Estádio Antônio Carlos Barreto de Lima - BATATA -
Campo no Jardim das Hortênsias terá nome de Batata, destaque do futebol paraisense
O
campo municipal de futebol a ser construído no bairro Jardim das Hortênsias
receberá o nome de Antônio Carlos Barreto de Lima, o Batata, em homenagem
póstuma ao jogador que marcou época no esporte de São Sebastião do Paraíso. A
denominação foi esta-belecida por lei, após aprovação pela Câmara Municipal do
projeto apresentado em maio de 2026.
A
homenagem repercutiu entre esportistas e pessoas que conheceram Batata e
acompanharam sua trajetória nos gramados. Talentoso, ele conquistou
reconhecimento no futebol paraisense e deixou lembranças entre companheiros de
equipe e admiradores.
Nesta
edição comemorativa, o Jornal do Sudoeste se une à homenagem e reproduz
uma entrevista com Batata, pu-blicada em fevereiro de 2006. O registro resgata
sua história e oferece aos leitores a oportunidade de recordar o talen-toso
jogador e sua participação no futebol da cidade.
Estatura pequena, Batata deixou em apuros muitos
grandalhões
Tradicionalmente,
o Largo Santo Antônio era onde os circos e parques de diversão se instalavam em
São Sebastião do Paraíso, até que fosse transformado em praça, ganhasse
jardinagem e seu aspecto tranquilo que persiste até os dias de hoje. Nada faz
lembrar o Largo Santo Antônio dos anos 60, época em que apesar do desnível de
seu terreno, era transformado todas as tardes em campo de futebol. Treinos que
se iniciavam um pouco antes das 17 h, isto sem contar as manhãs de domingo,
onde os jogos era para valer, sempre aos olhos de torcedores atentos e, em bom
número.
“Mesmo
quando havia algum circo armado sobrava um espaço para a gente bater bola”, diz
Antônio Carlos Barreto de Lima, o Batata, ao lembrar dos tempos de adolescente
e do “campinho” onde jogou ao lado de Ivanildo (Quarenta), Sapinho, Devarte,
Wagner (filho do João Soldado), Paulo Marreco, Neném Bicudo, entre
outros.
Aos
treze anos passou a jogar no time principal do Santa Cruz, treinado por
Evaristo Coimbra. “Sempre estava assistindo os treinos e um dia faltou um
jogador e o Evaristo resolveu me colocar, e acabei ficando por uns seis anos
como meia-armador no time”, época da qual Batata afirma guardar boas
lembranças, pois foi o início de sua carreira. “Nós treinávamos no campo do
Ginásio. O Edilberto Mumic passava na tinturaria do Evaristo, pegava o pessoal
e assim foi por um bom tempo”.
Estatura
pequena, Batata “rodava” o campo todo a armar e desarmar jogadas. Jogador com
facilidade incrível para se deslocar, tocar a bola, acompanhar de um para outro
lado, e para fazer com velocidade fabulosa, a ligação entre defesa e ataque,
veio depois a integrar o Operário E.C. e a Associação Atlética Paraisense onde
integrou os profissionais em 1968 – 1969, nos tempos do saudoso Gilberto de
Carvalho na presidência.
“Foi
quando ele formou aquele timão e jogamos contra o Santos, a Ferroviária,
Bota-fogo, Guarani e Ponte Preta de Campinas”.
Embora
admita que todas as partidas sempre deixam alguma lembrança, foi justamente
contra a Ponte Preta que Batata disse ter sido um jogo inesquecível. “Vencemos
por 5 a 1 e a Ponte era integrada por craques como Samuel, Vagner e outros
jogadores de renome. Foi um jogo difícil eles queriam vencer, mas a Paraisense
estava muito bem, e conseguimos este bom resultado”.
O
treinador na época era Jura, ex-goleiro do Palmeiras e da Ponte. “A equipe
nossa era muito boa, e só fazia partidas amistosas porque não disputava o
campeonato mineiro”, diz Batata, ao se lembrar do elenco e destacar nomes como
o talentoso Chico Cechini, Eulálio, Zinho, Tatinha, e Babá.
