Entre riscos e limites legais, Paraíso discute regras para bicicletas e patinetes elétricos
Debate na Câmara de Paraíso reuniu vereadores, prefeito e representantes das forças de segurança; regulamentação municipal busca conciliar mobilidade, prevenção e segurança jurídica
A
circulação de bicicletas elétricas, patinetes e outros equipamentos de
mobilidade individual motivou debate na Câmara Municipal de São Sebastião do
Paraíso durante audiência pública realizada na terça-feira, 13 de outubro. A
preocupação com acidentes, a presença de crianças e adolescentes utilizando
tais veículos no trânsito e os limites legais da fiscalização estiveram no
centro das manifestações.
A
discussão sobre o projeto de regulamentação municipal revelou concordância
quanto à necessidade de melhorar a segurança, mas diferentes avaliações sobre
os instrumentos disponíveis. Entre as propostas apresentadas estão a definição
das vias permitidas, regras de circulação, campanhas educativas e medidas
voltadas à responsabilidade dos pais e à orientação dos compradores.
Os
participantes também ressaltaram a necessidade de distinguir equipamentos
autopropelidos, bicicletas elétricas e ciclo-motores. A classificação técnica
determina quais exigências e medidas de fiscalização se aplicam a cada veículo.
Roney defende regras claras e respaldo para
fiscalização
Ao
apresentar os objetivos da proposta, o vereador Roney Vilaça, presidente da
Comissão de Segurança Pública e Trânsito, que solicitou a audiência, destacou
que a circulação de bicicletas elétricas, patinetes e outros equipamentos de
micromobilidade tem provocado reclamações frequentes da população. Segundo ele,
as demandas chegam por suas redes sociais e são encaminhadas à Guarda Municipal
Roney
afirmou que acompanha essas solicitações e reconhece o trabalho dos agentes,
ressaltando que a fiscalização precisa atuar dentro dos instrumentos legais
disponíveis. Nesse sentido, explicou que o projeto busca oferecer maior
segurança jurídica para uma atuação mais efetiva e contribuir para a prevenção
de acidentes.
“O
nosso objetivo aqui com esse projeto, na verdade, é dar mais segurança jurídica
para que essa atuação de fiscalização possa ocorrer de forma mais efetiva e
venha colaborar realmente com a segurança do trânsito”, declarou.
O
vereador ressaltou que a preocupação com a legalidade acompanha a proposta
desde sua elaboração. Ao abordar a sugestão de estabelecer idade mínima para os
condutores, informou que há parecer jurídico apontando possível inconstitucionalidade
da medida. Embora considere necessário discutir a idade dos usuários, ponderou
que a Câmara precisa evitar dispositivos que possam comprometer a aplicação da
futura lei.
Roney
também defendeu que a população receba informações claras sobre as restrições
já existentes. Observou que muitos compradores adquirem esses equipamentos
acreditando que podem circular livremente, sem conhecer as regras aplicáveis ou
as diferenças entre as categorias de veículos.
“Não
espero que seja um projeto de lei desse que vai trazer um resultado milagroso”,
declarou. Para o vereador, a regulamentação representa um passo necessário,
acompanhado de educação e fiscalização.
Para
o vereador, a audiência representa uma oportunidade de reunir contribuições das
autoridades, das forças de segurança e da comunidade para aperfeiçoar o texto.
O propósito, afirmou, é aliar educação no trânsito a mecanismos de fiscalização
que tenham respaldo legal e produzam resultados na segurança das ruas de
Paraíso.
Ele
informou que o parecer jurídico da Câmara recomenda que o texto trate o
capacete como recomendação, em vez de estabelecer sua obrigatoriedade. Também
relatou obstáculos jurídicos à inclusão de idade mínima e assegurou que
dispositivos capazes de gerar problemas de constitucionalidade ou legalidade
serão revistos antes da conclusão da proposta.
Marcelo Morais defende atuação conjunta e responsabilidade
dos pais
O
prefeito Marcelo Morais manifestou preocupação com medidas municipais que
possam ser posteriormente anuladas e gerar responsabilização do poder público.
Defendeu a participação do Ministério Público, do Judiciário, do Conselho
Tutelar e das forças de segurança na busca de soluções.
Morais
questionou a entrega desses veículos a crianças sem conhecimento das regras de
trânsito e sugeriu discutir a responsabilidade dos pais também no momento da
compra. Uma das ideias apresentadas foi a assinatura de um documento pelos
responsáveis, com encaminhamento de cópia à Prefeitura.
O
prefeito afirmou que não colocará a Guarda Municipal para perseguir crianças em
veículos elétricos, citando o risco de quedas e acidentes graves durante esse
tipo de abordagem.
