Ryan Bonacini é campeão brasileiro e assume liderança mundial Sub-20 nos 400 metros
Paratleta de Paraíso venceu o Campeonato Brasileiro de Jovens com 52s07 e mira agora uma vaga nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028
O
paratleta Ryan Bonacini, de São Sebastião do Paraíso, conquistou mais um
resultado expressivo na temporada. O jovem venceu os 400 metros rasos da classe
t47 Sub-20 no Campeonato Brasileiro de Jovens de Atletismo, disputado nesta
semana em São Paulo, e, com o tempo de 52s07, assumiu a primeira posição do
ranking mundial da categoria entre marcas obtidas em competições oficiais.
O
resultado representa mais um passo na rápida evolução do paraisense em 2026. Os
52s07 foram o segundo melhor tempo de sua carreira e garantiram a Ryan o título
brasileiro. Segundo o atleta, após a prova ele conferiu o ranking internacional
e constatou que a marca o colocava na liderança mundial Sub-20 da classe t47.
“Quando saiu o resultado e vi que era campeão, fiquei muito feliz. Vi que o
tempo era bom e depois fui olhar o ranking, que já vinha acompanhando há algum
tempo. Vi que meu tempo me deixava em primeiro no ranking mundial Sub-20 t47.
Foi uma sensação ótima, uma coisa que eu já queria há algum tempo e para a qual
vinha treinando e me dedicando”, afirma.
A
conquista ocorre em uma temporada marcada por uma mudança importante na
carreira de Ryan. No início do ano, ele deixou São Sebastião do Paraíso e se
mudou para Campinas (SP), onde passou a integrar uma estrutura de alto
rendimento e a conviver diariamente com atletas que estão entre os principais
nomes do atletismo convencional brasileiro.
Para
ele, estar em um ambiente no qual o nível de exigência é maior acelerou seu
desenvolvimento. “Comecei a treinar mais e mais forte, com pessoas de nível de
Troféu Brasil, entre os melhores do Brasil no atletismo convencional. Junto com
essas pessoas senti que meu nível evoluiu e que eu também evoluí como pessoa.
Passei a ver a rotina dos atletas, a preparação física, o quanto eles se
dedicam, a dieta, tudo”, relata.
Ryan
resume a experiência com uma ideia que passou a conduzir sua preparação: para
crescer, é preciso estar disposto a sair de um ambiente em que se é o melhor.
“Quando a gente decide ir para um lugar em que não é o mais forte, aumenta o
nível. A gente pula uma etapa. Eu fiquei muito mais forte, comecei a treinar
muito mais e me dediquei bastante”, diz.
O
conselho recebido do treinador Vandro Lazari também se transformou em uma
espécie de lema para o paraisense. “Meu treinador falou para mim: ‘Não tem
segredo, é só treinar’. Coloquei na cabeça que tinha que ir todos os dias e
fui. Treinei, me esforcei bastante e fiz o que tinha que ser feito.”
Essa
confiança construída durante os treinamentos acompanhou Ryan até a pista no
Brasileiro. Ele conta que chegou à competição sentindo que havia cumprido a
preparação necessária para disputar o título. “Eu me sentia pronto. Falei para
o treinador: ‘Estou preparado, é só ir lá e correr’. Eu treinei, me dediquei.
Quem treina conquista o que quer. É simples, é treinar, não tem segredo”,
conta.
Nos
400 metros, Ryan diz ter executado exatamente a estratégia planejada. Saiu
forte, conseguiu aumentar o ritmo ao longo da prova e suportou o desgaste
natural dos metros finais. “Fiz uma corrida boa, coesa. Saí forte e fui
crescendo ainda mais. Nos últimos metros a perna trava, mas isso é normal, é o
cansaço. Fiz meu segundo melhor tempo da carreira e foi suficiente para me tornar
campeão brasileiro e primeiro do mundo.”
Além
dos meses de preparação, Ryan levou para a pista uma lembrança especialmente
importante. Antes da prova, pensou na mãe e no último encontro dos dois antes
de sua viagem de Minas Gerais para Campinas. “Pensei nela e no último abraço
que ela me deu antes de eu sair de Minas. Senti aquele abraço muito forte. Vim
para Campinas decidido, sabendo o que queria. Fiz o que podia, e o que eu podia
fazer foi aquilo que Deus preparou”, diz.
O
atleta também atribui à fé a força para atravessar um período pessoal difícil.
“Tenho que agradecer muito a Deus, porque Ele me deu forças, principalmente
nesse momento que deixou a gente triste e fraco. Graças a Ele estou aqui”,
afirma.
Com
o título brasileiro e a liderança mundial Sub-20, Ryan já direciona o olhar
para uma etapa ainda maior da carreira. O principal objetivo está definido:
chegar aos Jogos Paralímpicos de Los Angeles, em 2028.
A
partir de agora, ele pretende iniciar um novo período de preparação de base ao
lado dos atletas de alto rendimento de sua equipe e avançar gradativamente para
a categoria adulta. “Quero entrar no adulto, colocar a cabeça na lista e
mostrar que tenho potencial para estar em 2028, em Los Angeles, nas
Paralimpíadas. Eu já me sentia pronto, estou pronto e vou estar melhor ainda”,
projeta.
Apesar de colocar Los Angeles no horizonte, Ryan evita transformar o sonho de 2028 em algo distante. Para ele, o próximo passo da caminhada é muito mais simples: voltar a treinar. “A próxima etapa acho que é o próximo dia, na verdade. Eu já sei o segredo: é treinar. Se eu me esforçar, me dedicar, for todos os dias e fizer o meu melhor, sei que vou chegar lá. Tem que ter vontade, ter obstinação e falar: ‘Eu vou, eu vou e eu vou’. E conseguir”, conclui o paratleta.