Quando
lhe perguntamos em quem se espelhava, Batata mencionou que gostava muito do
estilo do Zico (Flamengo), em especial por sua maneira de dominar a bola. “Dos
nossos, gostava muito do Laércio (do Aprígio), de suas cobranças de faltas,
sempre muito perfeitas, onde dificilmente errava o gol”.
“Depois
da Paraisense, estive disputando a Terceira Divisão do Campeonato Paulista pela
Usina da Pedra, a Associação Atlética Pedrense, de Serrana, joguei no Operário
muito tempo e me recordo de uma época muito boa no Morro do Níquel, presidida
pelo senhor Lima (pai do Dr. Vanderlei). Pode-se dizer que era uma equipe
também profissional, porque tinha os melhores elementos de Paraíso e de Passos.
Nossa partida de despedida foi contra o Botafogo de Ribeirão Preto”, explica.
Além
de ser a partida de despedida, outro fato foi mar-cante para Batata que pela
Paraisense já havia jogado três vezes contra o Botafogo. Nas três atuou contra
o médio-volante de nome Cunha, considerado um dos melhores jogadores da equipe
de Ribeirão Preto, naquela época. Ao entrarem em campo, com ar de quem estava
preocupado, certamente lembrando da canseira e sufoco que tinha levado, Cunha
se dirigiu a Batata em tom de brincadeira e lhe disse: “Ô baixinho, mas você
outra vez?”.
Ao
se referir sobre treinadores, além de Evaristo Co-imbra com quem se iniciou no
Santa Cruz, lembrou-se também a Elídio Batista (determinava sempre marcação
firme), e, já na fase profissional, de Bié, Rodrigues, destacando “senhor Américo
Salomão” como um dos melhores.
Sobre
sua característica de rodar o campo e sempre ser notado nas partidas, Batata
entende que sua agilidade pode ser explicada, em parte por ser “leve”, e também
porque toda vida quis estar com a bola no pé. “Não paro em campo. Onde a bola
está quero estar sempre perto, livre e desmarcado”. E fala desta maneira
valendo ainda para os dias de hoje. Aos 60 anos, demonstrando muita disposição,
ele integra os Veteranos da Associação Atlética Paraisense, treina todos os domingos,
e com muito fôlego.
Fatos
curiosos não faltaram nestes mais de 40 anos de futebol, como por exemplo o
ocorrido no jogo contra o Bota-fogo, no Estádio Comendador João Alves. O
presidente Gilberto de Carvalho determinou fosse colocado areia nos dois gols.
Num lance, Batata bateu forte, o goleiro Élcio fez a defesa, mas não segurou a
bola. Amortecida pela areia, ela, em cima da risca, não entrou.
Também
não tem como esquecer a vez que a Paraisense foi a Batatais. Para levar os
jogadores e dirigentes foram contratadas duas peruas kom-bis. O roupeiro era o
senhor Guerino Marcomini. Como não viu os sacos com o uniforme a ser utilizado,
ele pensou que havia seguido na primeira perua, mas foi somente, já em Batatais
que deram conta do equívoco: camisas, calções e meias, ficaram em Paraíso.
Ao
tomarem conhecimento, diretores do Batatais encontraram a solução, lhes
emprestando o material necessário. E foram a campo, o time da casa com o
tradicional uniforme vermelho, e a Paraisense com o branco (também do Batatais),
o que a princípio estabeleceu uma certa confusão. “Quando entramos em campo a
torcida começou a bater palmas, mas depois, foi uma vaia danada”, explica
Batata.
Para
o nosso entrevistado, de seu tempo, quando lhe solicitamos para “escalar” um
time com jogadores que marcaram época, mencionou Rome-rinho como goleiro,
Tianinho na lateral direita, Zé Ico, Chico Cechini e On-ze H-oras. No meio de
campo, Dica, Dione, Batata, Ednar, Emilinho e José Roberto
No futebol de salão, Batata foi pentacampeão pela Comap, jogando ao lado de Zé Ico, Ednar Marcomini, Emilinho, Luiz Henrique Bueno, João Diogo, conforme disse, “um time imbatível”. Matéria originalmente publicada em 5 de fevereiro de 2006



