Três trajetórias, um legado: paraisenses que engrandeceram a saúde brasileira

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Médico José Carlos Costa Baptista e Glete de Alcântara

A história da medicina e da formação de profissionais de saúde no Brasil também registra a contribuição de filhos de São Sebastião do Paraíso. Em diferentes épocas e especialidades, eles participaram de avanços no atendimento médico, no ensino universitário e na consolidação de conhecimentos científicos que ultrapassaram os limites de suas atividades profissionais.

Entre essas trajetórias está a de Glete de Alcântara, pioneira da enfermagem brasileira, cuja atuação foi decisiva para o fortalecimento do ensino superior na profissão. O médico Waltênio Vasconcelos, trajetória de mais de cinco décadas no Hospital das Clínicas de São Paulo. Em outra especialidade, o médico José Carlos Costa Baptista-Silva construiu uma carreira de referência na cirurgia vascular, associando a prática médica à docência e à pesquisa científica.

As histórias desses profissionais representam diferentes gerações e demonstram que São Sebastião do Paraíso também possui uma contribuição significativa na formação de pessoas dedicadas à saúde e ao conhecimento científico.

Entre os profissionais com vínculos com São Sebastião do Paraíso que alcançaram projeção na medicina brasileira, merece destaque o médico dermatologista Waltênio Vasconcelos, cuja trajetória profissional está associada à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e ao Hospital das Clínicas, uma das principais instituições de assistência médica, ensino e pesquisa do país.

Sua atuação na Dermatologia é registrada em publicações acadêmicas e históricas que recuperam a contribuição de professores e especialistas para a formação de sucessivas gerações de médicos.

Uma das referências à sua carreira consta de publicação da Revista de Medicina da USP, na qual Waltênio Vasconcelos aparece entre os professores de Dermatologia lembrados por antigos alunos da Faculdade de Medicina. A menção evidencia sua participação no ambiente acadêmico de uma das mais tradicionais escolas médicas brasileiras.

Seu nome também integra registros históricos da Sociedade Brasileira de Dermatologia, ao lado de profissionais que contribuíram para a consolidação e o desenvolvimento da especialidade no Brasil.

Um dos reconhecimentos públicos de sua trajetória ocorreu em 2015, quando foi homenageado durante solenidade realizada na Câmara Municipal de São Paulo. Conforme notícia divulgada pelo Legislativo paulistano, Waltênio Vasconcelos completava 52 anos de serviços prestados ao Hospital das Clínicas.

Na oportunidade, emocionado, manifestou satisfação e orgulho por integrar a história da instituição. A homenagem representou o reconhecimento de uma carreira iniciada ainda na década de 1960 e marcada pela dedicação à medicina.

Outro registro de sua passagem pelo Hospital das Clínicas aparece no livro Memória e Glória do HC – 1938-2004, que reúne depoimentos e recordações de profissionais ligados à instituição. Na obra, Waltênio, também conhecido como doutor Vasquinho, participa da recuperação da memória dos trabalhadores e das transformações ocorridas no complexo hospitalar.

José Carlos Costa Baptista da Silva: referência na cirurgia vascular e na formação médica

O médico José Carlos Costa Baptista da Silva construiu uma carreira de destaque na cirurgia vascular e endovascular, com atuação no ensino universitário, na assistência hospitalar e na pesquisa científica.

Professor titular da Escola Paulista de Medicina, vinculada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), desenvolveu atividades acadêmicas relacionadas à formação de médicos, residentes, mestres e doutores.

Sua trajetória inclui experiências internacionais em instituições reconhecidas, como Baylor College of Medicine e Texas Heart Institute, nos Estados Unidos, além de passagem pela Universidade da Califórnia, em São Francisco.

Na Unifesp, exerceu funções de direção e gestão acadêmica, incluindo a chefia do Departamento de Cirurgia entre 2018 e 2023. Também atuou como diretor clínico do Hospital São Paulo, de 2014 a 2019.

A atividade científica constitui outro aspecto importante de sua carreira. Participou de projetos de pesquisa, orientou trabalhos acadêmicos e colaborou com estudos relacionados à cirurgia vascular, à medicina baseada em evidências e ao aperfeiçoamento de procedimentos cirúrgicos.

Em 2024, recebeu a Medalha do Mérito Cirúrgico do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, reconhecimento por sua contribuição à especialidade.

A trajetória de José Carlos Costa Baptista da Silva reúne assistência médica, produção científica e formação de profissionais, atividades que ampliam o alcance de sua contribuição à medicina brasileira.

a participação de pesquisadores nascidos em São Sebastião do Paraíso na consolidação de atividades universitárias e na investigação de questões ambientais e biológicas.

Glete de Alcântara: pioneira da enfermagem brasileira

Entre os nomes que merecem especial destaque está Glete de Alcântara, nascida em São Sebastião do Paraíso em 24 de junho de 1910, filha de José Proença de Alcântara e Maria Pimenta de Alcântara.

Sua trajetória ocupa lugar de relevância na história da enfermagem brasileira e no processo de reconhecimento da profissão como atividade de formação universitária e produção científica.

Primogênita de dez irmãos, Glete enfrentou responsabilidades familiares ainda jovem, especialmente após a morte de sua mãe. Posteriormente, transferiu-se para São Paulo, onde desenvolveu sua formação acadêmica.

Concluiu o curso de educadora sanitária e, beneficiada por uma bolsa de estudos, realizou formação em enfermagem na Universidade de Toronto, no Canadá, concluída em 1944.

De volta ao Brasil, passou a integrar o corpo docente da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. Posteriormente, aperfeiçoou seus conhecimentos nos Estados Unidos, onde obteve o título de mestrado pela Universidade Columbia.

Um dos momentos mais importantes de sua carreira ocorreu em 1952, quando assumiu a organização e direção da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, instituição que se tornaria referência nacional e internacional na formação de profissionais e no desenvolvimento da pesquisa em enfermagem.

Glete defendia uma formação que ultrapassasse os procedimentos técnicos, incorporando conhecimentos das ciências sociais, psicologia, administração e educação. Para ela, a enfermagem deveria ser compreendida em sua dimensão científica, humana e social.

Em 1963, tornou-se a primeira enfermeira catedrática da América Latina, marco histórico para o reconhecimento acadêmico da profissão.

Também presidiu a Associação Brasileira de Enfermagem em diferentes períodos, participando das discussões sobre o desenvolvimento e a valorização profissional da categoria.

Glete de Alcântara faleceu em São Paulo, em 3 de novembro de 1974, deixando uma contribuição que permanece reconhecida na história da enfermagem brasileira.

Para São Sebastião do Paraíso, sua trajetória representa motivo especial de reconhecimento. Nascida no interior mineiro, alcançou posição de destaque na universidade brasileira, contribuindo decisivamente para a formação de gerações de enfermeiros e pesquisadores.