Deu ‘pau’ nos softwares dos carros de Fórmula 1

Primeira corrida na chuva com a atual geração de motores causou apagão nos carros e caos no GP do Bahrein na Malásia. Verstappen venceu pela primeira vez no ano
Foto: Reprodução/F1
Caos provocado pelas condições molhadas, expôs problemas de software na F1

Qualquer pessoa que tenha um computador, celular, tablet, ou qualquer outro equipamento eletrônico já deve ter se deparado com um bug — na gíria popular, o chamado “deu pau”, quando o aparelho trava. O primeiro recurso é reiniciar o sistema, que normalmente volta a funcionar.

Os carros de Fórmula 1, neste ano, tornaram-se muito mais dependentes desses sistemas de gerenciamento eletrônico, com a introdução dos complexos e controversos motores com a divisão de potência 50% para o motor de combustão e 50% para o elétrico.  E as equipes foram pegas de surpresa no Grande Prêmio do Bahrein na Malásia — nome oficial da 16ª etapa do Mundial.

Nas quinze etapas anteriores, não havia acontecido nenhuma sessão de treinos livres, classificação ou corrida sob chuva. Era apenas uma questão de tempo para que isso acontecesse, e a prova de fogo aconteceu no clima equatorial do Circuito de Sepang. Caiu um dilúvio antes da largada e, depois de 43 minutos de atraso, até que as condições melhorassem, os carros foram para a pista atrás do safety car e… “deu pau”.

Verstappen, o pole position, puxava a fila e, devido à baixa velocidade, relatou pelo rádio que pisava no acelerador, mas não havia potência. Em seguida, Hamilton parou na pista, e outros oito pilotos também ficaram pelo caminho, em diversos pontos do circuito. Todos os carros tiveram que retornar aos boxes, enquanto os engenheiros da Federação Internacional de Automobilismo corriam contra o tempo para fazer uma atualização de software e permitir que as equipes instalassem em seus carros para corrigir o algoritmo do computador que controla o funcionamento do motor e evitar que o problema se repetisse.

Foi um vexame, apesar da impressionante capacidade dos técnicos de detectar a falha e disponibilizar em pouco tempo uma nova atualização. Sob chuva, a potência proveniente da energia elétrica é reduzida de 350 kw para 250 kw. E, pasmem, por ainda não ter havido corrida na chuva, a Fórmula 1 foi pega de surpresa em mais um contratempo provocado pelas novas regras de motor.

Depois de 1h38min de atraso, finalmente a largada aconteceu. E foi uma corrida divertida, apesar do caos. Verstappen venceu pela primeira vez no ano. Foi a 72ª vitória da carreira e a primeira do motor Red Bull-Ford Powertrains. Havia 23 anos que um motor com a marca Ford não ganhava uma corrida na Fórmula 1. No sábado, o longo hiato sem uma pole position também havia sido quebrado depois de 27 anos.

A partir deste ano a, Red Bull passou a construir seu próprio motor, em parceria técnica com a Ford.

Kimi Antonelli terminou em segundo com a Mercedes e viu mais uma derrocada de seu companheiro de equipe e principal concorrente na disputa pelo título, George Russell, que sofreu uma quebra de motor a cinco voltas do final, quando ocupava a terceira posição. A diferença que já era grande para Antonelli, aumentou de 66 para 84 pontos (320 a 236). E, para piorar, Russell terá que largar das últimas posições do grid em Singapura pela troca de motor. Só uma zebra do tamanho do Vesúvio tira o título de Antonelli, restando sete corridas.

Lewis Hamilton se redimiu do erro de julgamento da Ferrari, que colocou seus dois pilotos com pneus slick no asfalto encharcado. O britânico caiu para as últimas colocações, mas conseguiu se recuperar e terminou em terceiro, à frente do companheiro de equipe, Charles Leclerc, em quarto.

A Fórmula 1 encerra a primeira bateria de três rodadas triplas neste fim de semana, em Singapura, antes de rumar para a reta final do campeonato, com os GPs dos EUA, México, São Paulo, Las Vegas, Qatar e Abu Dhabi.

O circuito urbano de Marina Bay com 4,927 km e 19 curvas, é um dos mais exigentes fisicamente para os pilotos. A corrida é noturna, mas o calor e a alta umidade são os maiores desafios em uma pista sinuosa e difícil de ultrapassar. Neste sábado, às 6h (horário de Brasília) acontece a última corrida Sprint do ano. Na sequência, a classificação está marcada para as 10h. E a largada para o 17º Grande Prêmio de Singapura está prevista para as 9h do domingo.