Posto do Sol: Música, encontros e saudades às margens da MGC-491

Entre noites de discoteca, apresentações de Chicão Neves e almoços concorridos aos domingos, a casa marcou a vida social de São Sebastião do Paraíso
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Quem passa pela rodovia MGC-491, nas proximidades da Serra da Ipomeia, avista uma construção praticamente tomada pela vegetação. Para muitos paraisenses, porém, aquele cenário desperta lembranças de música, encontros e momentos felizes. Ali funcionou o Posto do Sol, restaurante e churrascaria que se tornou um dos pontos mais movimentados da vida social de São Sebastião do Paraíso.

A cerca de cinco quilômetros da área urbana, a casa atraiu diferentes gerações e viveu distintas fases. Primeiro, ganhou destaque com a Sol Som, uma boate ao estilo das discotecas dos “embalos de sábado à noite”. Era um destino da juventude paraisense, e de municípios vizinhos, como Monte Santo de Minas e Itamogi, que encontravam naquele espaço um lugar para dançar, reunir amigos e aproveitar os fins de semana.

Posteriormente, o restaurante sob direção do aquinense Valdivino Oliveira, e mais adiante pelos irmãos gaúchos Sérgio e Alfeu Miranda, passou a oferecer outra programação musical. Nas noites de sexta-feira e sábado e nos almoços de domingo, famílias e casais se reuniam ao som de música ao vivo com Francisco Vitor Neves, o Chicão Neves, acompanhado pelo Trevo Trio.

Versátil e dono de uma voz grave e bonita, Chicão havia chegado de Goiânia, onde trabalhara em boates conhecidas e adquirido experiência em apresentações para públicos diversos. No Posto do Sol, essa vivência se traduzia em um repertório amplo, apropriado tanto às noites de música quanto ao ambiente dos almoços em família.

Interpretava canções românticas brasileiras e internacionais, guarânias e outros sucessos do cancioneiro latino-americano. O tango ocupava um lugar especial em suas apresentações, pela segurança e expressividade com que dominava o gênero.

Ao seu lado estava o Trevo Trio, cuja formação reunia Ricardo ao violão, Artur Cardoso no contrabaixo e Nelson Duarte na bateria. Em determinados períodos, o saudoso Tadeu Daló também integrou o conjunto como contrabaixista. Em várias oportunidades, o músico paraisense Laércio Dias se juntava à equipe, ao violão ou à guitarra, transformando o trio em quarteto.

A programação ia além das apresentações habituais. Chicão promovia eventos para casais, noites de tango e noites dedicadas à música paraguaia. Cada encontro renovava o movimento da casa e proporcionava ao público a oportunidade de apreciar diferentes estilos musicais.

Nas noites de tango, uma presença marcante foi a do maestro argentino Ramon Tojera, que se apresentou no Posto do Sol com seu bando-neon. Velho companheiro de Chicão, ele havia conhecido o cantor em Goiânia, onde os dois construíram uma amizade. Em Paraíso, o reencontro ganhava expressão musical: Ramon ao bandoneón e Chicão na interpretação dos tangos.

O Posto do Sol também recebeu atrações conhecidas fora da região. Entre elas, o trio paraguaio Los Brillantes, que fazia sucesso em programas exibidos pela Rede Record, e o sambista e compositor Noite Ilustrada.

Outro artista que se apresentou algumas vezes na casa foi Miltinho Rodrigues, que havia formado dupla com Tibagi e esteve no restaurante já em carreira solo. Grupos musicais de Franca também integraram a programação dos fins de semana, ampliando a variedade de atrações oferecidas ao público.

A casa cheia, as noites movimentadas e os concorridos almoços de domingo tornaram-se parte das lembranças de quem frequentou o estabelecimento. Alfeu a conduziu por algum tempo. Com o passar dos anos, o Posto do Sol encerrou suas atividades.

A construção que hoje se vê às margens da rodovia guarda, entretanto, uma história que permanece viva na memória de músicos, antigos frequentadores e famílias.

Recordar o Posto do Sol é também revisitar uma parte da vida cultural e social do município. Entre canções, danças e encontros à mesa, a casa deixou saudades e um lugar próprio na história paraisense.