Cafeicultores de Paraíso colhem 45% mais com assistência técnica gratuita
Programa ATeG Café+Forte, do Sistema Faemg Senar, acompanhou 30 produtores por quatro anos; a colheita do grupo quase dobrou, e cada saca vendida na última safra deixou lucro médio de R$ 906
Pequenos cafeicultores de São
Sebastião do Paraíso estão colhendo 45% mais café por hectare. Atendidos há
quatro anos pelo Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Café+Forte,
do Sistema Faemg Senar, os 30 produtores do grupo viram a produtividade média
subir de 28,5 para 41,3 sacas por hectare. A produção total passou de 5,8 mil
sacas na safra 2022/23 para 10,3 mil sacas em 2025/26. Os resultados foram
apresentados na última semana, em encontro promovido em parceria com o
Sindicato Rural de São Sebastião do Paraíso (Sindpar).
“ORGANIZOU A MINHA VIDA”
Um dos produtores do grupo é
Adalberto Villas Boas. Por anos, ele investiu na lavoura sem ver o retorno que
esperava. “O ATeG fez uma transformação na minha vida. Antes de conhecer a
Júlia, eu gastava muito defensivo, muito produto. Tinha produção, mas não era a
produção que eu sempre desejei. Nunca cheguei aonde eu queria”, contou.
A virada veio há quase quatro
anos, quando a técnica de campo montou o planejamento da propriedade. “Ela
montou um planejamento pra mim e, como se diz, organizou a minha vida. Hoje,
com inseticida e herbicida, de quatro partes que eu gastava, gasto uma. Só que
é tudo feito na hora certa, com antecedência. Ela passa a programação certinha
e, se eu atraso duas ou três semanas, ela puxa minha orelha.”
O resultado apareceu na colheita
e na rotina. “A minha produção vem aumentando ano a ano. Em 2026, cheguei a
colher três vezes mais do que eu colhia. E ainda trabalho bem menos, porque a
gente faz tudo certinho. Minha vida se tornou bem mais tranquila para tocar as
lavouras”, disse. “As lavouras melhoraram 90%, graças a Deus, à Júlia e ao
ATeG.”
A história de Adalberto se repete
no grupo, formado por pequenas propriedades, com área média de 9,2 hectares.
Produzir mais também diluiu os custos: na última safra, cada saca custou R$ 700
para ser produzida e foi vendida, em média, por R$ 1.567, com lucro de R$ 906
por saca.
Para a presidente do Sindpar,
Denise Cerize Kolling, os números confirmam que o trabalho está no caminho
certo. “Quando um produtor consegue aumentar sua produtividade, organizar suas
finanças e enxergar sua propriedade como um negócio sustentável, não é apenas
ele quem cresce. Cresce sua família, cresce a economia e cresce São Sebastião
do Paraíso”, afirmou. “O que mais me emociona é saber que, por trás de cada
resultado apresentado, existe uma família que trabalha, que enfrenta
dificuldades e que agora encontra novas oportunidades.”
PLANEJAMENTO E ACOMPANHAMENTO
Durante os quatro anos, os
produtores receberam visitas mensais da técnica de campo Júlia Freitas Silva,
engenheira agrônoma, sem custo. Segundo ela, a abertura do grupo para mudanças
fez diferença. “A gente vem dando as dicas devagarzinho, e a turma vem
respondendo”, contou. “O custo subiu, a turma investiu mais na lavoura, porém a
produtividade passou de 28 para 41 sacas por hectare. Fazer os tratos conforme
a lavoura pede dá uma resposta positiva.”
Júlia lembra que, muitas vezes, o
produtor deixa de lado práticas simples por medo do gasto. “Às vezes a gente
deixa de investir na lavoura, de fazer uma desbrota, por achar caro. Mas ela
representa só 1% do custo da nossa saca.”
Os dados mostram que produzir
mais pesa mais no lucro do que vender caro. Os produtores mais rentáveis do
grupo colheram, em média, 39,2 sacas por hectare, quase o dobro dos menos
rentáveis, vendendo o café por preços parecidos.
Para o supervisor do programa, o
engenheiro agrônomo Rodrigo Elias Batista Almeida Dias, o segredo está no
planejamento. “Com o planejamento na mão, o produtor sabe quanto vai gastar e
quanto vai colher, compra só o que precisa e não é passado para trás. É isso
que faz a gente ganhar dinheiro”, afirmou.
Ele destaca também o peso da
visita mensal na prevenção. “Com a visita todo mês, a gente consegue se
adiantar. A gente trabalha preventivo. O produtor vai gastar da mesma forma, só
que não vai ter o prejuízo da doença.” E resume: “A gente é suspeito para
falar, mas eu não vejo um produtor tendo sucesso hoje se ele não tiver um
acompanhamento técnico de qualidade.”
Rodrigo alerta ainda para o
momento do mercado, depois do preço recorde do café no último ano. “Agora é a
hora de surfar essa onda e guardar dinheiro para renovar a lavoura, para que,
quando chegar a época do preço ruim, o produtor não saia da atividade.”
QUALIDADE RECONHECIDA
O grupo também se destacou na
qualidade. Entre os 30 produtores atendidos pelo ATeG em Paraíso, os cafés mais
bem avaliados no 10º Cupping de Cafés Especiais do ATeG Café+Forte foram os de
João Batista, em 1º lugar no grupo, com 84,42 pontos, Gusthavo Lemos, em 2º,
com 83,5 pontos, e Claudinei Aparecido, em 3º, com 83,44 pontos. A
classificação considera apenas os produtores do grupo, e não o resultado geral
do concurso. No 7º Concurso Municipal Café de Qualidade, Rodrigo Braghini Neto
ficou em 1º lugar e Eduardo Luiz Ferreira em 3º.
Para o gerente regional do
Sistema Faemg Senar em Passos, Rogger Miranda Coelho, os resultados mostram a
força do trabalho em parceria com os sindicatos. “Quando técnica, sindicato e
produtor caminham juntos, o resultado aparece na lavoura e na renda da família.
Hoje a Regional Passos acompanha
mais de dois mil produtores pelo ATeG, em 69 municípios, e Paraíso é um exemplo
do que esse trabalho pode fazer pelo campo”, afirmou.
Para Denise, o próximo passo é
levar esses resultados a mais famílias. “Sonho com um campo forte, com jovens
que tenham orgulho de continuar o trabalho de seus pais. Para mim, um Sindicato
forte não é aquele que cresce sozinho, mas aquele que faz seus produtores
crescerem junto com ele”, concluiu.
Produtores interessados no ATeG
ou nos cursos gratuitos do Senar podem procurar o Sindpar pelos telefones (35)
9 9123-4567 ou (35) 3371-1234. (por Alanda Freitas)



