponíveis, incluindo gravações de chamadas e imagens. Segundo ele, já houve uma orientação à equipe, e novas medidas poderão ser adotadas caso seja confirmada alguma falha.

“Se o erro for nosso, vamos tomar as medidas que precisamos tomar”, afirmou. O diretor acrescentou que uma falha de comunicação também pode ter ocorrido e que o objetivo da apuração é estabelecer o que aconteceu naquele atendimento.

Durante a sessão, o vereador Tomás Martins relatou uma experiência positiva com o SAMU. Segundo ele, após ligar para socorrer a esposa de um vizinho que havia sofrido um AVC hemorrágico, a equipe chegou em aproximadamente cinco minutos. Tomás elogiou a rapidez e a atuação dos profissionais.

Felipe também explicou a diferença entre as ambulâncias. A unidade de suporte básico conta com técnico de enfermagem e condutor. Já a de suporte avançado dispõe de médico, enfermeiro, condutor e equipamentos para cuidados mais complexos. São Sebastião do Paraíso passou a contar com uma unidade avançada em 2024.

De acordo com os dados apresentados pelo diretor, o Cissul/SAMU atende 154 municípios e dispõe de 49 unidades de suporte básico e 13 de suporte avançado. Em Paraíso, foram registrados cerca de 2.200 atendimentos em 2024 e 2.959 em 2025. Ele estima que o número ultrapasse 3 mil em 2026 e informou que o serviço realizou aproximadamente 73 mil atendimentos no Sul de Minas no último ano.

O diretor citou ainda as ações de formação em urgência e emergência promovidas pelo consórcio, que, segundo ele, tem cerca de 900 colaboradores. Informou que foram emitidos aproximadamente 11 mil certificados nos últimos dois anos e meio e que teve início neste ano um trabalho de orientação a professores da rede pública, com a formação de multiplicadores na regional de Passos.

Ao final dos esclarecimentos, Felipe reforçou que o 192 é o principal canal para solicitar o SAMU. Nos casos em que uma pessoa chega diretamente à base passando mal, afirmou, cabe à equipe avaliar a situação, acionar a regulação e prestar o atendimento necessário.