Também
sugeriu que a Câmara encaminhe ofícios à Assembleia Legislativa de Minas Gerais
e ao Congresso Nacional para ampliar o debate e buscar instrumentos legais mais
claros para a atuação dos municípios.
Polícia Militar propõe clareza sobre vias e equipamentos
de segurança
O
capitão Robson, da Polícia Militar, defendeu que a regulamentação indique
expressamente as vias em que os equipamentos poderão circular. Na avaliação
dele, a informação ajudaria os usuários a compreender as restrições e daria
maior clareza à fiscalização.
O
oficial também sugeriu discutir equipamentos de segurança para os diferentes
tipos de veículos, observando que a finalidade da regulamentação deve ser
reduzir riscos para condutores e demais usuários das ruas.
Segundo
o capitão, a Polícia Militar já realiza intervenções pontuais, orientações e
operações, inclusive em períodos de maior movimento e durante festividades. Ele
relatou apreensões e destacou a preocupação com crianças e adolescentes
circulando junto a motocicletas e outros veículos.
Robson
reforçou que as medidas municipais precisam respeitar a legislação federal para
que possam ser efetivamente aplicadas.
João Paulo Bueno aponta necessidade de divulgar
restrições
O
secretário João Paulo Bueno apresentou explicações sobre a classificação das
vias municipais e afirmou que há avenidas cujas características impõem
restrições à circulação desses equipamentos.
Durante
a discussão, Roney solicitou que a relação oficial das vias seja
disponibilizada de forma clara à população. O vereador argumentou que muitos
compradores acreditam ter liberdade para circular por qualquer rua ou avenida,
sem conhecer as limitações existentes.
A
manifestação evidenciou a necessidade de ampliar a informação aos usuários
sobre os locais permitidos e as condições de circulação, independentemente da
conclusão do projeto municipal.
Delegado alerta para classificação dos veículos e limites
das apreensões
O
delegado regional de Polícia Civil, Tiago Bordini, destacou que o nome
utilizado na venda não determina, por si só, a classificação do veículo.
Segundo ele, um equipamento comercializado como autopropelido pode apresentar
características de ciclo-motor e, nessa condição, estar sujeito às exigências
correspondentes.
Bordini
também chamou a atenção para modificações posteriores à compra, capazes de
alterar potência, funcionamento e enquadramento do veículo.
Sobre
a proposta municipal, recomendou precisão na redação, inclusive quanto ao tipo
de capacete e às condições de circulação nas calçadas, para evitar
interpretações divergentes. Ressaltou ainda que a Polícia Civil nem sempre
dispõe de fundamento jurídico para manter um equipamento apreendido depois que
o responsável apresenta a documentação, dependendo das circunstâncias.
Para
o delegado, a principal lição do debate é a necessidade de educação no trânsito
e maior responsabilidade dos adultos que permitem o uso desses veículos por
crianças.
Tomás cobra medidas comefeito prático
O
vereador Tomás Salviano Martins defendeu o estudo de experiências de outros
municípios para identificar medidas que possam ser aplicadas em Paraíso dentro
dos limites legais.
Ao
citar regulamentações adotadas em outras cidades, sustentou que o debate
precisa resultar em instrumentos com efeito prático, inclusive quanto às
penalidades e à responsabilidade dos pais.
Tomás
argumentou que o poder público não pode permanecer sem resposta diante de
condutas que coloquem pedestres e condutores em risco. Para ele, é necessário
identificar o que outras cidades estão fazendo e quais medidas têm respaldo
para integrar a proposta local.
Laís defende educação e participação dos órgãos de
proteção
A
vereadora Laís Sacoda reconheceu os benefícios da micromobilidade, inclusive
para trabalhadores que utilizam esses veículos para reduzir despesas e
facilitar deslocamentos.
Ao
mesmo tempo, questionou o alcance efetivo de uma lei municipal para evitar
acidentes, diante dos limites jurídicos e das dificuldades de infraestrutura
para implantação de ciclovias.
Laís
defendeu campanhas educativas dirigidas a usuários e responsáveis e apoiou a
participação do Ministério Público e do Conselho Tutelar no debate. Segundo
ela, é necessário discutir a responsabilidade dos pais que entregam veículos a
crianças e adolescentes sem avaliar sua capacidade de condução e os riscos
envolvidos.
Análise econsolidação
As
manifestações reuniram sugestões para o aperfeiçoamento do projeto e para ações
conjuntas de orientação e fiscalização. A definição das vias, os equipamentos
de segurança, as penalidades e a responsabilidade dos pais estão entre os
pontos discutidos.
As propostas apresentadas na audiência não
representam, por si só, novas obrigações em vigor. Conforme explicou Roney, o
texto ainda deverá considerar a análise jurídica e as contribuições do debate
para a elaboração do parecer final.



